Sempre senti uma grande “preguiça” para tarefas demasiado monótonas e repetitivas.

Iniciei a minha atividade profissional aos 18 anos no departamento administrativo de uma empresa onde, entre outras tarefas, tínhamos de efetuar um registo exaustivo de um grande volume de letras comerciais e do respetivo histórico. Esta era uma daquelas tarefas que tinha o efeito “preguiça” em mim.

Estávamos no ano de 1992, a utilizar uma folha de cálculo de nome “Lotus 123”, a mais popular na altura, prestes a ser destronada pelo “Excel”, e não tínhamos ainda internet. Comecei a explorar o programa e descobri que era possível a automatização de algumas tarefas através da utilização sequencial de determinados comandos em código (macros).

Depois de investir algumas horas, fiquei fascinado com a incrível poupança de tempo na realização da mesma tarefa, que ultrapassou os 90%.

Apesar de alguma resistência inicial à mudança, tive o reconhecimento por parte da empresa e inclusivamente direito a um aumento salarial.

Foi enorme a evolução tecnológica e, mais concretamente na área da informática, desde essa altura até agora, existindo atualmente inúmeras soluções de automatização, implementadas nas mais diversas áreas, como a financeira, reporting, payroll, comercial, recursos humanos, entre outras.

Hoje, com automatismos, interagimos de forma oral e escrita, controlamos a assiduidade, enviamos recibos, geramos reports, processamos salários, analisamos bases de dados de candidatos, fazemos agendamentos, controlamos níveis de rentabilidade, enfim, conseguimos poupar imenso tempo, canalizando a interação humana para onde ela é mesmo necessária.

A implementação de automatismos produz não só um aumento da eficiência bem como de melhores níveis de serviço, resultando em graus superiores de satisfação dos clientes, reduzindo custos e promovendo um melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos colaboradores. Promove ainda o upskilling, dotando os colaboradores de novas competências.

A “preguiça” fez com que me desafiasse a mim próprio para conseguir encontrar uma forma mais rápida e menos trabalhosa para realizar uma tarefa, “obrigando-me” a adquirir novos conhecimentos e competências e promovendo-me profissionalmente. Por isso digo: sejamos “preguiçosos”!
 

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Luis Guimara~es

Luís Guimarães

consultancy manager na randstad portugal