“Estou a contactar na sequência de uma candidatura à oferta x, recorda-se?” 


Como consultora de recrutamento e seleção deparo-me muitas vezes com a mesma resposta a esta questão: “enviei muitas candidaturas e não me estou a recordar dessa em particular”. Geralmente, esta resposta origina outras que confirmam que o candidato não leu a oferta com atenção e, consequentemente, poderá não se identificar com esta, tendo a candidatura sido submetida sem qualquer tipo de reflexão. Respostas como ”não tenho disponibilidade para esse horário e/ou folgas”,  “não tenho muito interesse nessa função, tenho preferência por...”, “a localização não é viável para mim” ou “com essas condições não tenho interesse” são comuns.

Paralelamente, também me deparo diariamente com um elevado número de candidaturas que não podem ser consideradas pelo facto dos candidatos não reunirem os requisitos indicados no anúncio.

Tudo isto nos remete para uma questão essencial: 

Será que, se um candidato enviar um elevado número de candidaturas, aumenta a probabilidade de ser selecionado para um projeto para o qual tenha, efetivamente, motivação, disponibilidade (horários/folgas/localização) e que vá ao encontro da sua expectativa salarial?

A resposta é não! 

Se por um lado, o facto do candidato submeter várias candidaturas a diferentes funções e condições, evidencia falta de foco e atenção ao detalhe, remetendo por sua vez para falta de motivação específica. Por outro lado, o candidato poderá vir a ser contactado para ofertas nas quais não tem interesse, em detrimento de outras para as quais tenha verdadeiramente interesse e disponibilidade.

O que nos leva a outra questão, igualmente importante: Então, que cuidados devo ter antes de me candidatar?

Antes de começar a procurar ofertas de emprego deve refletir sobre os critérios de pesquisa que vai utilizar, tais como:

  • que função ou funções têm interesse para si e  para as quais considera ter o perfil pretendido?
  • qual a carga horária que se ajusta à sua disponibilidade e quais os limites de horário exequíveis,  tendo em conta a sua vida particular e/ou outras atividade que tenha (académicas ou laborais)?
  • qual a sua expectativa salarial, tendo em conta a sua formação,  experiência, níveis linguísticos de outros idiomas, entre outras competências técnicas (hard skills) que possui?
  • qual a localização que considera viável e como pensa deslocar-se?

Quando estiver a consultar as ofertas obtidas é indispensável que leia atentamente o anúncio na sua totalidade, confirme se a oferta se enquadra nos critérios que definiu anteriormente e confirme se reúne os requisitos solicitados, principalmente aqueles que são eliminatórios.

Nos casos em que as ofertas vão ao encontro daquilo que pretende e para as quais considera ter o perfil pretendido, deve fazer uma última reflexão sobre o nível de compromisso que terá com as mesmas. Partindo do pressuposto que todo e qualquer emprego a que nos propomos deve ter como base uma relação win win, onde ambas as partes saem beneficiadas,  coloque a si próprio as seguinte questões:

  • Que competências diferenciadoras possuo, e que serão valorizadas naqueles projetos e que levarão o consultor de recrutamento a escolher-me em detrimento de outros candidatos?
  • E para mim, que benefícios poderão estes projetos trazer para o meu percurso profissional? Conhecimentos e experiência em determinado sector? Melhoria de competências de comunicação, empatia e resiliência? Outros que considero importantes para a carreira que escolhi? 

Se as respostas forem positivas, então avance com confiança!

Dica de consultora de recrutamento: em fase de selecção, são as respostas a estas questões que podem fazer a diferença entre ser ou não ser selecionado. Muitas vezes, são até as as únicas que realmente interessam. Vale a pena preparar-se para elas, certo? 

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Marta Antunes

Marta Antunes

consultora de recrutamento & selecção, randstad portugal