janeiro a 360

O mundo, o país e o mercado de trabalho numa abordagem 360 dos temas que marcaram a atualidade no mês de janeiro, por José Miguel Leonardo, CEO da Randstad Portugal.

#Brexit 

Pior do que um mau acordo, é um não acordo. Esta latência está a criar já hoje um problema. Para além das agitações políticas, cria também intranquilidade social, cria nervosismo nas economias e nas finanças mundiais. E como em tantos outros exemplos que podemos encontrar, insisto que o não acordo é pior do que um mau acordo.
Este tipo de separação será doloroso. Não há forma de o fazer sem dor. E por isso mesmo, quanto antes ele tenha que acontecer, ou de não acontecer, se essa for uma alternativa, quanto antes esse esclarecimento for feito, quanto antes o acordo for conseguido, melhor para todos. Mas a decisão é o mais urgente, pois o impasse cria ainda maior instabilidade, com impacto não apenas para o Reino Unido, mas para toda a Europa.

#Bolsonaro #Cristina Ferreira #Montenegro

Três estilos diferentes de liderança. Um que acaba de chegar. Uma que já o sendo, nas audiências, também o ficou por causa do salários que foi publicamente e amplamente noticiado. E um terceiro elemento que tenta a conquista à liderança.

Não há nada de errado no discutir as lideranças. O que pode haver de errado é a inconsequência do acto ou a falta de timing nessa mesma acção.

#greves

Estamos num ano eleitoral. Se as greves foram já numerosas em 2018, com números muito superiores aos de anos anteriores podemos esperar que este ano iremos ver mais afirmações nesse sentido, mais luta social, mais desencontros, mais problemas para a população em geral.
Porque independentemente do direito inalienável do direito à greve, temos que ter consciência que do outro lado há alguém que sai penalizado, com a inexistência dos serviços que normalmente são prestados por esses grupos.

#mundo do trabalho

Creio que são óptimas notícias. Não a destruição de 1 milhão de empregos, mas a realidade de concebermos que, porventura, mais do que 1 milhão de empregos vão ser criados, porque este estudo mostra exatamente isso. Numa visão conservadora a tecnologia põe em risco cerca de 1 milhão de postos de trabalho, mas ao mesmo tempo cria o mesmo número de novas funções necessárias. Uma número que embora seja igual, não reflete as mesmas funções, nem mesmo competências iguais.
Tomemos por exemplo um  motorista de camião. Hoje já podemos antecipar que os veículos autónomos vão estar em breve nas estradas. E porventura, serão os camiões de longo curso os primeiros a serem afectados com esta automatização. Em consequência, neste cenário, os motoristas deixarão de ter o seu emprego mas ao mesmo tempo vai ser necessário alguém que programe as rotas desses camiões. A questão que se nos põe é, será que é este motorista que ficou sem o seu trabalho que irá ser alvo de uma reconversão de competências, para poder ser ele o programador das rotas desses camiões? E se não o é, que respostas temos? É urgente encontrarmos essas respostas, uma estratégia para esta transformação.  E esta urgência deve estar na primeira linha das agendas, das organizações, do legislador, das universidades, das escolas, de todos em geral. Porque isto vai acontecer, quer queiramos ou não, e irá certamente acontecer muito antes do aquilo que nós hoje pensamos ou imaginamos que seja possível.
É também de destacar que o discurso dos camiões esteve bem presente neste mês de janeiro com a viagem do nosso presidente de Lisboa ao Porto, utilizando precisamente esse meio.

#up

Qualquer aumento de salário só pode ser encarado de uma maneira positiva. O aumento do salário mínimo não pode ser nada de mau. Agora temos que ter muito cuidado em não tornar o salário mínimo o salário standard. Não é possível que as pessoas, as famílias consigam sobreviver com base no salário mínimo. E aqui há dois cuidados a ter. Se por um lado, com o aumento sucessivo, e bem,  positivo, do salário mínimo as pessoas auferem melhor rendimento com base nisso. Por outro lado, tem se assistido a uma perigosa convergência do salário médio com o salário mínimo. E nós não podemos nunca trabalhar para mínimos. Não é normal que assim seja, devemos antes prepararmo-nos com mais ambição para podermos fazer mais e melhor.
Às organizações compete, e às empresas neste caso, e aos seus gestores encontrar o balanço equilibrado entre aquilo que é necessário fazer em termos de salário para atrair e reter os seus melhores talentos. O mercado vai funcionar mas é necessário que também haja uma preocupação social e principalmente deixarmos de lado que os mínimos sejam o normal, o aceitável porque não o podem ser de forma nenhuma.

#down

O tema da cibersegurança veio para ficar. Temos que ter essa consciência e esse cuidado. Se por um lado, nós individualmente temos que ter esse cuidado de usar uma etiqueta nova, uma nova forma de utilizar e de estar, através das redes sociais e naquilo que nós próprios publicamos. Por outro lado, também compete às organizações o escrutínio efetivo e constante de tudo aquilo que está publicado nos seus servidores, na informação que circula dentro dessas organizações e como é que essas organizações podem ser afectadas pela intrusão de hackers e de pessoas terceiras à organização, que podem fazer uma utilização fraudulenta dessa informação.
Cibersegurança é algo que temos que pôr definitivamente na primeira linha e temos que ser exigentes com as organizações com as quais interagimos, não só as empresas com as quais colaboramos, mas também com as próprias plataformas, os sites que utilizamos. Não pode haver essa promiscuidade de fazerem com os nossos dados tudo aquilo que muito bem entenderem, para os fins que entendem, sem o nosso consentimento.