três em um

Mudar ou aceitar uma proposta de emprego, o que está na base da decisão?

São vários os elementos, uma mistura entre razão e emoção, mas onde o salário enquanto elemento da relação laboral tem sempre um papel crítico, que não pode ser desconsiderado. Mas o que move as pessoas e porque é que às vezes nem mesmo o salário mais elevado leva ao tão desejado “sim”? Os portugueses colocam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional como o critério mais importante numa decisão de emprego. Uma valorização que não é acompanhada no resto da Europa, onde o ambiente de trabalho está em destaque.

Mas porque é que os portugueses valorizam tanto este equilíbrio? Será um reflexo geracional? Se para os millennials este é uma prioridade (25-34 anos), para os Z (18-24 anos) o destaque vai para a progressão de carreira. Mas são os X (35-54 anos) que surpreendem ao dar relevância ao equilíbrio em detrimento da estabilidade profissional (o critério mais valorizado pelos baby boomers, 55-64 anos). O que concluir? E o que é, afinal, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional? Em dezembro, o Governo lançou o programa “3 em linha”, focado na conciliação entre a vida familiar, pessoal e profissional. Mas do que se trata? O que podem as empresas fazer? Trata-se de benefícios, mas não só.

O tema deve ir mais longe, considerando a flexibilidade não apenas em relação a vínculos, como ao local de trabalho, aos horários e até a funções. E não existe uma resposta única, existem respostas que devem ser dadas ouvindo e percebendo o porquê deste alinhamento luso, ou desalinhamento europeu. Os estudos repetem-se (também a CIP apresentou um relatório sobre este tema) e no final parece claro que há uma crescente infelicidade de quem não consegue gerir o tempo, de quem não consegue ser uma pessoa inteira numa vida que concilia três realidades.

O que temos de fazer? Primeiro, ouvir e compreender, segundo, definir o conceito e os eixos estratégicos de atuação sob pena de reduzir o tema a benefícios para o agregado familiar. Os estudos não podem servir apenas para encher de dados artigos e conferências, devem ser ferramentas de desconforto que nos levam a agir e a fazer diferente. Que nos obrigam a mudar e a medir, para percebermos se conseguimos mudar e transformar. Queremos pessoas felizes, cada vez mais felizes e não apenas os dados do que as preocupa ou move. Queremos que uma vida seja a conciliação de todas as dimensões, uma conciliação que é, no fundo, uma coexistência pacífica e feliz de paradoxos.