Muitas vezes me interrogo como é que ficou definido, que liderar uma equipa implica colocar as emoções de lado e uma gestão apenas racional, ainda que com diversos estilos de liderança associados e distintos. Estilos esses que definem um líder nas organizações e os coloca com uma “etiqueta” e numa “caixa” agrupada.

Porque é que independentemente do que sentimos, temos que nos abstrair dessas mesmas  emoções e agir unicamente de forma racional? Quem é que instituiu que era esse o comportamento correto e não outro?

Ainda que sinta, que nos últimos anos tem existido uma evolução mais positiva e os líderes se tenham tornado mais empáticos e verdadeiros, questiono-me se é uma exigência das novas gerações, ativas no mercado de trabalho, que obrigam a líderes distintos com uma postura diferente da liderança tradicional ou se é uma evolução natural do próprio líder em querer ser diferente.

Em várias partilhas e conversas sobre o tema, recordo alguém, que assumindo-se no dito perfil tradicional e sendo difícil para ele colocar-se nesta posição, reconhecia a importância das emoções e que fazia a seguinte reflexão: "Fortes são os capazes de demonstrar as suas fragilidades"... 

Quando é que nos vamos aperceber que esta fraqueza é de facto uma força na liderança que deve ser valorizada e passará a ser-se aceite e valorizado por demonstrar as suas emoções e ao pedir ajuda dentro das equipas e da empresa?

Muito se fala do erro e de como olhamos para o mesmo - se com um filtro de aprendizagem ou apenas uma falha. Em que momento ficou determinado que demonstrar emoções é uma falha e não é sinal de liderança?

Afinal somos apenas mulheres, homens, mães, pais, filhos, amigos e seres humanos. Liderar é só um dos papéis que desempenhamos num palco temporário, com cartaz, com horas de entrada e saída, com surpresas, aplausos, gargalhadas e tristezas.

O que somos afinal?

O que o outro vê, ou o que está por trás da máscara e do pano? Não somos apenas uma só coisa! Somos influenciados pelas nossas vivências, traumas e vitórias. Não será mais fácil e real, que o nosso comportamento seja o reflexo do que estamos a sentir, como o é num palco de uma grande peça de teatro?

Independentemente do que está predefinido, tenhamos a coragem de sermos genuínos.

Quando os nossos pares e colegas nos definirem com uma só palavra, que ela seja coerente e corresponda ao nosso verdadeiro Eu. Que o esforço do estilo natural para o adaptado, exigido pelas empresas não impeça o crescimento e o nascer de grandes e novos líderes.

Acredito que caminhamos para lideranças genuínas e emocionais, e, que a seu tempo tenhamos exemplos que um bom líder também “chora”.


 

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sofia_silva
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sofia silva,

commercial manager, inhouse, randstad portugal