Hoje falamos constantemente das diferenças geracionais, do que as separa, do que as complementa. Sempre muito direccionado na questão das tecnologias, do digital, do talento e na retenção do mesmo e tudo a uma velocidade estonteante.

A informação está sempre actualizada e a ficar desactualizada. Sabemos de tudo e de todos, fazem-se estudos com precisão nunca antes conseguidos, sabemos o preço de tudo e de todos, mas, saberemos nós o real valor das coisas?

Cruzei-me com uma frase que dizia: “Hoje vivemos num mundo onde tudo tem preço, mas quase nada tem valor, e as poucas coisas que têm valor, poucos as sabem valorizar”.

Não estranhamos no entanto, que em todas as redes sociais, os posts que de alguma forma tocam o lado humano, emocional, se tornem virais, no entanto apenas isso… quase nada tem consequências, provavelmente porque não sabemos priorizar a verdadeira importância das coisas.

Educámos as novas gerações, para serem inquietos, competitivos, altamente qualificados, e atingirem o sucesso, mas talvez tenhamos sido negligentes na educação dos valores, de como chegámos até aqui e daquilo que realmente deverá ser valorizado.

Exacerbamos posições na defesa dos animais, do ambiente e, todas obviamente importantes e pertinentes, mas não temos mais do que um “like” para colocar numa qualquer app, quando falamos de pessoas, das suas necessidades e das suas desigualdades.

O propósito de cada um, está bem definido para cada qual, mas raramente se congrega num objectivo comum, de equipa, de comunidade, de país.

O compromisso com os valores de vida de uma qualquer sociedade, está hoje muito comprometido. As gerações que os tinham esqueceram-se deles e por isso de os passar e aquelas que não lhes tendo sido passadas, também não as souberam apreender.

O desinteresse por temas como a politica, intervenção social são um exemplo disso. A responsabilidade será obviamente, das gerações que potenciaram esse mesmo desinteresse, mas também do valor que não soubemos dar às coisas, que sendo opções individuais, resultam num fim comum, que a todos afeta.

Não nos inquietamos, quando as nossas crianças não brincam na rua, não sabem ir a pé para a escola, quando os nossos jovens não podem andar numa qualquer cidade sem que tenham sempre o perigo à espreita, ou que os nossos idosos vejam os seus dias confinados a espaços sem condições e muitas vezes ausentes de qualquer vertente humana.
A forma como vivem as crianças e a forma como tratamos os idosos são o espelho dos valores de cada sociedade.

Enumeramos números e estatísticas sobre todos estes temas, mas são apenas números que fazem manchetes, e não passa disso, até que seja necessário mostrar novamente esses dados.
Estamos sem dúvida sempre actualizados, mas muito pouco comprometidos em inverter a significância destes números.

Contudo, estamos sempre a tempo de “destronar” este estado de apatia e egoísmo, embora eventualmente inconsciente, mas geral!
Exemplo disso, são algumas iniciativas que começam a surgir, sejam de associações, comunidades e até empresariais, que vão neste sentido, mas tal como em tudo na vida, teremos de começar pelo início.
Todos quantos pertencem às gerações a quem foram passados os verdadeiros valores da vida, temos a obrigação de corrigir comportamentos, ensinando a tornar significante o real valor das coisas.

Nunca como agora tivemos jovens tão qualificados, tão ágeis na defesa das suas posições, e se todos soubermos reposicionar os valores essenciais, teremos verdadeiros “Ronaldos” na defesa da real liberdade do ser humano enquanto pessoa.

Acredito convictamente, que temos tudo para ainda assistir, a uma sociedade, à beira mar plantada, em que não precisaremos de estatísticas, ou de artigos de opinião sobre o verdadeiro valor das coisas!

autora
olga pamplona

olga pamplona

efficiency & improvement manager. staffing, randstad portugal