• Sofia Cansado

Olá! Sejam bem-vindos ao podcast #EVERYDAYHERO. Hoje temos um tema dedicado às férias de verão. Vamos falar sobre a importância das férias para a produtividade. Comigo, eu tenho o José Silvares. O José é Senior Project Officer em Outsourcing. Bem-vindo, José!

  • José Silvares

Bom dia! Obrigado pelo convite.

  • Sofia Cansado

Claro. José, antes de mais, gostava que te apresentasses para quem nos ouve.

  • José Silvares

Olá! Bom dia. Sou, neste momento, sou responsável de projeto em que estava, estou no Outsourcing, em que para quem não sabe o que é que é o outsourcing, é mais uma prestação de serviço em que nós fazemos end-to-end, toda a gestão operacional do serviço proposto pelo cliente. Estou na Randstad desde... Já nem me recordo, há tanto tempo.

  • Sofia Cansado

Tens de ir ver as tuas notas.

  • José Silvares

Depois voltei a sair. Voltei em 2004 e, então, desde então fiquei na empresa. Passei por todas as fases do outsourcing, desde o atendimento até à coordenação, e agora passei para gestão de projetos, há cerca de 7 anos e cá estou.

 

  • Sofia Cansado

Muito bem. E a tua experiência académica? O que é que nos podes dizer? Às vezes, é sempre curioso. Eu pergunto isto porque há muitas pessoas que acabam por ter uma experiência académica e depois não têm nada a ver com a experiência profissional.

  • José Silvares

Pois, e aqui é mais um exemplo. Eu estudei Engenharia Geológica na Faculdade Nova de Lisboa. Ou seja, não tem nada a ver com este ramo. Nunca pratiquei. Infelizmente, ou felizmente, pronto. Mas foi numa altura em que, com a crise em 2008, fez com que o mercado nacional e até internacional fosse muito complicado entrar na minha área e, por isso, apostei mais nesta área. E aqui estou.

  • Sofia Cansado

É engraçado, sabes, acho que até é uma mensagem curiosa para quem nos ouve. Porque a muitos dos nossos convidados acontece exatamente isto, acabam por tirar um curso e depois acabam por ter uma experiência profissional que preferem optar por essa experiência e não exercer o que estudaram. E isso é uma mensagem positiva para quem nos ouve. No final do dia não é a escolha que nos define, não é?

  • José Silvares

Não. Exatamente. E não é só isso. O curso também me deu valências para este emprego. Ou seja, não é apenas um tempo ali passado, entre aspas, a perder o seu tempo, não. Aprendemos outras valências que nos faz também progredir em qualquer área de negócio, em qualquer área académica e profissional.

  • Sofia Cansado

Exatamente. E só para terminar a tua apresentação, o teu Fun Fact.

  • José Silvares

Ora bem, o meu Fun Fact, se calhar, há pouca gente que sabe disso. Quando era adolescente, entre os meus 15 e até entrar para a faculdade, até aos meus 18, 19 anos, tinha o cabelo comprido, bastante comprido. Comparando com o teu, Sofia, era maior que o teu.

  • Sofia Cansado

Muito bem. Portanto, tinhas ali todo um trabalho e dedicação.

  • José Silvares

Sim, sim. Quando as mulheres falam do tempo gasto em tratar o cabelo, eu por acaso passei por essa fase. Mas, pronto, essa fase já passou.

  • Sofia Cansado

Está no passado. Muito bem. José, este tema veio na melhor altura, claramente, porque estamos numa fase em que muitas pessoas acabam por preferir tirar férias nestes meses e muitas vezes nós olhamos para as férias na parte do descanso, mas também não olhamos o que é que nos traz de vantagens, de benefícios depois para quando regressarmos. Eu acho que também, não sei se concordas comigo, que as férias acabam por ser um tabu. Parece que ainda há aqui este receio de dizer que vou de férias ou estou mesmo a precisar de férias. Mas isto tem uma grande importância para a produtividade?

  • José Silvares

Tem. Acho que a parte do tabu é mais aquele estigma de que "vou-me embora, durante "x" tempo não vou fazer nada". Ou seja, parece que para alguma hierarquia vou deixar isto de parte e vou de férias. No entanto, as férias têm um impacto muito importante a todos os níveis: a nível de saúde, tanto a nível anímico como a nível de depois de produtividade em que, voltando à primeira parte - a parte da saúde, a pausa, uma simples pausa, nem se quer falando de férias, faz-nos bem. Ou seja, convém desligarmo-nos de "x" em "x" horas para podermos retomar o nosso trabalho diário. E as férias é igual. As férias funcionam como um boost energético que faz com que aquele período seja aquela pausa que precisamos para colmatar várias lacunas, nomeadamente, por exemplo, a falta de sono, repor o sono em dia, o desligar do trabalho também em parte é importante. Por vezes é complicado, mas é importante porque se de férias continuamos a fazer o mesmo, as mesmas coisas ou o mesmo trabalho, não, aquele período de férias afinal não são umas férias. E então convém ter um período para desligar mesmo para o chip, entre aspas, fazer reset para quando voltarmos, efetivamente ao trabalho, estarmos com as energias recarregadas.

  • Sofia Cansado

Sim, e eu acho que é mesmo essa parte que acaba por ser mais difícil, não é, o desligar a 100%. Como é que conseguimos, não é? Porque acaba por ser aqui um conceito abstrato - desliga, desliga, larga o telemóvel. Mas como é que nós, na prática, conseguimos?

  • José Silvares

Não é fácil. Honestamente, não é fácil. Eu já passei por isso. Da mesma forma que houve um período em que precisei mesmo ir de férias, porque já estava num estado de cansaço, não vou dizer burnout, mas num estado de cansaço extremo. Não era porque eu não gosto, não gostava de fazer aquilo que fazia, antes pelo contrário, era isso que me fazia trabalhar ainda mais. Mas, lá está, é preciso que as pessoas ao nosso redor também tenham essa visão e me disseram para eu desligar um pouco. E de facto, o desligar é mesmo muito importante. Como é que se consegue? Ora bem, dependente também da posição e do trabalho efectivo que se tem e da quantidade de pessoas que estão a seu cargo. Por vezes, é muito complicado desligar por completo. O que eu sugiro como alternativa para quem não consegue de facto desligar a 100% é dedicar cerca de meia hora por dia, nem que seja para ver o email e ver se há alguma coisa pendente que precisa de uma actuação imediata. Se conseguir fazer com que essa meia hora seja de dois em dois dias melhor ainda. Se de facto não for possível, ou seja, o melhor seria mesmo desligar a semana toda ou os 15 dias ou as 3 semanas de férias, isso seria de facto o ideal. Não sendo possível, tentar apenas dedicar uma pequena parte do dia, de dois em dois dias, para estar atualizado e para ver se não falta nada. Apesar de que, mais uma vez digo, nos nossos tempos se de facto é preciso uma coisa muito urgente, há sempre um telefone, há sempre um email, há sempre o WhatsApp que permite aceder o contacto da pessoa. Por isso, aqui o desligar também acho que deveria ser mais efetivo, porque o benefício a longo prazo é muito melhor do que aquele período não gozado férias.

  • Sofia Cansado

Exacto. E cada vez mais é difícil encontrar um destino de férias que não tenha rede. Portanto...

  • Sofia Cansado

Exactamente.

  • Sofia Cansado

Nem dá para nos obrigar.

  • José Silvares

O stress acumulado durante o período de trabalho faz com que é preciso ter o seu tempo para mesmo, lá está, fazer o reset, desligar, poder estar na espreguiçadeira, para quem gosta de praia e estar ali só a olhar para o mar, com os pés na água e não pensar em nada. Eu acho que esse período também faz muito bem animicamente e mesmo lá está, como falámos há pouco, a nível de produtividade. É como fazer aquela pausa de 5 ou 10 minutos durante o dia que voltamos, pelo menos, com mais vontade e aqui é igual.

 

  • Sofia Cansado

Estavas a referir a parte de aquele momento em que tu sentiste que precisavas de férias, porque já estavas a atingir um nível de cansaço extremo. Nós muitas vezes planeamos as férias com base na nossa vida pessoal, não é, porque quem tem filhos quando for melhor tirar férias, para que estejam os filhos também, para quem tem família e passa as férias com família, também coordenar. Não achas que havia aqui uma parte necessária, planeada para, por exemplo, quando acaba uma grande temporada de trabalho extremo, a seguir haver umas férias? Eu acho que esse planeamento ainda nenhum de nós pensa. Não é? Porque tu acabas uma grande temporada de trabalho, para continuares a trabalhar.

  • José Silvares

De fato seria o ideal. Mas infelizmente, ou felizmente, estou numa área em que fazer essa gestão e esse planeamento é muito complicado.

  • Sofia Cansado

Claro, claro. Eu falo no geral, não posso falar de todas as áreas. Não é?

  • José Silvares

Penso que no geral é possível. E também existe essa flexibilidade em marcar férias que nos permite, depois de passar um período de stress, ou um período muito de esforço físico, a nível de horas seguidas de trabalho e aquela concentração necessária, eu acho que qualquer chefia, pelo menos, na nossa empresa isso acontece, basta falar com ele e eles obviamente que nos darão aquele tempo de pausa necessário para recarregar baterias. Acho que aqui num bom. Agora eu acho que as pessoas é que têm que ter essa proatividade. Por vezes, não vou dizer que existe uma vergonha mas, aquilo que falamos no início, existe, não é um tabu, mas não vou dizer que estou cansado, é malvisto. Eu acho que essa fase já, não vou dizer que é medieval do passado, ainda continua a acontecer, mas penso que nos nossos tempos... E outra coisa que a pandemia nos trouxe foi que somos eficazes, não é preciso estarmos a trabalhar 8h, ou 10 ou 15 por dia. Por vezes, se conseguimos ser eficientes em 5, 6, 7h conseguimos ter aquela hora para nós próprios, nem que seja para descansar. E hoje em dia essa mentalidade acho que mudou bastante relativamente a esse tabu das férias.

  • Sofia Cansado

Exacto. José, acho que a melhor forma de terminarmos é eu pedir-te 3 dicas para que quem nos ouve consiga aproveitar ao máximo as férias para voltarem com as energias recarregadas. Quais são aqui as tuas 3 dicas?

  • José Silvares

Ora bem, eu penso que uma das dicas, lá está, é um pouco o desligar. O desligar é muito importante porque se continuamos com um cérebro a pensar, a matutar sobre aquele assunto, como sabemos, pode ser até fora do trabalho, mas é um assunto que vai-nos moer dia, dia sim, dia sim, dia sim. E convém mesmo desligar para que o nosso cérebro fica também, tenha o seu período de descanso. A nível de férias em si, tentar aproveitar ao máximo para estar com os amigos, para socializar, que também nos faz falta, porque por vezes em ambientes de trabalho é só mesmo trabalho, casa - trabalho, trabalho - casa e não existe aquela parte social que é super importante. Por vezes, uma tarde passada com os amigos equivale também a um, a um ganho anímico muito mais benéfico do que uma pausa de cinco minutos, por exemplo. Por isso, socializar ao máximo, fazer excessos com qualquer tipo de divertimento que durante a semana não seja possível e ao fim-de-semana, às vezes, com o nosso dia-a-dia é complicado mesmo de fazê-lo, mesmo com muita vontade e depois relaxar ao máximo. Tentar descansar ao máximo e aproveitar as férias ao máximo, que é não deixar nada por fazer, para quando voltar ao trabalho poder ter mais histórias para contar e naqueles momentos de pausa, mais uma vez, para poder então voltar com o corpo recarregado para poder novamente pegar nos desafios do trabalho, que não são poucos.

  • Sofia Cansado

Exacto. José, obrigada. Não sei se entretanto vais de férias mas, para quem nos ouve, boas férias. Não se esqueçam de colocar o vosso "Out of Office", porque também é muito importante.

  • Sofia Cansado

Aí então é que desligam mesmo com o vosso "Out of Office". Obrigada por teres estado aqui comigo hoje. Obrigada também a quem nos ouve e este episódio é o último, até Setembro. Vamos entrar aqui em férias também no Podcast. Por isso, boas férias. Voltamos em Setembro e até lá já sabem, podem rever todos os nossos episódios das nossas três temporadas. Portanto, têm aqui uma grande companhia para as vossas férias. Obrigada e até Setembro.  

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