• SOFIA CANSADO

Olá! Sejam bem-vindos ao podcast #EVERYDAYHERO. Hoje vamos falar sobre "Como liderar a minha carreira" e para falar deste tema só podíamos ter o Ricardo Monteiro. O Ricardo é Business Manager da área de Outsourcing. Ricardo bem-vindo!

 

  • RICARDO MONTEIRO

Obrigado, Sofia. Obrigado pelo convite. Obrigado a todos também, a todos aqueles que nos estão a ouvir e, depois dessa apresentação, puseste expectativa muito lá em cima. Agora tenho que me esmerar.

 

  • SOFIA CANSADO

E têm de ouvir. Exacto. 

 

  • RICARDO MONTEIRO

Exacto.

 

  • SOFIA CANSADO

Ricardo, gostava que te apresentasses para quem nos está a ouvir, primeiro.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Sim. Sou Manager de Outsourcing. Estou, neste momento, responsável pelas áreas de Contact Center da Banca e Seguros e dentro da realidade que o Outsourcing teve desde 2009. Estou na Randstad desde 2010 sensivelmente, mas já estou nesta atividade de outsourcing e contactos dentro da ???, desde o ano 2000. Comecei numa empresa concorrente, não vale a pena aqui o nome. Mas comecei como agente, como assistente de contact center na antiga marca TMN. No Customer Care da TMN, e tudo o que era para ser uma coisa temporária, esta história da nossa vida... Tudo o que era para ser uma coisa temporária passou para ser uma coisa muito definitiva, até aos dias de hoje. Estudei História Moderna e Contemporânea no ISCTE e, por isso, estou completamente dentro da minha área de estudo, completamente planeado. Mas eu acho que também é interessante esta mudança, aqui também para o próprio tópico de carreira. E pronto, tenho... Sou uma pessoa muito jovem, 25 anos e pronto. Tenho duas filhas maravilhosas e uma mulher também maravilhosa.

 

  • SOFIA CANSADO

Muito bem. Acho que só te falta o Fun Fact

 

  • RICARDO MONTEIRO

Sim. Eu quase que adivinhava que ias perguntar isso. O meu fun fact foi difícil de escolher um, não é? São tantos, mas eu acho que aquele que eu decidi escolher, até mesmo por causa do tópico, gestão de carreiras e de liderar a carreira, está relacionado com um momento da minha vida, da minha vida profissional e pessoal. Isto aconteceu já há algum tempo atrás, quando tivemos um projeto francófono, uma operadora de telecomunicações francesa que decidiu montar cá uma parte dos seus serviços de Customer Care em Portugal, nomeadamente aqui no centro do país, centro interior do país. E porque é que eu trago aqui este fun fact? Porque na altura fizeram uma proposta para ir como Gestor Operacional, eu na altura era Gestor Operacional, fizeram uma proposta para ir como Gestor Operacional deste projeto, foi o Pedro Empis que falou comigo na altura e fiquei completamente entusiasmado com o projeto. A responsabilidade, a dimensão e gerir equipas fora de Lisboa, de conhecer outras realidades, tudo novo. Uma língua que eu sei lá, tive francês no secundário. E o desafio pareceu-me tão espetacular e que praticamente o Pedro se calhar pensava que eu ia fazer aqui um ano sabático para tomar a decisão e eu, praticamente em 48 horas, tomámos a decisão, quer eu quer a minha mulher, e felizmente ela também tem aqui um espírito de aventura, decidimos praticamente esse momento em dois dias. E aqui o fun fact é que havia aqui duas cidades para me mudar, ou era Castelo Branco ou Guarda porque era os primeiros sítios, duas das primeiras cidades onde o projeto se ia instalar e eu não conhecia a Guarda, nem Castelo Branco. Nunca lá estive , não fazia a mínima ideia das cidades e então lembro-me perfeitamente de uma noite, eu e a minha mulher, termos feito aqui quilómetros no Google Street View, a passear pelas cidades, vistas através da Google e depois optámos por Castelo Branco. E foi engraçado porque se não fosse o Google Street View, seria como ir completamente às escuras. E foi aqui engraçado porque andamos a fazer turistas no Google e pronto. E foi assim, literalmente passado uma semana já estava aqui com... a mudar aqui as bagagens para Castelo Branco. E trouxe este fun fact exatamente para isto, foi um momento que eu achei que também era fundamental para a minha carreira. Tive que arriscar, tive que decidir e tive que tomar decisões também que empatavam a vida, a minha vida pessoal. Tínhamos naí altura também uma filha, mas fazia novamente, tomava as mesmas decisões que tomei na altura, inclusive o desafio.

 

  • SOFIA CANSADO

Exacto. Este episódio é patrocinado pela Google. Não, não é. Mas o Ricardo agradece.

 

  • RICARDO MONTEIRO

É a nossa ferramenta corporativa, por isso.

 

  • SOFIA CANSADO

Exacto. Mas é engraçado porque lá está, a tua experiência é o ideal para este episódio. O tema é realmente a tua decisão que acabaste por tomar, não é?

 

  • RICARDO MONTEIRO

Acaba por ser. A gestão de carreiras acaba também por ser muito de decisões no momento.

 

  • SOFIA CANSADO

Eu acho que está perfeitamente em linha com a minha primeira pergunta, porque se o tema acaba por ser tomar posse da minha carreira, ou seja, dar aqui um primeiro passo ou até um passo seguinte. Depende da fase da carreira em que eu estou. Quais são as suas dicas chave para conseguir tomar conta da minha própria carreira? Isto para quem nos ouve. 

 

  • RICARDO MONTEIRO

Certo. Eu diria que nos últimos 2 anos também este próprio tema de gestão de carreiras teve aqui uma transformação. Eu acho que está sempre em transformação, mas nos últimos 2 anos foi também um grande momento de reflexão para a gestão de carreiras. Temos aqui agora temas como Great Resignation, etc. Mas aquilo que eu vou aqui falar sobre esse ponto, não tanto à luz da reflexão dos últimos anos, mas também podemos aqui juntar alguma coisa. Mas, essencialmente, aquilo que eu vejo ainda no modelo clássico de  carreiras, digamos assim,  exatamente nós termos os nossos horizontes bem definidos. Ou seja, a melhor forma de nós seguirmos a nossa carreira, sermos líderes da nossa carreira é termos os nossos horizontes bem definidos, ou seja, termos aqui constantemente presente onde é que eu estou hoje e para onde eu quero ir. E nesta jornada fazemos aqui uma reflexão, uma auto-reflexão muito crítica. Principalmente aqui conhecemos os nossos skills. Como é que nós conseguimos melhorar os nossos skills. O que é que me motiva a melhorar esses meus skills, essa minha forma de interagir com os outros, com o negócio, com os clientes, etc. Eu acho que passa muito por este, por aqui, por dois, digamos assim, patamares mais básicos que é: definir horizontes e o autoconhecimento. Isto porquê? Voltando aqui ao tema de Castelo Branco, eu se calhar se  continuasse em Lisboa, eu até podia ter sido promovido a Business Manager mais cedo, ou seja, tive quatro anos e meio em Castelo Branco como Gestor Operacional e depois volto a Lisboa já como Business Manager. E, se calhar, se eu tivesse ficado em Lisboa, tinha antecipado esse percurso, mas não fazia parte do meu horizonte na altura. Eu conhecer mais, eu conhecer este projeto, eu ter montado como cliente estrangeiro e ter contacto com equipas fora da minha zona de conforto e fora dos grandes centros urbanos, porque gerir em Lisboa não é a mesma coisa que gerir uma Guarda, Castelo Branco, etc. São culturas diferentes, que fazem parte dos desafios da gestão de equipas.

 

  • SOFIA CANSADO

E essa experiência ajuda-te neste momento como Business Manager.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Exactamente, exactamente. Ou seja, havia skills que eu sentia que precisava de os trabalhar, que havia aqui também aqui, ou seja, parte dessa tal reflexão de autoconhecimento que eu precisava de ter, e também de me conhecer melhor, trabalhar esses pontos e daí ter também tomado essa decisão. Mas quem fala deste centro Castelo Branco, fala também de muitas outras que fui também sempre fazendo aqui ao longo da minha carreira. E depois hoje em dia, ou seja, também aqui, como dicas chaves para esta parte da carreira profissional, além daquilo que eu também disse, hoje em dia temos aqui também um conjunto de outras, digamos aqui de outras ferramentas, como são por exemplo as redes sociais, não é? A forma como nós nos apresentamos também aqui, aos outros, faz também com que nós possamos dar-nos a conhecer também a melhor aquilo que nós fazemos, aquilo que somos e capitalizar isso tudo, para fazermos a tal jornada que há pouco falei, dentro do que é o horizonte que há pouco estava a explicar. Mas essencialmente a dica, só para terminar este ponto, eu acho é que é essencialmente e só para fazer aqui o "wrap up" disto tudo.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Eu acho que as dicas, a dica final mesmo é não ficarmos reféns de uma decisão para a vida. Do género "epá, vou tomar esta decisão agora vou ficar refém disto, vou ficar preso nisto para o resto da minha vida". Não. Isso hoje em dia não existe. Acho que temos que tomar decisões naquilo que nós achamos que é o melhor naquele momento. E aquele episódio de Castelo Branco é isso mesmo. Eu não ia viver em Castelo Branco para o resto da minha vida, sabia que havia um momento que ia voltar para Lisboa e queria ter aqui outras oportunidades. Acho que as pessoas não podem ter medo de tomar uma decisão para ficar reféns para o resto da vida. Têm que tomar muita decisão daquilo que acham que faz sentido naquele momento, tomar essa decisão.

 

  • SOFIA CANSADO

Sim. Aliás, é interessante tu falares sobre isso, porque uma decisão muitas vezes é associado quando há uma troca de decisões ou quando de repente mudamos completamente a ideia. Às vezes, até associado um bocadinho a uma falha, mas que não é, não é uma falha. É uma decisão que se toma no momento e que faz sentido até certo ponto. 

 

  • RICARDO MONTEIRO

Certo. Ou seja, é sempre muito fácil nós olharmos para trás e dizermos assim "se eu soubesse, não tinha feito assim desta forma". Por isso, é a tal coisa naquele momento é a decisão que eu acho que é aquela que seja a melhor decisão e aquela que vai mais de encontro às minhas expectativas. Depois tem que se avaliar e aqui, mas o principal também no seguimento que estás a dizer  durante e após essa decisão ires corrigindo a rota.

 

  • SOFIA CANSADO

E não há mais do que acumular experiência. Acaba por ser, ao final do dia.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Exatamente. Quer das boas e as más. Porque já agora que tocas nisso, eu acho também é uma dica chave e agora que também tocas nisso, faz-me sentido também nós referirmos isso, eu acho que eu tenho aqui uma dica chave para uma gestão de carreira é a gestão de expectativas e de frustração, porque são mais vezes a hipótese de exposição à frustração ou ao stress numa mudança ou de uma decisão de carreira, a exposição do stress e da frustração é muito maior do que propriamente logo o ganho imediato.

 

  • SOFIA CANSADO

Exatamente.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Por isso, aqui a gestão de expectativas e de frustração, que acaba por ser aqui também uma necessidade de resiliência a gerir a jornada da carreira.

 

INTRO

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  • SOFIA CANSADO

Se eu pensar um bocadinho na minha carreira, acaba por ser o meu projeto ao longo da vida. Se eu olhar para este projeto como se fosse até uma empresa, nós vemos as empresas têm sempre uma missão, tem valores, tem objetivos. Eu também devo desenvolver a minha missão, o valor da minha própria carreira, do meu próprio objetivo profissional.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Completamente de acordo. Acho que sim. Acho que todos nós, nós enquanto seres humanos, antes de sermos contribuintes e descontar para o estado e tudo mais. Acho que todos nós, desde pequenininhos, começamos a ter essa missão e valores em casa, na escola, e nós vamos construindo essa missão e valores com base em todo aquilo que vem de fora. Ou seja, e vamos ao encontro daquilo que nós achamos que é a nossa missão e valores. Ou seja, nós tentamos sempre nos rodear com as pessoas que têm essa missão e valores semelhantes às nossas e acho que isso também faz parte do crescimento. As empresas, enquanto entidades, ou seja, que têm uma importância, têm importância forte no meio social, no meio económico nas vidas das pessoas, também têm que ter essa missão e valores. Agora a empresa não tem que ter a missão e o valor do Ricardo, porque se não, não se chamava Randstad, chamava-se Ricardo Monteiro Limitada. A Randstad tem que ter os seus valores. As empresas têm que ter a sua missão e valores. E nós temos que respeitar e seguir esses mesmos valores para que todo o ecossistema funcione bem. Agora, nós mesmo enquanto pessoas, temos de ter esses valores sempre assentes e essa missão porque no fim do dia, ou seja, nós estamos sempre a gerir pessoas e a tratar de pessoas, ou seja, aqui a parte da gestão de carreiras, e acho que mais à frente também vamos falar um bocado disto, a gestão de carreiras não se faz sozinho. Ou seja, eu não conheço ninguém que esteja isolados num fiorde lá na Noruega a fazer aqui uma gestão de carreiras que está sozinho. É normal. Ele hoje pode começar assim e pode acabar de outra forma. Aqui não, nós estamos sempre todos em sociedade, em comunicação, em convivência. E por isso, se eu não tiver essa missão e valores para com as minhas pessoas, para as minhas equipas, para com os meus clientes, para com os meus amigos, para com a minha família, eu acho que muita coisa não vai funcionar e depois, se eu tiver aqui uma boa base sólida de missão e de valores, também eu diria que é 50% ou mais garantido que eu também terei sucesso na vida profissional.

 

  • SOFIA CANSADO

Sim, e se eu tiver esta parte bem definida, eu rapidamente percebo se os meus valores estão em ressonância com os valores da empresa a que me estou a propor trabalhar, não é? Facilmente descubro o que é que quero ou não quero.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Exactamente, exatamente. Nem mais, nem mais.

 

  • SOFIA CANSADO

Sim. Eu acho que se nós pensarmos até numa parte de "ok, eu vou trabalhar a minha carreira, vou tomar liderança da minha própria carreira. Às vezes, uma das primeiras tendências é ouvir uma pessoa com experiência. Só que a maior parte das vezes os conselhos mais usuais acabam por ser: toma iniciativa da tua própria carreira, tem responsabilidade pelo que estás a fazer, mas eu acho que tu deves ter provavelmente conselhos um bocadinho mais práticos, até pela tua experiência.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Sim, sim. Se bem que eu diria que a parte da responsabilidade e de iniciativa são dois pontos bem fortes. Mas é como tu dizes, isso é o normal.

 

  • SOFIA CANSADO

O mais usual, sim.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Exatamente. Isso é logo o ponto de partida. Eu acho que acima dessas camadas e aquilo que aconselho também muito as equipas é que façam primeiro as coisas para o vosso bem próprio, ou seja, porque se nós não estamos a fazer as coisas para o nosso bem próprio, e atenção não é ser egoísta, não é nada disso, é sentirmo-nos realizados naquilo que estamos aqui a fazer. Ou seja, eu no final do dia saber que estou aqui entregar um bom serviço, ou uma boa dedicação à família, ou uma boa dedicação aos estudos, ou o que quer que seja. Precisamente em que eu não sinto isto, alguma coisa está a falhar e eu acho que isto é o primeiro passo que estamos, que fazemos as coisas, agora aqui muito no meu lado profissional, fazemos as coisas para o nosso, para nos sentirmos bem e com o sentimento de realização. Que eu acho que é um ponto fundamental para uma gestão de carreira. Porque se eu não tenho este sentimento positivo, ou das duas uma, ou estou no sítio errado ou não estou a fazer aquilo que gosto. Ou então tive uma má avaliação minha, tive uma má auto-avaliação, até me julguei mais capaz de fazer aquela tarefa e afinal não tenho essa capacidade. Por isso, eu acho que isto é o primeiro passo, que é nós termos aqui este brio próprio de entrega, de o fazer pelo Ricardo Monteiro e que depois, por acréscimo, vou também contribuir para as minhas equipas, para a empresa, para o meio onde me insiro, etc. Eu diria que isto aqui é, para mim, é algo que é fundamental. E depois também que eu acho que é algo que é fundamental é nós querermos ser, também está aqui um bocado relacionado com a proatividade. Mas eu acho que conseguimos detalhar mais isso e mais a fundo que é a parte da curiosidade. Ou seja, a empresa não tem que me ensinar tudo, a empresa tem que me dar as ferramentas para eu conseguir desempenhar um bom trabalho. Mas, além disso, eu tenho que ter aqui um espírito de curiosidade e de querer saber mais, também muito relacionado com aquela auto-avaliação que temos vindo aqui a falar, ou seja, aquilo que eu preciso de melhorar. E eu tenho que ter esse espírito e essa curiosidade em querer aprender mais e querer saber mais e querer saber como está o mercado e querer ler sobre isto, ler sobre aquilo. E, por exemplo, neste caso aqui eu tenho que ler. Eu quero manter aqui o hábito e... E a concretizar mesmo, ou seja, tenho aqui objectivos mesmo pessoais, meus, de ler livros por determinada quantidade de livros por trimestre. Estou um bocado forçado comigo mesmo, porque estou a tentar incluir neste circuito romances, mas ainda não consegui lá chegar, não estou a conseguir sair dos livros técnicos. Mas isto para dizer que...

 

 

 

  • SOFIA CANSADO

Tu puseste este objetivo.

 

  • RICARDO MONTEIRO

E por exemplo, agora, se houver aqui um novo Buzz sobre um determinado assunto, eu gosto de ler sobre esse assunto, vou tentar perceber e eu faço aqui esse esforço para conseguir na minha vida conciliar a minha vida pessoal com este hábito de leitura. E hoje em dia esta curiosidade está muito mais facilitada, porque hoje em dia temos acesso a um potencial de informação brutal. Até às vezes temos que ter cuidado com aquilo que lemos. Mas temos aqui um acesso a informação brutal e acho que hoje em dia está mais facilitada, que é a parte do conhecimento. Mas eu diria que a curiosidade também é ótima, porque eu acho que não se faz uma gestão de carreira sem curiosidade. Se nós tivermos sempre aqui, é a tal história do horizonte, se acho que o meu horizonte acaba aqui, eu não vou sair daqui. Se eu acrescentar mais uns quantos quilómetros ao meu horizonte, eu já consigo ter mais e já consigo ir mais longe. E eu só consigo ver mais se tivermos aqui mais conhecimento.

 

  • SOFIA CANSADO

Sim. Bem, já agora, alguma dica de um livro mais direcionado para a carreira.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Livros direcionados para a carreira infelizmente, desculpa Sofia. Agora estou a ler o último livro, que é o "Ruído", que é do nobel de Daniel Kahneman. Pronto aquilo é um calhamaço de 500 páginas e não são letras grandes. Mas estava a dar muito gozo ler este livro porque, ou seja, o que o livro fala é sobre a quantidade de ruído que às vezes há nas empresas, que interferem nas decisões. Ou seja, às vezes a decisão é bem mais simples do que nós pensamos, mas como há tanto ruído à volta, há tantas pessoas à volta daquele determinado processo, ou o que quer que seja, que acaba por adiar ou atrapalhar a decisão. Isto é um tema que me interessou muito, mais uma vez também muito relacionado com o querer conhecer mais, porque os últimos dois anos foi que o que não houve, faltou.

 

  • SOFIA CANSADO

Certo.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Foi ruído e acho que às vezes perdemos um bocadinho ali a capacidade de clareza e eu próprio, enquanto líder, também sinto que às vezes perdi um bocado a parte de clareza. E estou a ler este livro exatamente para me ajudar a perceber como é que se conseguimos aperceber desses ruídos e tomamos aqui decisões com maior clarividência. E o livro é fantástico porque apresenta um conjunto de estudos, estudos mesmo e com decisões em que ele junta, imagina 50 diretores ou o que é que é, e para a mesma decisão há caminhos completamente opostos e  todos de níveis muito semelhantes e está muito interessante nesse aspeto. Por isso, ou seja, eu não leio nenhum livro exactamente sobre carreira. A nível de leitura, é leiam aquele que vocês querem aperfeiçoar, aquele que querem, aquilo que sabem que tem aqui algum défice e que precisam de melhorar, aprofunda isso. Ou seja, que acho que é..

 

  • SOFIA CANSADO

E sai um bocadinho da caixa, não é? Portanto, se a minha área for muito sobre só um tema, é bom também...

 

  • RICARDO MONTEIRO

Exactamente.

 

  • SOFIA CANSADO

Expandir um bocadinho os temas.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Exactamente.

 

  • SOFIA CANSADO

Bem, acabámos por ter aqui uma dica de literatura que não estávamos à espera, mas que é muito importante porque faz parte também aqui do desenvolvimento da carreira.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Abrimos aqui um novo podcast.

 

  • SOFIA CANSADO

É verdade. Eu acho que a última questão que eu tenho acabaste por me responder até, que acaba por perceber se ao trabalhar na minha carreira, isto é um trabalho completamente individual que eu tenho de fazer ou se a minha network ajuda-me neste sentido.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Pois. Olha, já acabei também por tocar aqui neste ponto.

 

 

  • SOFIA CANSADO

Não vou para um fiorde, já sei.

 

RICARDO MONTEIRO

Mas exactamente. Sem dúvida que a network é fundamental. Ainda por cima, hoje em dia, também há pouco falei das redes sociais hoje em dia network, nós não nos conseguimos esconder, por mais que nós queiramos. Por isso, a network é fundamental para nós conseguimos também aqui evoluir porque uma gestão de carreiras não se faz sozinho. Aquela pessoa que tenha esta ideia de progredir numa forma isolada e querer concentrar nele o sucesso dessa progressão, isso não existe. Ou se existir a pessoa mais tarde ou mais cedo, acaba por se mostrar, a meu ver, atenção aqui um bocado processo de fraude. Porque, sinceramente, muito genuinamente, acho que ninguém consegue crescer sozinho, porque o sucesso é feito aqui de várias partes. E aqui a gestão de carreiras, o network é fundamental. E mais uma vez digo, ou seja, é engraçado que desde que eu comecei como assistente na TMN em 2000, até hoje, é engraçado... Eu às vezes ponho-me a pensar nisso, como é que a minha network evoluiu. Porque a partir do momento em que tu também vais estipulando o tal horizonte na tua progressão de carreira, há pessoas que tu já, ok, já me identifiquei, foi fundamental para o meu processo naquela altura. Ensinaram-me imenso, mas que hoje em dia preciso de conhecer mais além. E isto é engraçado, aqui a nossa atividade, para nós que gerimos imensas pessoas, passa por nós centenas e centenas de pessoas e é espetacular a forma como nós todos os dias estamos a aprender, desde o assistente de contact center até à nossa administração, até à direcção, colegas, ???? etc, temos sempre aqui alguma coisa a aprender. E por isso essa network é fundamental.

 

  • SOFIA CANSADO

Eu acho que há aqui até uma parte subentendida do que tu estás a dizer que, muitas vezes, também é preciso ter a humildade de aceitar aprender com pessoas que não estávamos à espera, que houvesse aprendizagem. Se eu não tiver receptiva dessa aprendizagem, não vale a pena eu estar a falar com 1000 pessoas, não é?

 

  • RICARDO MONTEIRO

Sem dúvida. E por isso é que a minha forma de ver aqui a network, atenção podemos estar aqui a falar de network, de uma forma mais complexa ou não. Mas eu estou a falar de uma forma geral de network, ou seja, para determinado propósito utilizo um determinado network, para outro utilizo outro network. É normal. Mas se podemos chamar network, ou ligação humana, ou ligação interpessoal ou o quer que seja, mas eu acho que nós temos sempre a oportunidade de aprender sempre com alguém. E eu dou-te o caso dos Contact Centers. Passam por nós centenas e centenas de pessoas e, às vezes, pessoas com histórias de vida brutais, fantásticas mesmo, tu não dás por nada. Só quando começas a falar com as pessoas é que te apercebes de facto que há ali uma história de vida por trás, fantástica e que tu chegas, acabas de falar com a pessoa e dizes "Uau". E isto é a riqueza do nosso trabalho. E, por isso, acredito que estamos sempre a aprender, mesmo que não seja uma aprendizagem técnica, sobre um negócio ou como devo atender um cliente. Eu acho que aqui também é importante para a gestão de carreiras, e como tu também acabaste de dizer, que temos que ter humildade e eu acho que aqui e fundamental também para a gestão de carreiras e daquilo que nós podemos perceber das outras pessoas também, às vezes, são lições de vida. Eu tive, quando geri o projecto da operadora francesa, tive lições de vida fantásticas, daquelas que não vou esquecer, quando geria a zona centro e interior de Portugal, porque é um outro Portugal, é uma outra zona. E tive lições de vida que me marcaram, marcaram e que também moldaram enquanto gestor de pessoas, enquanto carreira, etc.

 

  • SOFIA CANSADO

Imagino. Sim, eu acho que até acaba por ser aqui uma dica final para fechar o tema, é mesmo aceitar ter outras experiências que se calhar não eram tão óbvias ou tão dentro da linha que nós pensámos para a carreira, porque pode trazer vantagens que nem estávamos à espera, como é o teu caso. Não é?

 

  • RICARDO MONTEIRO

Sim, completamente.

 

  • SOFIA CANSADO

Muito bem. Ricardo, obrigada por teres estado comigo a falar.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Claro que sim. E também parabéns aqui pela iniciativa e se precisarem de mais alguma coisa...

 

  • SOFIA CANSADO

Obrigado.

 

  • RICARDO MONTEIRO

Eu faço um sushi excelente. Não sei se...

 

  • SOFIA CANSADO

Ah, ok. Parece-me bem. Quando fizermos aqui um evento em direto do podcast, já temos aqui...

 

  • RICARDO MONTEIRO

Mas isto foi uma privada para o Outsourcing. Ok? Não sei fazer sushi.

 

  • SOFIA CANSADO

Muito bem, muito bem. Ricardo, obrigada. Obrigada também a todos os que nos ouvem. Já sabem que voltamos com os episódios quinzenais e que nos podem acompanhar nas redes sociais: Facebook, Instagram e Linkedin. Obrigada e até daqui a duas semanas.

 

 

 

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