A situação de pandemia colocou as organizações numa espécie de “estado de alerta” na gestão dos seus negócios e do seu talento. Ao contrário do que se poderia inicialmente pensar, muitas são as empresas que continuam a contratar. O que será que move as empresas na hora de recrutar?

Se, por um lado, temos assistido a situações de lay off, de despedimento coletivo, de insolvência e dispensa de colaboradores, por outro lado, temos notado que as empresas contratam, sim, mas de uma forma mais cirúrgica e estratégica. Mais do que suprir necessidades imediatas, visa-se, sobretudo, antecipar necessidades futuras que, num contexto como o atual, vão, seguramente, suscitar.

Este cenário funcionou como um wake up call para a retenção de high performers e potenciou, em alguns casos, a reorganização de departamentos internos administrativo-financeiros e jurídicos. Em todos estes segmentos, procuram-se perfis especializados, com competências técnicas e sociais diferenciadoras e com elevado potencial.

Veja-se o exemplo do setor financeiro em que se verificou uma crescente procura de perfis tendencialmente mais seniores para posições de direção financeira (v.g., CFO e finance manager), de controller financeiro e de contabilista, em contexto de PME e de empresas multinacionais. Os centros de serviços partilhados (“SSC”), mesmo em plena pandemia, mantiveram níveis de recrutamento elevados, sobretudo no que respeita à procura de perfis mais junior e de team leaders em accounts payable, accounts receivable ou general ledger. Estes continuam a privilegiar a experiência anterior em ambiente SSC e o conhecimento de línguas, como o francês e o alemão.

Se olharmos para o setor de tax & legal, com o desconfinamento pós primeira vaga, deu-se o descongelamento dos processos de recrutamento outrora em “stand by” e a procura de diferentes tipologias de perfis. Nas sociedades de advogados em geral, o cenário propicia movimentações estratégicas. Desta feita, a aposta faz-se, não só em advogados com 2 a 5 anos de experiência pós agregação, mas também, em perfis mais seniores, autónomos do ponto de vista de faturação e angariação de clientes, designadamente, nas áreas de corporate e M&A, direito imobiliário, direito fiscal, direito público, contencioso civil/comercial e direito laboral. As áreas de compliance (AML e CTF), data privacy, propriedade intelectual e ética empresarial denotam, de igual modo, um crescimento acentuado.

Em plena segunda vaga, há que pensar em gestão de negócio e gestão de pessoas: retenção e atração de talento (diferenciador) estão no top of mind das empresas. Neste último caso - e face ao contexto que se vive - a questão que se coloca é: vão ser as empresas capazes de atrair high performers neste momento de maior incerteza e instabilidade económica generalizada?

 

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matilde macedo
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matilde sousa de macedo

hr consultant, tax & legal, finance, randstad portugal