julho e agosto a 360

Acabou a silly season, que de silly teve pouco.

Lá de fora chegam sinais de instabilidade. 

O Bundesbank corta a previsão de crescimento da Alemanha levando a que alguns analistas antevejam uma nova crise na Europa. Em Portugal, apesar de já se sentirem alguns sinais de abrandamento da economia, parece reinar o optimismo. De facto, 94% dos empregadores nacionais perspectivam um aumento do número de quadros até ao final deste ano.

Este Verão, outros países estiveram também em destaque, ou melhor, outros líderes. Trump, Bolsonaro, Boris e Salvini, quatro líderes que ocuparam as capas dos jornais em todo o mundo. Não vou discutir as decisões políticas ou as atitudes mais ou menos consensuais, mas numa altura em que Portugal vai a votos é fundamental perceber a importância da individualidade na escolha de um líder, quais as competências sociais necessárias para garantir o desenvolvimento do nosso país. 

No fundo, temos de fazer o mesmo que fazemos nas empresas. Reconhecer que uma pessoa nunca é apenas mais uma e que embora seja integrada numa equipa, a sua atitude e o seu talento vão sempre ter impacto no sucesso ou insucesso da organização. 

(ver DN e Expresso)

E se falamos de eleições, agosto já foi de pré campanha.

Numa altura em que os números do desemprego mantêm a maré positiva, o foco de todos os discursos está nos salários e não poderia ser de outra forma.

A polarização dos salários em Portugal é já uma realidade e apesar dos constantes aumentos do salário mínimo, o salário médio não tem tido grandes subidas.  
Da mesma forma as assimetrias salariais continuam a ser uma realidade. Um trabalhador por conta de outrem em Lisboa ganha mais 25% do que a média nacional e mais 334 euros que no distrito do Porto. 

Em sentido inverso, um trabalhador em Bragança ganha menos 22% que a média nacional. O que convenhamos não é compatível com uma estratégia de atração de talento para o interior do país.

De igual modo, as mulheres continuam a ganhar menos 18% do que os homens, um fosso que tem vindo a diminuir mas que ainda está longe de cumprir a lei que garante a não discriminação.
Não sou defensor que a solução está em legislar mais, mas defendo que nesta discussão de salários há um princípio fundamental que tem de ser cumprido, o princípio da transparência. 

Transparência que nos permita comparar a mesma ordem de grandeza, e que os complementos salariais sejam isso mesmo e não meros esquemas para, no curto prazo, aumentar o vencimento líquido e pagar menos impostos. Esta tem de ser uma bandeira não apenas de pré-campanha eleitoral mas um compromisso nacional. Porque independentemente da “proposta de valor” das empresas não se dever centrar nos salários, estes são sempre considerados para se aceitar um emprego. E só com transparência e uma estratégia focada no salário médio e não só no mínimo é que podemos ser competitivos na guerra pelo talento.

(ver eco, idealista, jornal económico, eco e eco).