Cresci a ouvir os meus pais, os mais antigos - os sábios - de que “tens que encontrar um emprego para a vida, algo estável, que te permita conforto financeiro”. Hoje, cresço no mundo profissional a ouvir (e a sentir) “não existem empregos para a vida”.

A ideia do emprego estável, rotineiro, da zona de conforto, há muito que tem sido desafiada pelos projectos, pela experimentação, pela curiosidade de algo novo, desafiante e estimulante. Cada vez mais, consideramos o conceito que as pessoas, bem como as empresas têm prazo de validade. É importante definir expectativas e, quando estas estão alinhadas, pessoas e organizações convivem no mesmo espaço, crescendo e coabitando para um mesmo objectivo. O mundo está acelerado, em constante mudança, e este mesmo mundo onde vivemos, somos nós. Não é o mundo que muda, que se transforma. Somos nós, enquanto seres de uma sociedade, enquanto colaboradores, sempre com o carácter individual e a motivação inerente.

Nesta era de várias mutações, as empresas estão, cada vez mais, centradas na retenção de talento. Como satisfazer as necessidades da organização, correspondendo à motivação e interesse dos seus colaboradores? Antes de qualquer tomada de decisão, será importante ouvir as pessoas. Perceber os seus receios, anseios e o que as move, aquilo que acreditam e gostariam de fazer. Não faz sentido promover determinadas competências num colaborador, se a sua motivação estará em desenvolver temas completamente distintos. A motivação é claramente o motor para se entregar determinada tarefa. A mobilidade interna, como forma de retenção, tem sido aplicada em diferentes contextos, sendo aquilo que mais as pessoas procuram. Procuram algo que lhes faça sentido, que tenha um propósito e que transmita o sentimento de que estão a evoluir, naquele momento.

E aqui a expressão do momento, é crítica na tomada de decisão. Se no passado, temas como a estabilidade financeira, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional ou a boa reputação da empresa, estavam no topo da lista, para uma mudança de carreira, hoje, o conteúdo de trabalho interessante é valorizado, de forma acentuada, aquando da aceitação de uma proposta de emprego.

O conceito de evolução profissional tem formas de aplicação distintas, daquele que ouvia dos meus antigos de infância. Hoje, o sentimento de aquisição de conhecimento, conhecer a responsabilidade das equipas que trabalham ao lado, permitindo uma visão global, são o mote dos profissionais na escolha de um projecto. Hoje, os “projectos” substituem o “trabalho” e o “desafio” a “rotina”.  O espaço da experimentação e do erro, sim o erro, fazem parte do dia-a-dia. Este conceito, muitas vezes ambíguo que se apresenta como possível, mas ao mesmo tempo, que a entrega do resultado tem que ser visível. As empresas têm que encarar o erro, como a aprendizagem, o caminho e o processo para encontrar a solução. 

A ideia de estabilidade transformou-se, estando nós a mudar este mundo numa direcção de estímulo constante, nas tarefas que desempenhamos. As empresas têm que acompanhar o ritmo da mudança, promovendo alternativas, sejam horizontais, verticais, projectos, aquisição de novos conhecimentos ou formação. Se não existem empregos para a vida, e as empresas querem prevalecer no interesse das pessoas, é necessário analisar internamente, que áreas e equipas, poderão acompanhar as expectativas das suas pessoas.

Mais uma vez, penso que o fundamental está na comunicação, em ouvir as pessoas, permitindo a existência de uma espaço confortável para conversar, explorando em conjunto as opções e mudanças, que possam corresponder às necessidades de cada um. A estabilidade do emprego para a vida, está na evolução da descoberta de novas funções.

 

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Isabel Relvas Ferreira
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