«um bom curriculum vitae não chega.»

A celebrar 40 anos de existência, o ISAG- European Business School assume como objectivo não só formar profissionais altamente qualificados a nível técnico, mas também, e sobretudo, inspiradores e completos a nível pessoal.

 

Elvira Vieira, directora geral do ISAG (Instituto Superior de Administração e Gestão), acredita que se têm afirmado pelo modelo “in school business”, que alia a formação académica à competência empresarial, e também pela antecipação de tendências. E é por isso que, para além das competências técnicas, têm apostado no desenvolvimento de competências sociais e pessoais, disponibilizando, por exemplo, sessões de yoga do riso e mindfulness, e acções de responsabilidade social, culturais e desportivas. Porque para se ser um bom gestor, um bom curriculum vitae não chega.

 

O ISAG celebra este ano 40 anos de existência. Quais têm sido os vossos principais desafios?

Ao longo destes 40 anos, temos procurado acompanhar a evolução do mercado de trabalho e antecipar algumas tendências. Fruto da análise do mercado nacional e internacional, percebemos que os recrutadores estavam à procura de um novo perfil de gestor. Perante este desafio – de responder às cada vez mais exigentes necessidades do mercado – temos procurado dotar e capacitar os nossos alunos de ferramentas que lhes permitam responder com eficácia às novas dinâmicas empresariais. Este é o nosso maior desafio: continuar a encontrar estratégias que permitam que os nossos alunos tenham elevados padrões, quer a nível técnico – e por isso apostamos num corpo de docentes muito qualificado –, quer a nível pessoal – com o desenvolvimento de um programa que trabalha as competências sociais e pessoais.

 

Como se têm mantido atualizados, de forma a dar resposta a essas necessidades do mercado?

O ISAG afirma-se pelo modelo “in school business”, que alia a formação académica à competência empresarial, utilizando estudos de caso de empresas, negócios e ideias, seminários e workshops, e incentivando ao brainstorming em ambiente de sala de aula. Por outro lado, os planos de estudos dos nossos cursos estão actualizados e alinhados com as novas tendências, capazes de responder aos novos desafios do mercado e antecipar soluções.

Em paralelo, desenvolvemos também vários programas de actividades complementares, em contexto fora da sala de aula, desafiando os nossos alunos, docentes e colaboradores não docentes a manter-se despertos e actualizados às várias valências que o mercado procura.

 

Como é que as necessidades do mercado têm evoluído?

Esta evolução é transversal aos negócios, aos métodos de gestão, às estratégias de comunicação. Para além da actualização dos planos de estudos dos nossos cursos, têm sido desenhadas formações complementares, nomeadamente, programas executivos, adequadas às necessidades de mercado.

Um dos exemplos é na área do Turismo, na qual o ISAG foi pioneiro e que actualmente é um dos principais sectores estratégicos para a economia nacional e internacional. Os planos de estudo contemplam estágios curriculares, nacionais e internacionais, práticos e integradores dos alunos na esfera profissional. Além disso, criamos uma Escola-Hotel, localizada no próprio campus, com o objectivo de fomentar a componente prática dos cursos através de aulas laboratoriais, bem como proporcionar aos nossos alunos uma opção de alojamento de qualidade.

 

O que é que os empregadores procuram hoje em dia nos seus gestores?

Para além da qualidade formativa e das aprendizagens técnicas, os empregadores procuram gestores emocionalmente inteligentes e que demonstrem ter competências pessoais e sociais; profissionais capazes de, em situações de picos de stress e ansiedade, lidar com o problema procurando uma solução rápida, eficaz e sustentável colocando em prática uma série de ferramentas – chamadas de soft skills –, que lhes proporcionam uma melhor gestão pessoal e de equipa.

 

Em termos de competências, nomeadamente na área de Gestão, que mudanças principais identifica?

Cada vez mais um bom curriculum vitae não chega. Numa entrevista de emprego, são cada vez mais avaliadas e valorizadas as competências emocionais, a postura e a capacidade de resposta a situações difíceis. Um líder tem que ser inovador, proactivo, saber lidar com pessoas, ser empático e colocar-se no papel do outro. As pressões do dia-a-dia são muitas e há que saber lidar com elas, não apenas no sentido operacional, mas sobretudo na gestão do stress em si próprio e no contacto com a sua equipa.

 

Como estão a preparar os gestores do futuro?

Inspirados pelo trabalho desenvolvido por algumas das maiores escolas de negócio do mundo, desenvolvemos um programa de desenvolvimento de competências sociais e pessoais. Disponibilizamos, todos os meses, sessões gratuitas de Yoga do Riso e Mindfullness, que se juntam diversas acções de responsabilidade social nomeadamente actividades desportivas – corridas e caminhadas –, acessíveis a toda a comunidade académica. Neste programa, para além de promover o bem-estar físico, trabalhamos as chamadas soft skills, como criatividade, sensibilidade, empatia, perseverança, foco nos objetivos e liderança que acreditamos serem indispensáveis aos líderes empresariais.

 

O que mudou na forma de ensinar gestão e o que explica esta vossa aposta na área de desenvolvimento de soft skills?

A formação que disponibilizamos resulta de necessidades identificadas no mercado e têm em conta as mudanças que têm ocorrido, fruto das dinâmicas dos diferentes sectores de atividade. Se os recrutadores procuram um perfil de profissional mais empático, sensível e, em simultâneo, um líder criativo, então temos de proporcionar aos nossos alunos as ferramentas necessárias para superar estas exigências.

 

No futuro, o lado comportamental passará a ser tão ou mais valorizado que a técnica?

Acreditamos que sim. As soft skills têm ganho um importante peso no mercado e, por isso mesmo, já há muito tempo que as trabalhamos juntos dos alunos, com o objectivo de formar profissionais, não apenas altamente qualificados a nível técnico, mas também inspiradores e completos a nível pessoal.

 

As soft skills passaram a requisitos do mercado. Estamos perante uma mudança de mentalidades? Como é que fazem a diferença num candidato?

Este é ainda um longo caminho a ser percorrido, não só a nível nacional como também internacional. Mas a procura por gestores com este tipo de perfil que temos vindo a identificar e trabalhar é cada vez maior, por isso acreditamos que as soft skills são já um grande elemento a ter em conta aquando da contratação de um novo colaborador. Trabalhando este perfil, conseguimos partilhar com os nossos alunos ferramentas que lhes permitem ser melhores colaboradores.

 

Como é que os gestores têm reagido à introdução de sessões de risoterapia e mindfulness, para usar os exemplos que deu?

Os actuais e antigos estudantes, colaboradores docentes e não docentes, têm aceite este tipo de iniciativas muito melhor do que esperávamos. A consciência de que o desenvolvimento de competências sociais e pessoais é cada vez mais importante e decisivo, é partilhada por toda a comunidade académica e, por isso mesmo, o número de participantes neste tipo de sessões tem vindo a aumentar.

 

Vão também acrescentar um plano de actividades ligadas à cultura. Com que objectivo?

A nossa responsabilidade vai para além da sala de aula. Nos últimos anos, fizemos algumas parcerias com players importantes da cidade do Porto, com os quais procuramos desenvolver várias acções de responsabilidade social, como referido anteriormente, ao nível do bem-estar físico. O mesmo acontece com a cultura: no ano de celebração do nosso 40.º aniversário, sentimos que era a altura de aproximar a comunidade académica da cidade e da cultura, promovendo o acesso a sessões de teatro, concertos e espectáculos. São estas iniciativas, munidas de uma grande responsabilidade social, que nos permitem mostrar à comunidade que os profissionais precisam de estar mais conectados com as actividades que o rodeiam.

 

Em que medida é que as formações e actividades já introduzidas pelo ISAG podem melhorar a competitividade das empresas nacionais?

Ao formarmos futuros profissionais mais capazes e emocionalmente despertos para outras realidades, temos a consciência de que estamos a contribuir para empresas mais eficientes e eficazes, e com estratégias que envolvem, não só a componente técnica, como também o lado humano. Este é um factor bastante competitivo, porque entre um profissional que sabe gerir as suas emoções e lidar com situações de crise e outro que, embora seja igual tecnicamente, não interliga com um perfil mais humano e com as competências pessoais, as empresas optam pelo que é completo de forma transversal. Talvez por isso tenhamos uma das mais elevadas taxas de empregabilidade do mercado – na ordem dos 95% –, nas áreas em que actuamos.

 

Em termos práticos, o que mostram os resultados?

A avaliação revela melhores resultados nas avaliações, maior concentração na sala de aula e maior colaboração entre os alunos. Perante estas notáveis melhorias no desenvolvimento dos alunos, acreditamos que é possível transpor estes resultados para o mercado de trabalho.

 

Quais diria que são os pontos mais críticos ao nível da formação dos gestores portugueses? Ou seja, que aspectos é preciso “trabalhar mais”?

Tal como temos vindo a identificar, há ainda grandes lacunas relativamente à forma como os profissionais lidam com situações de grande intensidade, e como as solucionam. É este tipo de dinâmicas que temos vindo a trabalhar, para que seja mais fácil, e eficaz, um gestor dar resposta a este tipo de problemas.

 

Na sua opinião, quais serão as características de um gestor de futuro, bem-sucedido?

Emocionalmente inteligente, empático, dinâmico, pró-activo, inovador e disponível para novas soluções: é neste perfil que acredito que se rege o gestor de futuro.  Claro que não podemos descurar a qualidade técnica e, por isso, apostamos sempre nos melhores profissionais para formarem os nossos alunos.

 

Ainda estamos longe desse perfil ser mais regra do que exceção?

No ISAG esta é a regra há já 40 anos e só assim conseguiremos enfrentar os desafios de um mercado em permanente evolução, tecnologicamente evoluído e onde o papel do Homem e o perfil de competências será um factor decisivo de competitividade e sucesso.