"o actual conceito de liderança está esgotado"

Defendendo que a(s) liderança(s) terão de dar resposta aos desafios que se traduzem na gestão e crescimento do negócio, bem como na gestão das expectativas dos colaboradores, Paulo Gonçalves acredita que é preciso dar maior importância ao salário emocional.

 

Quais têm sido os principais desafios de negócio da Quinta do Lago e como lhes estão a dar resposta?

Os principais desafios estão relacionados com a garantia e entrega de um serviço ao nível da excelência e qualidade de serviço ao cliente. Bem como a identificação e desenvolvimento de talento que garanta esse nível de qualidade e a satisfação dos nossos clientes.

 

E que objectivos pretendem alcançar?

Precisamente a satisfação do cliente e a excelência do serviço, com base numa aposta nas nossas pessoas e na sua formação profissional contínua. A área de Recursos Humanos constitui um dos pilares do Grupo Quinta do Lago.

 

Como é que se traduz na prática esse papel estratégico de Gestão de Pessoas?

A Gestão de Pessoas é crucial para o desenvolvimento do negócio, essencialmente porque estamos a falar de um sector de actividade que tem na sua génese as pessoas.

Os recursos humanos são, cada vez mais, o principal capital da empresa. Não há investimento que sobreviva, ou tecnologia que faça milagres, se os colaboradores da empresa não forem os mais adequados ao objectivo final pretendido. Saber como geri-los é fundamental.

Uma organização que saiba gerir os seus recursos humanos possuirá, a médio prazo, uma importante vantagem competitiva face ao mercado. E a estratégia dos Recursos Humanos terá de ser sempre delineada tendo em conta as linhas orientadoras do negócio.

 

Quais os desafios mais prementes, neste âmbito?

A busca e a identificação de talento é um grande desafio. E, o tipo de demografia que o Algarve apresenta, bem como por ser uma actividade tradicionalmente sazonal, faz com que o desafio seja constante. Procuramos recrutar e reter os melhores talentos através de uma estratégia que incentive a mobilidade interna e externa, integrando os valores Quinta do Lago, num modelo de gestão de desempenho que permita medir a vivência dos mesmos no dia-a-dia, introduzindo a abordagem do “O quê” e do “Como”. É do interesse da empresa motivar e apoiar todos os colaboradores, com especial enfoque nos elementos com elevado potencial.

Assim, o Grupo Quinta do Lago tem vindo a adoptar políticas que levam a uma redução do turnover – como a aposta na formação e desenvolvimento de carreira e nos benefícios – e procuramos também assegurar uma constante presença no mercado de trabalho, participando em eventos de recrutamento como feiras de emprego em escolas e universidades.

Por outro lado, promovemos a cultura Quinta do Lago – através da participação activa dos colaboradores na vida da empresa –, o trabalho em equipa, o rigor e a criatividade. Acreditamos que para conseguir o compromisso de cada um dos colaboradores com o projecto da empresa e nesse sentido, torna-se fundamental criar mecanismos que promovam o engagement, ou seja, o seu envolvimento com a empresa

 

Em concreto, quais têm sido as vossas principais apostas em termos de Gestão de Pessoas?

Nos últimos cinco anos, a estratégia do Grupo tem sido uma aposta constante no desenvolvimento de competências técnicas e humanas dos nossos colaboradores.

Pretendemos desenvolver o capital humano de forma sistemática, através de uma estratégia de gestão de desempenho e de formação contínua, incentivando o envolvimento dos vários níveis hierárquicos, desde a administração aos responsáveis de departamento e restantes colaboradores, no processo formativo e, mais um vez, integrando os valores do Grupo Quinta do Lago, nos itinerários formativos, assim como nos processos de desenvolvimento de carreira, de maneira a promover comportamentos e atitudes adequadas e congruentes com a empresa.

Também prioritário é reconhecer e recompensar os comportamentos e desempenhos esperados, através de uma política equitativa de salários e benefícios, criando igualmente uma cultura de reconhecimento informal que seja a alavanca da motivação dos colaboradores para um desempenho de sucesso, e promovendo a participação activa de todos para a obtenção dos melhores resultados da empresa.

 

É integrado nessa aposta no desenvolvimento do capital humano que surge o programa Better Leaders? Que necessidades levaram à sua criação?

O programa Better Leaders é um excelente exemplo da estratégia adoptada pelo Grupo Quinta do Lago em parceria com a direcção de Recursos Humanos. Acreditamos que são as pessoas que fazem mover as organizações, e não o contrário. Queremos continuar a inovar para que todos os novos projectos sejam levados à prática e implementados de modo a que, cada vez mais, seja possível garantir o sucesso do Grupo Quinta do Lago e a realização profissional dos seus colaboradores.

 

Mas em que consiste exactamente esse programa?

Divide-se em três níveis: Programa de Desenvolvimento Pessoal – Top Management; Programa de Mentoring/Coaching – Middle Management; e Better Leaders – Programa dos Futuros Líderes da empresa.

 

E que objectivos pretendem alcançar?

Os objectivos são diferentes dependendo do programa, mas têm um ponto em comum: o desenvolvimento de competências e capacidade de liderança, sociais e relacionais; que permitam uma liderança e acompanhamento das suas equipas, baseada numa comunicação próxima e assertiva.

Todos nós que desempenhamos o papel de chefia dentro da organização temos a responsabilidade de gerir as nossas equipas, devendo orientá-las e motivá-las no desempenho das suas funções. Acabamos, todos, por assumir e desempenhar o papel de gestor de Recursos Humanos no Grupo Quinta do Lago.

 

Acredita que precisamos de um novo conceito de liderança? Que se baseia em quê?

Na minha opinião, o actual conceito de liderança está esgotado. O conceito, ou conceitos, de liderança, terão de dar resposta aos desafios que se traduzem na gestão e crescimento do negócio, bem como na gestão das expectativas dos colaboradores.

Devemos cada vez mais dar importância ao salário emocional, aquilo que realmente faz diferença na vida do colaborador. E devemos ser flexíveis, no entanto sempre alinhados com os valores da organização.

 

Que competências considera fundamentais hoje em dia para se ser bem-sucedido?

Tal como referi agora, a capacidade de flexibilidade e a forma como nos adaptamos aos diferentes cenários ou desafios é fundamental. O que nos leva à capacidade de sermos cada vez mais resilientes para enfrentarmos os desafios diários.

 

Têm tido dificuldade em encontrar essas competências no mercado?

Não necessariamente. Temos identificado pessoas em fases da sua vida muito diferentes, com competências muito interessantes. Nas novas gerações encontramos características e competências fantásticas, mas também muito desafiantes.

 

 

 

 

Diria que o vosso sector é atractivo para trabalhar?

Extremamente atractivo.

 

Porquê?

Porque é um sector que continua em forte crescimento, oferecendo inúmeras oportunidades de carreira. Destaco ainda a génese deste sector: é um negócio sustentado no serviço, logo, de pessoas para pessoas. Não é um cliché, mas uma constatação.

Podemos também falar do desenvolvimento tecnológico neste sector de actividade, mas, por mais desenvolvimento que surja, o que distingue a Quinta do Lago de outros resorts são as pessoas, ou seja, o serviço que as nossas pessoas prestam.

 

O que acredita que hoje em dia é mais valorizado pelos jovens talentos?

Claramente o que a empresa tem para oferecer no que toca ao seu crescimento pessoal e profissional. Não basta apresentar uma posição e um package atractivo. Para os jovens talentos, a empresa tem de estar preparada para responder às suas expectativas e objectivos.

 

Que desafios e tendências perspectiva, não só para o sector onde actuam, mas para a Gestão de Pessoas, em particular?

Os desafios são constantes, mas destaco a constante dificuldade no recrutamento, que se tem vindo a agravar e será cada vez mais desafiante, até pelo envelhecimento da população no continente Europeu. Destaco ainda a incerteza que se vive diariamente, dificultando muitas vezes a forma como as pessoas planeiam a sua carreira.