fevereiro a 360

fevereiro

os principais temas da atualidade por José Miguel Leonardo, CEO da Randstad Portugal

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Fevereiro foi um mês de boas e más notícias, que não nos devem deixar cair num triste fado, mas que exigem contenção no optimismo.

Se 2018 foi histórico na descida da taxa de desemprego, tendo terminado o trimestre abaixo dos 7%, a verdade é que uma análise mais detalhada dos dados oficiais mostra que o fenómeno do desemprego está a alastrar outra vez entre licenciados, mas nos segmentos etários mais elevados. Dos 35 aos 44 anos atinge mesmo um valor histórico negativo, em que precisamos de recuar a 2013 para encontrar uma subida maior do que esta.

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Da mesma forma os números dos salários que demonstram bem que a criação de emprego não implicou uma subida salarial, especialmente quando olhamos para o sector que mais cresceu, o turismo. Os valores são pouco mais do que o salário mínimo de acordo com o INE, mas como quase sempre quando se fala de salários o setor não apresenta outros valores.

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Diferenças que não são novidade, é preciso ser rigoroso na definição de conceitos, falamos do custo da empresa com o salário? ou do salário bruto que está no recibo do trabalhador ou ainda do salário líquido que este leva para casa?

As imprecisões já são tradição no que toca a contratos e uma vez mais a palavra precariedade serve para tudo e temporário é utilizado nos contratos a termo. No estudo da OIT lá estamos nós à frente de Espanha e de outros, mas é preciso explicar.

O trabalho temporário contrato tem uma taxa de penetração de menos de 2% em Portugal e a tendência que temos assistido é dos contratos a prazo, ou seja com termo, de duração definida.

Mas mais do que vínculos o que nos deve preocupar é a falta de qualidade do trabalho que não está a garantir uma vida digna aos trabalhadores, em muito devido aos salários mas também em relação à própria função. Relatórios que devem levar a medidas não de crucificação de tipos contratuais mas de valorização de funções. 

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Não saindo dos relatórios, as mulheres foram titulo de muitas notícias este mês e com números preocupantes, numa sociedade que se quer civilizada e justa.

Violência doméstica em níveis inaceitáveis e a bater recordes. Ao mesmo tempo que as assimetrias no trabalho e na vida familiar foram expostas. Saiu mais uma lei, não de quotas, mas de paridade salarial, esperemos que seja levada à letra e que rapidamente se torne obsoleta, demonstrando a evolução da nossa espécie e a inexistência de ter uma lei escrita para que haja esta igualdade.

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E a luta continua.

Continua do lado dos enfermeiros, com guerras e greves sucessivas, até de fome, em que a razão parece estar longe de qualquer uma das partes e cada vez se discute menos o conteúdo e mais a forma. E a saúde do nosso sistema social também parece estar a ser questionada, agora pelos privados numa guerra à ADSE, que está longe de estar encerrada.

E se olharmos para as guerras, vamos ao sector bancário, onde enquanto se discutia o passado e se procurava a verdade questionando o comportamento das liderança, as fintech mostravam o seu valor e a aceitação dos Portugueses.

Revolut cada vez mais como uma opção e que até já escolheu Portugal para gerar emprego.

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Da mesma forma o Paypal parece aproveitar a polémica taxa do MBWay como opção para as transferências acabando com qualquer custo.

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Num olhar 360 por este mês mais curto o destaque positivo vai sem dúvida para a importância do associativismo e das estratégias concertadas. Luís Onofre sobe à presidência da Confederação Europeia de Indústrias de Calçado e é um exemplo de trabalho de equipa, ao colocarem Portugal como o 4º maior exportador de calçado para a China.

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É de pessoas com pessoas, de líderes e de empresas que se fortalece o mercado e precisamos dessa coragem. A redução das importações e exportações no final do ano passado, os possíveis impactos para o turismo do Brexit e o fortalecimento dos mercados do Norte de África, assim como a bolha imobiliária são já sinais de contenção.

O aumento do endividamento das famílias portuguesas é outro sinal de alerta que nos deve levar não a investir menos, mas sim a gastar menos, a gerir melhor as nossas decisões, para que outros tempos não voltem a ganhar destaque.