Consciente de que a estabilidade financeira continua a ser muito importante, a dreamMedia acredita que o que “dá” para além do “recibo” é extremamente relevante e decisivo, quer na atracção, quer na retenção de talentos.

Entrevista a Carla Silva, directora Recursos Humanos do Grupo dreamMedia

 

Com quantos colaboradores conta a dreamMedia, distribuídos por que funções principais? 


A nossa equipa conta com 93 colaboradores, distribuídos quase num racio 50/50: metade faz parte da equipa operacional e de produção e a outra metade de serviços organizativos, de backoffice e gestão. Somos uma empresa muito heterogénea no que toca a recursos humanos, uma vez que detemos toda a cadeia de valor. Temos desde serralheiros, electricistas, montadores e pintores a arquitectos, designers, controller financeiros e accounts. 

Quais eram os principais desafios na gestão dessas pessoas pré-pandemia e como é que eles evoluíram? 
Um dos principais desafios passa mesmo por esta heterogeneidade que referi. Com funções e necessidades tão distintas, não há uma regra ou modus operandi geral, que seja transversal a toda a empresa. Óbvio que temos pilares basilares que são comuns a todos, mas as necessidades diárias são imprevisíveis. 
A pandemia veio acelerar a necessidade de digitalizar a empresa e todos os seus processos, tornando-nos próximos, mesmo que à distância. Sempre fomos uma empresa muito coesa e onde há uma grande união, e quisemos que o choque e efeitos negativos fossem atenuados, tanto o quanto possível. 

Quais as principais dificuldades que sentiram e como lhes deram resposta?


É muito complicado, quando atravessamos uma situação tão extrema quanto esta, manter o equilíbrio e bem-estar das pessoas. Por um lado, temos colaboradores que não podem parar, que têm de continuar a prestar os seus serviços presencialmente, porque as campanhas continuam a ter de ser colocadas na rua. E, por outro, colaboradores que ficam a prestar trabalho à distância, sendo funcionários/pais/mães/professores/cozinheiros a tempo inteiro. Foi necessária atenção redobrada para as red flags que iam surgindo, para que se mantivesse a segurança e saúde de todos. 

Qual a importância que a gestão de pessoas assume na gestão do negócio? Este papel saiu reforçado com a pandemia? 


A empresa são as pessoas. São elas que suportam, elevam e conduzem as empresas. Temos desenvolvido um trabalho muito próximo de todos, muitas vezes com alterações simples – talvez porque nos pequenos detalhes esteja mesmo a diferença. Assim, a gestão das pessoas é vital para a gestão do negócio, já que uma está dependente da outra. E esta pandemia coloca à prova qualquer empresa! O sermos próximos funciona em sentidos opostos, quase: mesmo estando à distância, conseguimos saber a importância e o papel que cada um tem, mas há uma grande pressão psicológica que vem do afastamento físico. Porque, quer queiramos, quer não, o ambiente laboral não consegue ser replicado em reuniões via Teams.  

Quais os pilares da vossa estratégia de Recursos Humanos?


Proximidade, integridade, dinâmica e humanização. A família dreamMedia é conhecida pela sua resiliência, que vem da paixão que todos colocamos naquilo que fazemos. E estas duas características só são possíveis porque temos muitos pontos em comum. Apesar de termos formações, origens e funções muito distintas, regemo-nos por valores muito próximos.  

Que acções são prioritárias actualmente?


Garantir o bem-estar, físico, emocional e psicológico, de cada colaborador, individualmente e dentro das equipas em que se inserem, vem no topo da lista. Depois, garantir um ambiente de trabalho seguro dentro da dreamMedia, com todos os dispositivos e medidas de segurança necessários.

Foram recentemente distinguidos pelo Great Place to Work como uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal. Que boas práticas acredita que justificam essa distinção?


Essa seria uma pergunta boa para se fazer directamente aos nossos colaboradores, já que a avaliação da GPTW tem por base inquéritos realizados aos próprios. 
Mas, a título de exemplo, promovemos a valorização do trabalhador nas nossas redes sociais, com posts dedicados às suas funções e/ou desempenho. No ano de 2020, montámos também uma campanha de outdoors a nível nacional onde o objectivo principal foi agradecer à “Família dreamMedia” por não terem parado, por terem continuado a acreditar. Essa campanha foi também o mote para o nosso vídeo oficial de Natal, partilhado em todos os nossos canais online e com a imprensa.
É muito gratificante, enquanto directora de Recursos Humanos do Grupo dreamMedia, perceber que a estratégia e cuidado que temos tido, em reconhecer cada vez mais o tecido humano, tem dado frutos. E, numa área tão feroz e sob contante pressão como é a da publicidade, num ano em que o sector foi tão abalado, percebermos que, mesmo assim, continua a ser motivo de orgulho ser um #dreamer. 

Para além dessas práticas concretas, o que verdadeiramente vos distingue e marca o ADN da empresa? 


Um dos pilares dos nossos valores é “Dinamismo e Resiliência: fazem parte do nosso ADN”. Somos naturalmente inconformados, numa busca incessante de fazer cada vez mais e melhor. E depois, somos resilientes (e pacientes) a ponto de perceber que o caminho se faz caminhando, sabendo que por vezes não basta insistir e persistir, temos de resistir se queremos ter sucesso. 
Somos inspirados por um CEO extremamente empreendedor e inovador, uma pessoa apaixonante e que nos leva a sair da nossa zona de conforto. Não é à toa que o mote dos Recursos Humanos da dreamMedia seja “Paixão pelo que somos e pelo que fazemos”. Algo que vem de dentro e se reflete depois no serviço que prestamos ao mercado, 

Como se mantém a cultura organizacional à distância, principalmente junto de quem já integrou a empresa no actual contexto de teletrabalho?


Valorizamos muito o processo de acolhimento e integração na empresa. Tentamos que haja uma formação correta de cada um dos colaboradores e contacto imediato – mesmo que via web – com colaboradores de vários departamentos, com os quais vais interagir e trabalhar de forma mais próxima. E, mais do que passar manuais de normas, passamos “o que é fazer parte da dreamMedia”. Por isso mesmo, expandimos a nossa área de RH. Pretendemos que os colaboradores sejam cada vez mais ouvidos, formados e valorizados. Acreditamos que a cultura não é algo que se impõe, é algo intrínseco e que se sente e respira, quando se passa nos nossos corredores, mesmo que virtualmente. 

E o espírito de equipa, é possível manter com os colaboradores em trabalho remoto?


Mantemos a proximidade tanto quanto possível. No dia dos namorados, continuamos a escrever cartas de amor e a enviá-las por correio, no dia da Mulher, presenteamos as nossas colaboradoras com um vídeo de reconhecimento feito pelo sector masculino da empresa, no dia do Pai, “certificamos” todos com a distinção de Melhor Pai do Ano. Querer é poder! Se quisermos continuar próximos, conseguimos. Felizmente, há cada vez mais ferramentas que nos permitem continuar presentes, mesmo à distância. E com criatividade e boa vontade, tudo se consegue.

O que acredita que os profissionais - os vossos mas também os jovens talentos - mais valorizam actualmente?


O reconhecimento e a valorização, a estabilidade e a possibilidade de crescimento pessoal e profissional. Vivemos numa altura complicada, de grande incerteza e onde o desemprego está a aumentar em flecha. Conseguir garantir não só estabilidade, mas também permitir ainda que seja projectada uma possibilidade de crescimento dentro da organização, gera motivação e, com ela, uma maior produtividade e sentimento de pertença.

O salário emocional está definitivamente a ganhar terreno ao salário efectivo, ou seja, monetário?


Não digo que pesem o mesmo na balança, porque a estabilidade financeira continua a ser muito importante. É bom perceber que o salário ou valor monetário pago nunca deve ser um assunto e deve ser algo que é confortável e aceite por ambas as partes – colaborador e empregador. Mas é um facto que tudo o que a empresa “dá” para além do recibo é extremamente relevante e um factor decisivo, quer seja para aceitar uma proposta para integrar a nossa equipa, quer seja para a retenção de talentos. Atentos a isso, temos implementado muitas medidas que levem à felicidade no trabalho. 

Nomeadamente? Ou seja, qual é o salário emocional que oferecem?


Temos protocolos e seguro de saúde que são extensíveis aos familiares – seguro de saúde, acordos com ópticas, clínicas de bem-estar, clínicas dentárias, entre outros –, protocolo com ginásio e escolas de dança, mimamos os colaboradores no seu dia de aniversário, com dedicatórias, bolo e folga no seu dia, temos ferramentas internas que promovem a relação entre todos, bilhetes para jogos de futebol em vários clubes da primeira liga, estabelecemos protocolos com festivais e grandes eventos para oferta de entradas nos mesmos, realizamos eventos para os colaboradores e as suas famílias, todos os meses temos pelo menos uma acção de comemoração de uma efeméride – como o dia dos namorados, dia do Pai, dia da Mãe, etc –, não descuramos as ofertas aos mais pequeninos no natal, temos áreas de lounge e descanso pensadas ao pormenor... Queremos que as pessoas se sintam verdadeiramente em casa e em família.

Quais os principais desafios que se perspectivam, para profissionais e empresas, sobretudo no sector em que actuam?


O primeiro grande desafio passa pela manutenção da união e cooperação das equipas. O teletrabalho levou à reorganização de todo o workflow e ao inevitável afastamento físico das pessoas. Numa empresa onde o espírito de familiaridade e união foi sempre tão vincado, este é um aspecto que nos desafia a vários níveis, até mesmo pessoal, porque não haver esta relação pode afectar psicologicamente.
Outro desafio passa por assegurarmos todas as condições de segurança e estabilidade que tanto referi. O sector da publicidade exterior sofreu muito com esta crise. Nós, graças à nossa robustez e ao dinamismo da nossa liderança, conseguimos manter-nos seguros. Passamos uma fase de muita incerteza e insegurança, onde ainda há grande receio no que o amanhã nos permitirá fazer. Temos de ser capazes de nos reinventar. E perceber que só assim conseguimos trilhar o nosso caminho. Se estivermos seguros do que somos e do que fazemos, seremos muito melhores profissionais e, consequentemente, muito mais capazes de transmitir uma boa imagem ao mercado, dando também a este a segurança que também precisa
 

Entrevista a
this is a woman
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Carla Silva

directora recursos humanos do grupo dreammedia