Num ano em que o sector da Saúde foi crucial, na resposta à pandemia com a qual vivemos desde início de 2020, como se comportou o mercado de trabalho neste âmbito? O Randstad Employer Brand Research de 2021 dá a resposta.

 

O estudo, que tem por base numa extensa pesquisa que contemplou 190 mil inquiridos, de 34 mercados e apresenta tendências a nível global e também por sector, mostra que os profissionais de saúde continuaram a trabalhar normalmente (61%), mais do que os adultos em idade ativa em todo o mundo (50%).

No entanto, um em cada três profissionais de saúde trabalhou mais horas ou reduziu o seu salário em 2020 devido à COVID-19. Em comparação com os profissionais a nível mundial, apenas 3% dos profissionais de saúde ficaram desempregados em consequência da pandemia (contra 9% a nível mundial).

Os profissionais de saúde têm uma sensação ligeiramente maior de segurança de emprego quando comparados com a força de trabalho global: 20% dos profissionais de saúde receiam a perda de emprego em 2021, em comparação com 26% entre a força de trabalho global. Aqueles que têm medo de perder o seu emprego têm três vezes mais probabilidade de procurar outro empregador do que aqueles que não temem a perda de emprego (30% vs. 11%).

A lealdade dos profissionais de saúde espelha a da força de trabalho global, uma vez que 67% afirmaram ser mais leais ao seu empregador, enquanto apenas 8% disseram ser menos leais.


o que é mais valorizado

O fator mais apelativo para os profissionais de saúde é:

  • a oferta de salários e benefícios (citado por 60%)
  • um bom equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (57%)
  • um bom ambiente de trabalho (56%)

Contudo, quando analisamos mais profundamente grupos específicos de cuidados de saúde, vemos que os profissionais associados de saúde classificam o bom ambiente de trabalho, um bom equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, e um salário e benefícios atrativos como os principais fatores relevantes (50%, respetivamente).

Além disso, os profissionais de cuidados pessoais consideram um bom ambiente de trabalho mais importante do que um salário e benefícios atrativos (60% vs. 58%) e especialmente quando comparados com os profissionais de saúde (66% revelaram que o salário e benefícios atrativos eram importantes para eles).

A saúde financeira e uma gestão forte são mais importantes para os trabalhadores dos cuidados pessoais (54% e 53%, respetivamente) em comparação com os profissionais de saúde (49% e 43%, respetivamente) ou para os profissionais associados (43% e 39%, respetivamente).

As ciências da vida (que consistem em farmácia, hospitais, investigação na área da saúde, criadores e fabricantes de dispositivos médicos) são o sector mais atrativo para os profissionais de saúde e o sector para o qual os profissionais de saúde sentem que as suas competências são mais adequadas. A agricultura segue-se como o próximo sector mais atrativo e a hospitalidade e os produtos de grande consumo são os dois sectores seguintes, nos quais os inquiridos dos cuidados de saúde sentem que podem trabalhar.

 

sair ou ficar?

Cerca de um em cada seis profissionais de saúde globais mudou de empregador no segundo semestre de 2020 (16%) e/ou planeou fazê-lo no primeiro semestre de 2021 (15%). Este é mais frequentemente o caso entre os que têm entre 18 e 24 anos (26% e 23%, respetivamente), e é ligeiramente diferente da mão-de-obra global que tinha menos probabilidades de ter mudado de empregador (12%), mas maior probabilidade de planear fazê-lo (20%).

Os profissionais de saúde mudaram de emprego com mais frequência na América do Norte; os da América Latina são mais propensos do que os de outras regiões a tencionarem mudar de empregador na primeira metade de 2021.

Os profissionais de saúde têm mais probabilidades de encontrar o seu próximo empregador em portais de emprego (30%), seguidos pelos recrutadores (26%). As mulheres nos cuidados de saúde e os que têm entre 18 e 24 anos recorrem mais frequentemente a portais de emprego (38% e 66%, respetivamente), enquanto os homens e os mais instruídos utilizam mais recrutadores (35%, respetivamente).