responsabilidade social e o desemprego

Como é que uma empresa que emprega mais de 27 mil pessoas vê o seu papel face ao desemprego?

A Randstad tem como missão moldar o mundo do trabalho e isso significa responder e influenciar o comportamento do mercado do trabalho encarando desafios como seja a escassez do emprego. Este compromisso é parte do nosso ADN e assume o seu expoente máximo na responsabilidade social, tendo sido um pilar estratégico de actuação em 2013 e é também um dos eixos deste ano. Além disso quando olhamos para o desemprego, mais do que números vemos pessoas, e nós somos acima de tudo uma empresa de pessoas, nós sabemos o seu real valor e por isso este tema é crítico na nossa organização a nível mundial

 

Como se enquadra o assunto desemprego na estratégia de responsabilidade social da Randstad?

Temos uma visão abrangente do desemprego, ou seja, não olhamos apenas para o impacto económico, mas também social e emocional de quem se encontra nesta situação. Temos desenvolvido acções com objectivos diferentes, porque sabemos que nem sempre é possível definir o emprego como objectivo final, é preciso ser realista e traçar como objectivo a empregabilidade. Esta é uma diferença real, ou seja, temos de ter acções concretas em que consigamos integrar pessoas, mas temos de perceber a conjuntura face à escassez de emprego e por isso mais do que sonhar em dar emprego a todas as pessoas, é preciso aumentar o nível de empregabilidade, quer seja através de acções de formação sobre as ferramentas para chegar ao emprego, ou mesmo através de formação financiada.

Quando assumimos a escassez do emprego como um desafio, temos de ter mais do que uma linha de actuação, caso contrário vamos fazer pouco e o nosso contributo ficará aquém do que é possível.

 

Na vossa perspectiva, que papel devem as empresas (privadas e públicas) desempenhar  nesta matéria?

As empresas podem e devem ter um papel além do gerar emprego, porque nós sabemos que aqui elas estão limitadas a muitos factores, não basta querer, porque é preciso garantir a sustentabilidade do negócio. Então o que é que podem fazer? Podem desenvolver parcerias e estratégias para dar a conhecer o que procuram no mercado, quais as suas necessidades de recursos. Podem também ajudar na formação de pessoas que procuram emprego ou que optam pela requalificação. É preciso que as empresas públicas e privadas olhem para as pessoas nestas duas perspectivas: emprego e empregabilidade. O diálogo é fundamental para que possamos encontrar alternativas para combater este flagelo.

 

Que iniciativas desenvolveu a Randstad neste âmbito e com que entidades? (Pode dar um exemplo ou vários.)

Em 2013 fizemos um projecto conjunto com a AMI que teve abrangência nacional. Desenvolvemos workshops sobre CV e carta de apresentação, procura activa de emprego e comportamento em entrevista. Estas acções foram ministradas por voluntários da Randstad com uma forte experiência de recrutamento. Os destinatários foram os beneficiários das Portas Amigas da AMI, pessoas referenciadas e que têm vindo a ser acompanhadas por esta instituição. Aqui encontrámos desempregados de longa duração que enfrentam a falta de respostas e de oportunidades. Nestas sessões demos a cara pelo silêncio e acima de tudo quisemos que conhecessem também a realidade das empresas de recrutamento e a forma de actuar. Tentámos em todas as sessões passar a prática, dar a conhecer a importância das ferramentas e sem iludir, quisemos também que não perdessem a força de serem pessoas à procura de trabalho e não desempregados.

O feedback deste projecto foi muito positivo, não apenas para os beneficiários da AMI, mas também para os nossos colaboradores, que deram a sua experiência e que se deram a eles a pessoas habituadas a não ser consideradas.

 

E este ano quais são as vossas principais acções relacionadas com o desemprego?

Este é ano europeu da conciliação da vida pessoal e profissional e por isso temos acções voltadas mais para dentro, olhando mais para os nossos colaboradores. Sentimos que numa realidade de mais de 27 mil pessoas temos trabalho a fazer e por isso este é um dos nossos eixos de actuação. Ainda nesta área também estamos a desenvolver algumas parcerias com empresas e organizações do terceiro sector tendo em vista por um lado a formação e por outro a integração profissional de desempregados. Por fim, mantemos a nossa ligação a iniciativas e projectos que nos pedem ajuda pontual para acções sobre recrutamento, CVs e entrevistas. Acima de tudo continuamos muito activos e com grande disponibilidade para acções que ajudem as pessoas que enfrentam as várias dimensões do desemprego.

 

Catarina Horta

Directora de Recursos Humanos da Randstad