o primeiro.

O primeiro, o primeiro editorial, mas também o primeiro momento de reflexão e de partilha numa newsletter que quer “apenas” aprofundar os desafios do mundo do trabalho. Apenas é claramente um eufemismo. Nunca o sector e a área dos recursos humanos estiveram tanto na linha da frente da preocupação das nossas empresas. Portugal vive hoje tempos estatisticamente favoráveis na área económica e social mas que são acompanhados de uma realidade que ainda é desconhecida para as empresas: a escassez de candidatos, a falta de competências técnicas em áreas críticas e a necessidade de perfis com cada vez mais especificidades como seja por exemplo o domínio de idiomas estrangeiros.

Em paralelo as organizações também estão em profunda transformação. Olham cada vez mais para os seus dados e processos procurando melhorar a performance, digitalizar e automatizar tudo o que seja repetitivo. As pessoas ganham maior relevância ou melhor dizendo começamos a tornar-nos employee centric, a compreender que esta “coisa” do talento é mesmo verdade e que é fundamental focarmo-nos nas nossas pessoas por que são elas que garantem o sucesso da estratégia da nossa empresa.

Os desafios da mudança de paradigma e da transformação são muitos e por isso vamos cada vez mais aprofundar e partilhar o nosso conhecimento e insights. Somos em Portugal o terceiro maior empregador privado, o que nos traz não apenas orgulho e responsabilidade, mas também dados e know-how sobre o seu comportamento. Conseguimos inclusivamente prever as suas flutuações e ir cada vez mais a detalhes finos mas críticos para a estratégia das organizações, como seja o número de perfis disponíveis numa região, em que empresa trabalham e a sua média salarial. Não “adivinhamos” mas utilizamos a nossa solução de big data como ferramenta de suporte no processo de tomada de decisão. É um posicionamento tech & touch que nos permite ir ainda mais longe. É a utilização da tecnologia como alavanca do elemento humano, introduzindo soluções de verificação de referências, de gamificação e de motivação que nos permite dar ainda mais valor aos nossos clientes e candidatos, ser mais human forward e ao mesmo tempo reconhecer o valor das pessoas, das suas histórias, de quem são verdadeiramente.

Por fim, mas não menos importante. A relação com a legalidade e com a ética, não apenas porque vem aí o regime geral de protecção de dados, mas porque a identidade de um país tem de estar intimamente ligado com este princípio de ordem, de respeito e de cumprimento. Só assim conseguiremos manter e melhorar os números no nosso país, acabar com as ajudas de custo fictícias, muitas vezes superiores aos valores base de ordenado e que se repetem indefinidamente, eliminar o trabalho não declarado que responde a sazonalidades e a práticas permanentes de determinados sectores de actividade e temos de parar de estigmatizar a flexibilidade e formas de contrato reguladas e legais, que respondem não só à necessidade das empresas como à própria vontade do trabalhador. Março foi o mês da apresentação de um pacote de propostas de alteração à lei laboral. A maioria relacionadas com a durabilidade dos vários tipos de contrato.

Não entrando em detalhe nas medidas propostas e mantendo um olhar atento sobre as discussões que daqui advêm, é fundamental que a lei sirva para regular o normal funcionamento do mercado e não para o destabilizar. E quando refiro normal, refiro acima de tudo a garantia da transparência, da simplicidade e ao mesmo tempo das protecções individuais previstas na constituição. Mas estamos prontos, não apenas para cumprir mas também para ajudar e contribuir de forma positiva para a discussão e para potenciais alterações.

O primeiro artigo, o primeiro editorial tem também este desafio de elencar o que nos preocupa e o que queremos partilhar. Talvez pudesse ter sido apenas um parágrafo, podia apenas dizer que queremos estar ainda mais perto e que pode contar connosco. Na verdade é isto, somos o parceiro de confiança no mundo do trabalho guiado pela tecnologia. Uma frase que nos resume, que não se esvazia e que é o nosso compromisso consigo e com o mundo.

 

José Miguel Leonardo, CEO Randstad Portugal

sobre o autor

José Miguel Leonardo - CEO da Randstad Portugal

Com uma vasta experiência internacional em diferentes indústrias, José Miguel Leonardo esteve cerca de quatro anos à frente da divisão de segurança electrónica do grupo americano Stanley Black & Decker, em Portugal e em Itália. Antes disso, ao longo de catorze anos, ocupou vários cargos de gestão de topo na multinacional Dow Chemical Company, onde teve a oportunidade de trabalhar e viver em diversos países. Acumula ainda experiência no segmento das PME’s enquanto gestor e investidor. Formado em Engenharia Civil pelo ISEL em Lisboa, José Miguel Leonardo complementou a sua formação com programas executivos em gestão & finanças no INSEAD Business School em França, e em empreendedorismo no IMD Business School na Suíça. José Miguel Leonardo é desde 2014 CEO da Randstad Portugal.

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