Entrar num processo de recrutamento é sempre um desafio de autoconfiança, mas quando falamos de recrutamento inclusivo, a estratégia e a transparência tornam-se as tuas melhores aliadas. Mais do que apenas preencher uma vaga, o objetivo é encontrares um projeto onde o teu talento seja valorizado e onde existam condições para brilhares com total autonomia.

Neste artigo, a nossa especialista em Recrutamento Inclusivo, Carmen Vale de Gato, partilha a sua perspetiva para te ajudar a navegar em cada etapa, desde a construção de um currículo de alto impacto até àquelas perguntas decisivas na entrevista que te permitem avaliar se a cultura da empresa está alinhada com os teus valores. Preparar o teu sucesso começa aqui.

Do currículo à entrevista: dicas essenciais para brilhar no processo de seleção
Do currículo à entrevista: dicas essenciais para brilhar no processo de seleção

como estruturar um CV que destaca o teu real potencial.

O teu CV deve destacar os teus pontos fortes e as tecnologias ou ferramentas que dominas, garantindo que o recrutador percebe, logo nos primeiros segundos qual o teu talento.

Sabias que um recrutador demora, em média, apenas 6 a 7 segundos a fazer a primeira triagem de um CV. Por isso, para garantires que aproveitas esse tempo e captas a atenção nos pontos-chave, aqui tens o que deves ter em conta:

  • o "primeiro impacto" - cabeçalho e perfil: o teu contacto e uma pequena nota introdutória (3 linhas) devem dizer quem és e o que fazes de melhor. Evita frases genéricas; foca-te no que ambicionas e o no teu trajeto até aqui.
  • a ordem importa - cronologia inversa: coloca sempre a tua experiência mais recente em primeiro lugar. É nela que o recrutador se vai focar para perceber onde estás atualmente.
  • detalhe das experiências - experiência profissional/formativa: realça as tuas aprendizagens e experiências profissionais, escreve o que fazias, qual o teu papel na equipa e (sempre que possível) descreve os resultados que alcançaste.
  • palavras-chave: lê bem o anúncio da vaga e usa as mesmas palavras-chave (competências técnicas ou ferramentas) no teu CV. Isso ajuda o recrutador a fazer o "match" com o teu perfil.
  • clareza visual: usa um tipo de letra legível, e evita espaços em branco e blocos de texto muito densos. A legibilidade é o que permite que esses 7 segundos sejam produtivos.
  • formato do documento - muito importante: guarda sempre o ficheiro em PDF e com um nome profissional (ex: CV_Nome_Apelido.pdf). Documentos como o nosso CV não podem ser partilhados com formato editável. 

25 dicas para fazer um currículo atrativo, simples e objetivo

currículo atrativo

mencionar ou não a incapacidade no CV? Prós e contras da decisão.

Decidir mencionar ou não a incapacidade no CV é uma escolha estratégica que deve ser tua e de mais ninguém. 

Não existe uma resposta certa, mas sim caminhos diferentes. 

Por um lado, ao colocares essa informação no teu CV és logo transparente desde o início, e estás a filtrar de imediato empresas que já têm a inclusão no seu ADN e garantes que a tua candidatura é logo enquadrada nos benefícios da Lei 4/2019. 

Por outro, podes preferir não colocar essa informação no CV, procurando um primeiro contacto mais técnico, assegurando que o teu talento fala mais alto do que qualquer outra característica, e deixando a questão da incapacidade para o contexto de entrevista, onde o recrutador já te conhece. 

Seja qual for o teu caminho, fá-lo com a consciência de que a tua competência é o principal; a incapacidade é apenas uma característica. 

como e quando abordar a necessidade de adaptações no processo.

A forma como abordas as adaptações depende muito da estratégia que escolheste na questão anterior. Se optaste por mencionar a incapacidade logo no CV, o mais provável é que o recrutador, por iniciativa própria, já leve para a entrevista a questão das adaptações necessárias, seja para o momento da conversa, seja para o futuro posto de trabalho. Nesse caso, a conversa flui naturalmente como parte do planeamento da tua admissão.

Contudo, se preferiste não dar essa informação de antemão, o meu conselho é que tragas o tema para a mesa de forma proativa durante a entrevista. Partilhar as necessidades específicas para o exercício pleno das tuas funções não é criar um obstáculo, mas sim demonstrar maturidade e profissionalismo. Ao seres claro sobre o que precisas para trabalhar de forma mais eficaz, permites que o recrutador analise, em conjunto com a empresa, se as condições atuais são as ideais ou se precisam de ser asseguradas. 

Lembra-te: o objetivo é garantir que, desde o primeiro dia, tens tudo o que necessitas para desempenhar as tuas atividades com total autonomia, não há nada a esconder!

preparar a entrevista: técnicas de storytelling e autoconfiança.

Na hora da entrevista, o teu percurso deixa de estar no papel (CV) para ganhar vida através das experiências em que foste protagonista. Em vez de apenas responderes "sim" ou "não", usa as seguintes técnicas para te sentires confiante: 

  • Leva os teus exemplos anotados: se sentires que podes esquecer-te de algo, não há problema nenhum em levar uma pequena cábula com os pontos principais do teu percurso. Isso demonstra organização.
  • Conhece o teu ritmo: se precisares de um pouco mais de tempo para processar as perguntas ou para responder, comunica-o calmamente. Um bom recrutador saberá respeitar o teu tempo.
  • Identifica pelo menos um desafio: falar de um desafio profissional, e descrever que ações tomaste, o que te deixava mais motivado e o que aprendeste, dará ao recrutador uma segurança que és um perfil que analisa e que não “esconde” os desafios anteriores. São estes que nos fazem crescer e estar no local onde estamos hoje.

A tua autoconfiança estará lá se forem com estes pontos preparados. Dicas extra: pratica em casa, escreve uma cábula, leva o CV contigo.

Prepara a tua entrevista, a preparação trará a confiança!

o que deves perguntar ao recrutador para avaliar a cultura da empresa.

Lembra-te que a entrevista é uma conversa com dois lados: não é só o recrutador que está a avaliar se o teu talento é bom para a empresa, tu também estás a avaliar se aquela empresa merece o teu talento e se é o lugar onde poderás crescer. Fazer as perguntas certas ajuda-te a entender se existe cultura de inclusão e espaço para o teu crescimento profissional.

O que perguntar: 

  1. Cultura de diversidade e inclusão: pergunta como é que a empresa vive a inclusão no dia a dia, e se existem grupos de inclusão que trabalham este tema entre os colaboradores.
  2. Processos de integração (Onboarding): tenta perceber como é preparada a entrada de um novo colaborador e se existe abertura para ajustar processos de trabalho conforme as necessidades individuais;
  3. Oportunidades de crescimento: questiona sobre os planos de formação contínua, haverá enquadramento para que a formação seja adaptada a todos os perfis;

Fazer estas perguntas demonstra que és um profissional consciente do teu valor e que procuras um projeto onde o teu talento é visto como uma vantagem, e não como uma limitação.

conclusão: o teu talento é o protagonista

O sucesso num processo de seleção não depende apenas das tuas competências técnicas, mas da forma como comunicas o teu valor e geres as tuas expectativas. Seja na decisão de mencionar a incapacidade ou na proatividade em pedir adaptações, lembra-te que tu és o dono da tua estratégia.

A preparação é a base da autoconfiança. Ao seguires estas dicas, não estás apenas a candidatar-te a uma função, estás a abrir portas para uma carreira onde a inclusão e o mérito caminham lado a lado. Agora que tens as ferramentas, o próximo passo é teu: prepara o teu CV, treina o teu discurso e vai ao encontro da oportunidade que mereces.

sobre a autora.
carmen vale de gato
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Carmen Vale de Gato

consultant, inclusive recruitment

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