• O segmento de trabalhadores a ganhar 3.000€ ou mais líquidos por mês cresceu 27% no último ano (125 mil profissionais), quase duplicando em dois anos e quadruplicando numa década. 
  • 34,1% dos trabalhadores por conta de outrem (1,56 milhões) mantêm-se na faixa entre os 900€ e os 1.200€. 
  • A taxa de desemprego fixou-se nos 5,3%, alcançando mínimo histórico, e a população ativa superou pela primeira vez os 5,7 milhões de pessoas. 
  • As indústrias transformadoras (+30,2 mil) e a construção (+21,9 mil) lideraram o crescimento do emprego, enquanto a consultoria e IT recuaram (-18,6 mil) no segundo trimestre. 

O número de trabalhadores por conta de outrem em Portugal com um rendimento líquido mensal igual ou superior a 3.000 euros quase duplicou em apenas dois anos, passando de 71 mil no segundo trimestre de 2024 para 125 mil profissionais no mesmo período de 2026, o que representa um crescimento de 27% face aos 98,3 mil registados há um ano. Numa perspetiva decenal, a expansão deste escalão salarial de topo é ainda mais expressiva, quadruplicando em comparação com os escassos 28,7 mil contabilizados em 2016, revelam os dados da Randstad Research com base no Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE). 

Apesar do crescimento dos salários mais elevados, que abrange agora 2,7% da população empregada por conta de outrem, a estrutura salarial continua predominantemente concentrada nos escalões intermédios-baixos. A faixa compreendida entre os 900€ e os 1.200€ líquidos mantém-se como a mais representativa, ao englobar 34,1% do total de assalariados, o equivalente a 1,56 milhões de pessoas. 

A caracterização do segmento de rendimento mais elevado traduz várias assimetrias estruturais: com os homens a representarem 69,2% deste grupo contra 30,8% de mulheres, enquanto o setor dos serviços absorve 78,7% destes profissionais. As regiões da Grande Lisboa e do Norte concentram 65,9% dos trabalhadores que mais ganham, reunindo 49 mil e 33,2 mil pessoas, respetivamente. 

No segundo trimestre de 2026, o mercado de trabalho registou também indicadores históricos positivos, com a taxa de desemprego a recuar 0,8 pontos percentuais no trimestre para fixar o mínimo histórico de 5,3% (o valor mais baixo desde 2011), totalizando 300,8 mil desempregados. Em simultâneo, a população ativa aumentou em 53,5 mil pessoas no trimestre, superando pela primeira vez a fasquia dos 5,7 milhões de pessoas ativas (5.700.600), impulsionada por um crescimento de 99 mil trabalhadores na população empregada, que atingiu os 5.399.800 profissionais. 

Da totalidade de 4,57 milhões de profissionais, registou-se um reforço da estabilidade contratual através do aumento de 62,4 mil contratos sem termo no trimestre e de 147,7 mil na comparação homóloga, fixando-se a taxa de trabalho temporário nos 14,5%. 

Ao nível setorial e etário, a criação de emprego foi maioritariamente alavancada pelas indústrias transformadoras, que somaram 30,2 mil trabalhadores no trimestre (+3,7%), e pela construção, com mais 21,9 mil profissionais (+5,8%). No setor dos serviços, destacaram-se os crescimentos na Educação (+15,1 mil), Hotelaria (+13,2 mil), Saúde (+12,2 mil) e Comércio (+9,5 mil). Em sentido inverso, as atividades de telecomunicações, programação informática e consultoria recuaram em 18,6 mil profissionais (-8,6%).

Em termos etários, o emprego cresceu nas faixas dos 25 aos 34 anos (+32,9 mil) e dos 55 aos 64 anos (+27,7 mil), voltando todavia a registar uma quebra de 7,7 mil jovens empregados entre os 16 e os 24 anos (-2,6%). 

Nota ainda para o teletrabalho que continuou em expansão e abrange 21,3% dos trabalhadores em Portugal (1,15 milhões de pessoas), com a Grande Lisboa a liderar o trabalho remoto (34,5%) e os Açores a registarem a menor incidência (9,2%). 

Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirma que "Os dados do segundo trimestre refletem a combinação de uma taxa de desemprego em mínimos históricos com um crescimento consistente da população ativa. Assistimos a uma evolução clara nos rendimentos mais elevados, o que traduz a valorização de funções altamente qualificadas. Contudo, os números mostram disparidades geográficas e de género, a par de desafios específicos na retenção de talento jovem e na reconfiguração de setores chave como as tecnologias”. 

Para mais informações, consulte o site  https://www.randstad.pt/randstad-research/