A gestão das cadeias de abastecimento em Portugal e no mundo deixou de ser uma função meramente operacional para se tornar o coração estratégico do tecido empresarial. Impulsionado pela eclosão do e-commerce, pela necessidade de resiliência global e pela rápida digitalização, o setor da Logística e Supply Chain enfrenta hoje um desafio sem precedentes: a escassez de talento técnico especializado, particularmente de Engenheiros de Supply Chain.

Com a integração acelerada de Inteligência Artificial, automação de armazéns, predictive analytics e robótica, a procura por perfis com elevadas competências analíticas e tecnológicas disparou. Contudo, a oferta de profissionais qualificados não acompanha o ritmo desta transformação em Portugal, criando um mercado fortemente dominado pelos candidatos (candidate-driven market).

A questão central é: como podem as empresas portuguesas atrair e reter estes profissionais cruciais para a eficiência dos seus negócios?

Como atrair e reter engenheiros de supply chain num mercado altamente competitivo
Como atrair e reter engenheiros de supply chain num mercado altamente competitivo

o que valorizam hoje os Engenheiros de Supply Chain?

Para construir uma estratégia de atração eficaz, as organizações precisam de entender o que realmente motiva estes profissionais na hora de mudar de projeto ou aceitar um novo desafio: 

1. projetos de automação, inovação e sustentabilidade 

Os engenheiros de supply chain são motivados por desafios técnicos significativos. Trabalhar com tecnologia de ponta (WMS/TMS avançados, sensorização IoT, simulação de processos e automação robótica) e integrar projetos de descarbonização e logística verde são dos maiores atrativos. Organizações presas a processos arcaicos e dependentes de folhas de cálculo manuais têm extrema dificuldade em cativar este talento.

2. flexibilidade e modelos híbridos

Historicamente associado a regimes presenciais e horários rígidos, o setor da logística está a ser forçado a reinventar-se. Embora a presença em armazém ou fábrica seja por vezes indispensável, a implementação de modelos híbridos de trabalho para funções de planeamento (Supply & Demand Planners, analistas de rede) e horários flexíveis tornou-se um fator decisivo de escolha.

3. progressão de carreira e aprendizagem contínua

Profissionais de engenharia valorizam ecossistemas onde possam evoluir rapidamente. Trajetórias de carreira transparentes, com marcos claros para a transição entre posições técnicas, de gestão de projetos ou de liderança (Head of Supply Chain), reduzem significativamente a taxa de rotatividade.

o papel da compensação equilibrada face ao custo de vida

Embora os fatores culturais e operacionais sejam cruciais, os dados do Randstad Employer Brand Research confirmam: a compensação e os benefícios competitivos continuam a ser o driver número um na decisão de aceitar ou mudar de emprego em Portugal.

Diante do aumento do custo de vida e da inflação nos grandes centros urbanos (como Lisboa e Porto), os pacotes remuneratórios tradicionais já não são suficientes. Para atrair engenheiros de supply chain, as empresas de topo estão a apostar em:

  • Salários-base alinhados com o mercado especializado: o diferencial salarial entre PME e multinacionais em Portugal tem obrigado as empresas a rever tabelas remuneratórias para posições de Planeamento, Procurement e Engenharia de Processos.
  • Benefícios flexíveis e tangíveis: seguro de saúde alargado ao agregado familiar, plafonds de formação, apoio ao trabalho remoto e bónus por cumprimento de KPIs operacionais/financeiros.

dica de RH: como construir uma proposta de valor do empregador (EVP) forte

Não basta ter um bom projeto; é fundamental saber comunicá-lo. Uma Proposta de Valor do Empregador (EVP - Employee Value Proposition) sólida é o alicerce para se destacar da concorrência:

  1. Apostar na Autenticidade: prometer inovação ou flexibilidade na fase de recrutamento e não entregar no quotidiano resulta em abandono precoce.
  2. Dar visibilidade aos projetos na entrevista de recrutamento: apresentar em detalhe que tecnologias vão utilizar, que processos vão otimizar e qual o impacto real do seu trabalho no negócio.
  3. Contar com parcerias de recrutamento especializado: o recrutamento destes perfis exige um conhecimento profundo da dinâmica de mercado e uma rede ativa de contatos (pipeline de talento passivo). Contar com consultores especializados permite às empresas aceder a candidatos de topo que não estão ativamente nos portais de emprego tradicionais, garantindo processos mais ágeis, alinhados e assertivos.

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vamos falar.

Concluindo, atrair e reter engenheiros de Supply Chain de topo obriga as empresas a olhar para dentro. O mercado mudou, e as exigências destes profissionais, por tecnologia, flexibilidade e progressão de carreira, refletem uma nova era da logística. As organizações que se mantiverem presas a modelos tradicionais arriscam-se a ficar para trás. O futuro do setor pertence às empresas que souberem transformar a sua cultura, oferecendo não apenas um emprego, mas uma trajetória de impacto real. Investir nestes perfis é, hoje, o investimento mais estratégico que qualquer gestor de operações pode realizar.

 

faqs (perguntas frequentes)