Porque as competências comportamentais ganham peso no recrutamento

As soft skills estão a ser cada vez mais valorizadas pelas empresas nos processos de recrutamento. Ainda que o grau académico continue a ser importante em muitas funções, a avaliação dos candidatos com base nas suas competências comportamentais, experiência e potencial de desenvolvimento tem vindo a ganhar peso.

Esta mudança permite às empresas olhar para além do percurso académico e aceder a uma pool de talento mais ampla. Candidatos que antes poderiam não ser considerados por não terem determinado grau académico podem revelar competências pessoais, competências técnicas, experiência prática ou capacidade de aprendizagem relevantes para a função.

Para Filipa Alves Peixoto, senior consultant das áreas de outplacement e career counseling, apostar cada vez mais em ferramentas de avaliação, formação on the job e desenvolvimento de competências pode fazer a diferença. Esta abordagem permite às empresas avaliar melhor a competência profissional dos candidatos e não apenas a sua formação académica.

O que são competências comportamentais?

As competências comportamentais estão relacionadas com a forma como uma pessoa comunica, colabora, resolve problemas, gere emoções, aprende e se adapta ao contexto de trabalho. São competências que influenciam diretamente a forma como o profissional atua em equipa, responde a desafios e contribui para os objetivos da organização.

Em muitos contextos, estas competências são também chamadas de soft skills. Embora o termo soft skills seja muito utilizado, a expressão competências comportamentais é especialmente relevante em recursos humanos, recrutamento e desenvolvimento de talento.

Exemplos de competências pessoais valorizadas pelas empresas

Entre as competências pessoais e comportamentais mais valorizadas pelas empresas estão a comunicação, a empatia, a resiliência, a capacidade de adaptação, a autonomia, a colaboração, a organização, o pensamento crítico e a vontade de aprender.

Estas competências ajudam a perceber não apenas aquilo que uma pessoa sabe fazer, mas também como trabalha, como se relaciona com os outros e como reage perante contextos de mudança.

Soft skills e hard skills: porque ambas contam

A valorização das competências comportamentais não significa que as hard skills deixem de ser importantes. Pelo contrário: um processo de recrutamento completo deve considerar tanto as soft skills como as hard skills.

As hard skills correspondem a competências técnicas, conhecimentos específicos, formação, certificações ou experiência prática numa determinada área. São, por norma, mais fáceis de identificar e medir.

As soft skills, por outro lado, ajudam a compreender como o candidato aplica esse conhecimento em contexto real. Duas pessoas podem ter uma formação académica semelhante, mas demonstrar níveis muito diferentes de comunicação, colaboração, flexibilidade ou capacidade de resolução de problemas.

Recrutamento por competências: olhar para além do diploma

O recrutamento por competências permite às empresas avaliar candidatos de forma mais completa. Em vez de depender exclusivamente do grau académico, as organizações podem analisar comportamentos, experiências, capacidades transferíveis e potencial de crescimento.

Esta abordagem pode ser particularmente útil quando as empresas procuram talento em áreas com escassez de candidatos, quando querem reforçar equipas com perfis diversos ou quando valorizam percursos profissionais menos lineares.

Formação on the job e desenvolvimento de competências

A formação on the job pode ser uma ferramenta importante para apoiar esta mudança. Quando uma empresa identifica potencial num candidato, pode desenvolver internamente competências técnicas e comportamentais necessárias para a função.

Assim, o recrutamento deixa de ser apenas uma procura pelo candidato “perfeito” no momento da contratação e passa a incluir uma visão mais estratégica: contratar talento com potencial e criar condições para o seu desenvolvimento.

Diversidade e inclusão: ampliar a avaliação de talento

diversidade e inclusão também ganham força quando as empresas deixam de avaliar candidatos apenas pelo grau académico. Ao rever critérios de recrutamento, é possível abrir espaço a pessoas com diferentes percursos, experiências, origens e formas de aprender.

O vídeo reforça esta ideia: organizações mais inclusivas tendem a olhar para o talento de forma mais ampla e menos limitada por filtros tradicionais. Ao avaliar competências, experiência e potencial, as empresas podem tornar os processos de recrutamento mais justos, completos e alinhados com as necessidades reais das equipas.

Conheça esta e outras tendências na gestão de talento.

Perguntas frequentes sobre competências comportamentais