- Remuneração média no setor atinge 3.250€, destacando-se fortemente face à média nacional, embora sujeita a oscilações ao longo do ano;
- Setor regista maior feminização que a média do país, com as mulheres a representarem quase 54% da força de trabalho (61 mil profissionais);
- Emprego qualificado domina, com especialistas de atividades intelectuais e científicas e técnicos intermédios a representarem a maioria das funções;
- Rede de balcões sofre forte contração, com o encerramento de mais de metade das agências bancárias desde 2012, sinalizando a transição digital.
Lisboa, 24,02,2026 – A Randstad Portugal divulgou hoje a sua análise ao mercado de trabalho no setor financeiro, confirmando a posição destas atividades no topo da hierarquia salarial em Portugal. Segundo os dados da Randstad Research, referentes a novembro de 2025, o setor das finanças regista uma remuneração média de 3.250€, um valor 70% superior à média nacional de 1.877€. Nos últimos dez anos, a remuneração nas finanças cresceu 24%, um desempenho que representa menos de metade do crescimento de 53% observado na remuneração geral do país.
No último ano, teve um aumento de 2,6% e de 1,3% no último mês
A análise evidencia também uma característica deste mercado: uma maior feminização face à média nacional. No terceiro trimestre de 2025, as mulheres representavam quase 54% do emprego no setor, totalizando 61 mil pessoas, enquanto os homens constituíam 46% (52 mil pessoas).
Transformação estrutural e estabilidade no emprego
Os dados revelam uma transformação profunda na estrutura do setor. Entre 2012 e 2024, verificou-se o encerramento de mais de metade da rede de bancos e caixas económicas, que passaram de 5.571 para 2.751 estabelecimentos. Esta racionalização física foi acompanhada por uma especialização das funções: atualmente, o setor é dominado por especialistas das atividades intelectuais e científicas (42,9%) e técnicos de nível intermédio (28,8%).
Numa análise desagregada por atividade, é visível que o motor do emprego reside no núcleo bancário. Enquanto o setor dos seguros estabilizou recentemente nos 19,8 mil profissionais (após um pico na pandemia), as atividades de serviços financeiros (Banca) atingiram, no terceiro trimestre de 2025, um recorde histórico de 79,7 mil empregados. Este valor, o mais alto de toda a série analisada, confirma que o setor superou largamente os mínimos registados no período pós-Troika, consolidando uma trajetória de recuperação robusta.
Em termos de desemprego, com apenas 2.022 inscritos nos Centros de Emprego, o setor financeiro representa uma parcela de 0,8% do desemprego total em Portugal. A distribuição geográfica deste desemprego concentra-se nos grandes polos económicos, com Lisboa a liderar com 911 inscritos, seguida pelo Norte com 735.
“O setor financeiro continua a ser um dos pilares de emprego de qualidade em Portugal, oferecendo remunerações significativamente acima da média e atraindo talento altamente qualificado”, sublinha Joana Gonçalves, Senior Manager de Finance, Banking & Financial Services. “No entanto, a forte contração da rede física de balcões e a volatilidade sazonal dos salários mostram que estamos perante um setor em plena mutação, onde a digitalização exige novas competências e onde a estabilidade contratual convive com desafios de adaptação estrutural.”