• Comércio a retalho emprega 479,8 mil profissionais em Portugal, representando 62,4% do emprego do setor do comércio e reparação de veículos.
  • Mais de 60% dos trabalhadores são mulheres, num setor cada vez mais qualificado e com tendência de valorização salarial.
  • O comércio a retalho regista uma forte sazonalidade, com picos de emprego na peak season de Black Friday e Natal, e mínimos no verão.

Num dos momentos de maior intensidade para o comércio, com a Black Friday a marcar o arranque da época natalícia, a Randstad Research divulga hoje uma radiografia ao mercado de trabalho no setor do comércio a retalho em Portugal.

A atividade de comércio e retalho integra o setor do Comércio e Reparação de Veículos, um dos maiores empregadores do país, responsável por 14,8% do emprego total em Portugal em 2024, o que corresponde a 767,2 mil pessoas.

O setor do Comércio e Reparação de Veículos, definido na Secção G da CAE Rev. 3, integra três grandes áreas: o comércio e reparação de veículos automóveis e motociclos (divisão 45), o comércio por grosso (divisão 46) e o comércio a retalho (divisão 47). Esta última, dedicada à venda direta ao consumidor final, é a que mais emprego gera, representando 62,4% do total do setor, e afirmando-se como o seu principal motor. De acordo com os dados da Eurostat, no segundo trimestre de 2025, o número de profissionais no retalho alcançou 479,8 mil, refletindo uma variação trimestral positiva de 0,4% e confirmando a tendência de crescimento observada nos últimos anos. 

O comércio a retalho foi uma das áreas mais afetadas pela pandemia, com uma quebra de 6,8% no emprego em 2020. No entanto, o setor demonstrou uma recuperação notável a partir de 2021, consolidando-se como um dos motores do emprego em Portugal.

Em 2023, o setor era composto por 123.900 empresas, responsáveis por quase 480 mil postos de trabalho. As atividades de retalho de outros produtos e de estabelecimentos não especializados (hipermercados, supermercados, e grandes armazéns) lideram o mercado, sendo esta última também a maior empregadora, com 161,6 mil trabalhadores.

O estudo revela ainda que o setor apresenta uma forte presença feminina: 60,5% dos profissionais são mulheres. Em termos de qualificações, o retalho é dominado por profissionais qualificados e semiqualificados, que representam 67,3% do total de empregados, enquanto apenas 5,1% correspondem a funções não qualificadas.

No que toca à dinâmica do emprego, o comércio a retalho regista uma forte sazonalidade, com picos de emprego nos meses de inverno e mínimos no verão, acompanhando os ciclos de consumo.

Para Pedro Empis, Diretor de Soluções de Talento Operacional da Randstad Portugal, “a atividade de comércio a retalho tem demonstrado uma capacidade de resiliência excecional ao longo dos últimos anos. Depois de ter sido um dos setores mais penalizados pela pandemia, o retalho conseguiu recuperar o seu dinamismo e voltar a afirmar-se como um dos grandes motores do emprego em Portugal. Hoje, emprega quase meio milhão de pessoas, sustentado por uma base maioritariamente feminina e composta por profissionais cada vez mais qualificados, o que reflete não apenas a importância social do setor, mas também a sua evolução estrutural.”

Segundo os dados do INE, o setor desempenha um papel essencial na distribuição de bens, dinamização do consumo interno e suporte a outras indústrias, sendo um pilar estruturante da economia portuguesa. A valorização salarial contínua também é um sinal de maturidade: desde junho de 2015, o salário médio mensal passou de 1.028€ para 1.539€ em junho de 2025, refletindo um crescimento de 50% em dez anos.

Procura por profissionais dispara durante a época alta do retalho

A Black Friday é hoje um dos momentos de maior dinamismo do comércio a retalho, contribuindo para impulsionar as vendas e o emprego sazonal. 

A forte concentração de consumo e campanhas promocionais nesta altura do ano reflete-se também no aumento da procura por profissionais e no reforço da relevância do setor no mercado de trabalho português. 

De acordo com dados da Randstad Portugal, a procura de talento para o retalho é superior durante a peak season, que inclui a Black Friday, o Natal e o período de devoluções e promoções. Este ano a procura por profissionais de todos os setores aumentou, em particular no retalho, indústria alimentar e logística, com crescimentos que variam entre os 10% e os 30% face a 2024.

Para mais informações, consulte www.randstad.pt/randstad-research.