um ano são 90 minutos

Às vezes não apetece parar, outras vezes parece que não vamos ter forças para continuar. O intervalo surge mais ou menos a meio, numa altura em que não se ganhou mas também não se perdeu. Diz-se que pode ser o momento de viragem, em que os desmotivados ganham energia e os mais esforçados se desleixam e perdem o cortar da meta. Outras vezes parecem ser apenas os 15 minutos de comerciais, como se nada tivesse acontecido.

Muito se especula sobre o papel do líder neste momento de pausa, sobre o que se passa na cabeça dos jogadores naqueles 15 minutos em que abandonam o palco principal. Quem assiste vê as suas expectativas aumentar, volta a acreditar ou sente a vitória já segura. Será este um momento de análises ou novas estratégias, ou pelo contrário minutos em branco para que o recomeço seja na verdade um começo? Seja qual for o período de férias escolhido, o verão é por definição uma pausa no jogo, a silly season, um momento em que tudo parece acalmar (salvo os sectores de atividade sazonais) e em que vemos sucessivas saídas e chegadas com mudança de pantone. Ao intervalo, metade do ano já passou e sabemos que a outra metade é mais curta. Esta paragem a meio do ano, seja qual for o resultado ao intervalo, deve ser saboreada da melhor forma. 

Devemos olhar para trás para aprender para a frente. Encontrar nas 24 horas um vazio que pode ser preenchido por tudo o que quisemos fazer e não conseguimos porque o tempo não deixou. Família, amigos, locais, livros, filmes... tudo o que se desejou e não se conseguiu fazer pode ocupar os dias de férias. 

Descansar e refletir, procurar o equilíbrio que terá sempre sofrido algum abalo na intensidade dos primeiros meses e re-energizar de forma mais ou menos espiritual. Não vale deitar a toalha ao chão, rotular este ano como o pior ou o melhor de sempre, é preciso acima de tudo ir buscar a força para voltar ao campo. Perceber o que se pode fazer melhor, chegar mais forte e mais motivado e de cabeça erguida voltar ao campo com o objetivo de ganhar. 

Um ano são 90 minutos, com o vento a favor e contra, com os erros e a magia que vem do talento individual e de uma jogada em equipa. Mas só ganha quem tiver este equilíbrio, esta capacidade de estar em campo, no balneário e no banco, focado no objetivo, com controlo das emoções, utilizando a razão mas também a criatividade. 

Arriscando e sabendo quando não o fazer. Um jogo pouco tem de sorte e azar, vive da transpiração, inspiração e do expirar, porque há momentos em que também é preciso ter paciência, em que não fazer é fazer o máximo possível. Um ano são 90 minutos e estamos quase a começar a segunda parte...

 José Miguel Leonardo
CEO Randstad Portugal

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