Portugal é incubador do melhor talento

A Lionesa apresenta-se como o maior centro nacional da indústria 4.0 e o maior e mais dinâmico pólo do Porto, e do Norte, na atração de novos negócios. Só no ano passado, foram criados neste centro empresarial de Matosinhos mais de mil postos de trabalho. O segredo, revela Eduarda Pinto, está na resposta personalizada. «Qual alfaiate da novíssima indústria nacional.»


A Lionesa foi criada em 1944. Em que consistia e como foi evoluindo a sua actividade?

O primeiro projecto que hospedou foi uma importante fábrica que tinha na seda a sua matéria-prima, uma das 100 empresas portuguesas que mais exportava, e que mais intensiva era em mão-de-.obra. Tendo o modelo industrial do pós-guerra evoluído em Portugal directamente para uma especialização nos serviços e na indústria 4.0, na última década a Lionesa possibilitou a vários sectores de actividade a convivência no mesmo espaço. 
Novos conhecimentos, nova tecnologia e novas interacções passaram a definir o seu dia-a-dia. Mas esta era apenas a primeira fase do novo projecto que a Lionesa havia começado a fomentar. Hoje a Lionesa é um centro empresarial de referência para a nova indústria, onde estão instaladas mais de 120 empresas e, com o seu plano de expansão, será o maior centro empresarial do país.

 

Antes de irmos a esse plano… Quais os principais marcos evolutivos destas mais de sete décadas de existência?

O principal desafio foi o de conciliar, no mesmo espaço e no mesmo ecossistema, grandes players e empresas emergentes, sendo que, uns e outros, procuravam uma estrutura capaz de responder como acordeão, de personalizada e customizada, às suas necessidades do momento e, sobretudo, à sua capacidade de evolução e de adaptação sucessiva à competição no mercado global em que actuam. Este desafio foi gigante e foi cabalmente superado.

 

E mais recentemente, quais os feitos de que mais se orgulham?

Ter a capacidade de receber e conquistar as maiores multinacionais a nível mundial, que percebem na Lionesa o seu interlocutor de referência para alimentar a sua internacionalização e para, em Portugal, estruturar uma capacidade de resposta assente na nossa flexibilidade enquanto infraestrutura, na qualidade dos recursos humanos de que o país dispõe e, claro, a forma pessoal e intransmissível como a Lionesa cria uma qualidade de vida profissional capaz de unir ambos - empresa e pessoas - num ambiente economicamente eficiente e humanamente sustentável. 

 

A Lionesa tem sido considerada um símbolo de pioneirismo nacional e referência da indústria têxtil a nível global. Como têm mantido esse pioneirismo?

Sempre com a audácia e irreverência que nos caracteriza. Não temos medo de arriscar, porque sabemos que, se dermos uma resposta personalizada, qual alfaiate da novíssima indústria nacional, nunca teremos medo de qualquer concorrência que ofereça qualquer ponto a vestir. Ninguém troca o seu alfaiate por um fato que outros também podem vestir. 

 

O que vos torna o maior centro nacional da Indústria 4.0 e um centro empresarial inovador? No fundo, o que vos distingue?

O que nos distingue é, sem dúvida, o nosso conceito de comunidade de proximidade. Conhecemos muito bem os nossos clientes e os seus colaboradores, e é para eles que trabalhamos todos os dias. A Lionesa é feita de pessoas: temos mais de 25 nacionalidades a trabalhar cá e esta diversidade torna a Lionesa única. Estamos no Porto, em Leça do Balio, e aí construímos uma resposta diferenciada, que tem as mesmas condições de ponta e um grau de personalização tão grande quanto aquele que teríamos se estivéssemos em Silicon Valley. Muitos já nos apelidaram de encarnação da Silicon Valley em Portugal.

 

Que tipos de negócios têm atraído para o País?

Essencialmente, multinacionais na área de IT, Inovação e Shared Services nas áreas Financeira, de Recursos Humanos e Supply Chain.

 

Quantos postos de trabalho foram criados em 2018?

Mais de 1000 postos de trabalho.

 

Qual o perfil das pessoas que trabalham no vosso polo empresarial E quais as competências mais procuradas?

A faixa etária é entre os 24 e os 36 anos, temos mais de 25 nacionalidades e formação de nível superior nas áreas de Engenharias, Recursos Humanos, Gestão e Economia.

 

Como tem sido dada resposta à escassez de talento?

É um tema muito presente no nosso dia-a-dia, pois sabemos que é uma preocupação global de quem contrata – os nossos clientes –, porque sem talento as empresas não crescem. Estamos a preparar varias acções junto das universidades e autarquias para criar uma dinâmica de requalificação de talentos e de uma maior facilidade na importação de talento. Mas a atractividade da Lionesa prova que Portugal é reconhecido como um alforge do melhor talento profissional, académico e científico, acompanhado de uma criatividade e entregas difíceis de igualar.

 

Em termos da vossa equipa, em particular, como tem sido a evolução, em termos de número de pessoas e de prioridades na gestão das mesmas?
Nós mais do que duplicamos as equipas para fazer face aos actuais e futuros desafios. A prioridade na gestão é proporcionar o bem-estar dos nossos colaboradores para que estes se sintam parte integrante do nosso negócio.

 

Neste âmbito, quais têm sido os vossos principais desafios?

Os principais desafios são a retenção das pessoas, face à actual conjuntura de expansão económica, sendo por isso que mantemos um nível motivacional alto, recursos de formação e valorização profissionais e, sobretudo, uma leitura de cada um como uma peça fundamental desta engrenagem, sempre em adaptação às necessidades do mercado e, assim, à inovação na forma de o acompanhar. 

 

Que prioridades assumem em termos de Gestão de Pessoas e como concretizam isso na prática?

Com compromisso, envolvendo os colaboradores no negócio e nas tomadas de decisão; com motivação, definindo metas, desenvolvendo processos de avaliação e atribuindo um pacote de benefícios; e com comunicação e trabalho entre a equipa, através de softwares, acções de teambuilding. 

 

Em que de traduz o espírito empreendedor lionesa? 

Traduz-se em fazer hoje o futuro, sempre com uma voz pessoal e intransmissível. 


Referiu, logo no início, um planos de expansão. Em que consiste o vosso masterplan para 2025?

Numa Lionesa de ponta: economicamente eficiente, modularmente adaptável, ecologicamente sustentável, culturalmente surpreendente e humanamente personalizada.


Que objectivos esperam, com ele, alcançar a curto/ médio prazo?

Reforçar a capacidade quantitativa de atracção da Lionesa, infra-estruturando serviços complementares à actividade económica, bem como erguendo marcos de arquitectura, ecologia e cultura contemporâneas, que tornem a experiência de ser Lionesa uma vivência profissional e pessoal assente na qualidade de vida de cada um, como de cada empresa. 


Como acredita que o mundo do trabalho vai evoluir?

Todos somos já, e seremos ainda mais no futuro próximo, co-autores dos produtos e serviços que consumimos. Logo, a cadeia de produção e de criação será a mesma e será uma conversa contínua, e cada vez mais personalizada, com cada um dos seus consumidores. Uma empresa pessoal para um mercado personalizado, será por aqui que viveremos. 


Quais os principais desafios que perspectiva para a Lionesa?
Conseguir crescer à medida da ambição e da dinâmica dos lioneses. São eles que no-lo exigem e ensinam como. 


Na abertura do vosso site têm uma frase de Henry Ford que diz "a business that makes nothing but money is a poor business". Porquê este "mantra"?

Porque mais do que a rentabilidade, o que nos move é o valor acrescentado. Económico, naturalmente, mas sobretudo social, de inovação, dos recursos humanos, do pensamento, da cultura e, assim, o valor acrescentado da nossa vida para as empresas diferentes que criamos e para o mundo melhor  que redesenhamos. 

 

Entrevista a Eduarda Pinto, administradora da Lionesa
< voltar à página anterior