porquê contratar uma estrela?

Trabalhar ao lado de um “mestre” criativo aumenta a probabilidade de os profissionais que trabalham com ele se tornarem, eles próprios, estrelas. Mas como e por que é que isto acontece? O que é que é diferente quando trabalhamos com uma estrela ou com outras pessoas?

Um novo relatório intitulado “Where do stars come from? The role of star vs nonstar collaborators in creative settings”, de Manuel Sosa, professor associado de Tecnologia e Gestão de Operações na INSEAD, Jürgen Mihm, professor de Tecnologia e Gestão de Operações na INSEAD, e Haibo Liu, professor assistente de Gestão na Universidade da Califórnia Riberside, estuda os aspectos criativos da colaboração interpessoal de uma nova perspectiva: a qualidade dos colaboradores, tanto estrelas – pessoas que geram uma quantidade desproporcional de resultados interpessoais – como não estrelas.
O relatório olha para os diferentes benefícios obtidos de estrelas e não estrelas, tanto nas tarefas em mãos como na capacidade dos colaboradores para terem ideias inovadoras marcantes no futuro. 
Ao examinarem o desempenho criativo dos designers a quem foram atribuídas patentes de design pela Patent and Trademark Office dos Estados Unidos da América durante um período de 35 anos, os autores descobriram que colaborar com designers que são estrelas aumenta significativamente as probabilidades de os outros profissionais virem a ser uma estrela. Curiosamente, descobriram provas de que as estrelas criativas têm mais possibilidade de possuírem competências de síntese criativas para criarem inovações e que transferem essa competência para os seus colaboradores; competências como compreender paradigmas de inovação existentes, criar um novo paradigma ao reconciliarem pontos de vista distantes e muitas vezes contraditórios, e depois continuar a iterar e refinar esse paradigma, até chegar a um resultado inovador excecional. 
Todas essas competências criativas são altamente implícitas e não se aprendem com um livro ou numa sala de aula. Embora algumas estrelas criativas possam tê-las adquirido intuitivamente ou através de anos de tentativa e erro, a probabilidade de alguém absorver essas competências é muito mais alta se trabalhar de perto com um indivíduo que já as possui. Isto permite aos inovadores observarem, aprenderem e praticarem as capacidades de síntese da estrela.
Manuel Sosa faz notar que a colaboração com estrelas não exclui a colaboração com não estrelas. «Ambos os tipos de colaboração favorecem o desempenho criativo dos inovadores e aumentam a probabilidade de criar uma inovação marcante.»
Na verdade, algumas empresas evitam hoje a ideia de terem uma equipa com uma estrela dominante, e focam-se em vez disso na premissa provada de que a diversidade – ter um conjunto vasto de ideias potencialmente inovadoras – é a chave para a criatividade.
Sosa partilha que descobriram que, «que além de acrescentarem novos dados e experiências como as não estrelas, as estrelas contribuem com um conjunto de competências criativas, raramente encontradas noutros locais, que podem causar uma transformação duradoura nas capacidades criativas dos inovadores.»

Como inovar de forma constante?
O relatório analisa as condições exigidas para maximizar a probabilidade de chegar ao estrelato, e notou que isto depende muito se uma estrela faz parte da equipa de colaboração.
Quando as não estrelas colaboram, a experiência partilhada ou uma ligação social coesa podem limitar a diversidade e levar a equipa a um “pensamento de grupo”, criando um impacto negativo nos resultados criativos. Todavia, quando as não estrelas trabalham com as estrelas, as ligações sociais partilhadas mais alargadas e as semelhanças entre experiências facilitam a exploração das competências de síntese criativa. Ou seja, ajudam a criar uma noção comum do problema em mãos; encorajam os colaboradores a verem semelhanças entre as suas diferentes perspectivas e refinam as ideias mais promissoras, aumentando a probabilidade de chegar a inovações marcantes. 
Mais importante, essas condições colaborativas coesas facilitam a transferência de competências criativas implícitas das estrelas para os seus colaboradores, o que por sua vez aumenta a probabilidade de se tornarem estrelas no futuro.
 
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