o talento está na estratégia da empresa

Na Randstad não contrariámos esta moda, na verdade o nosso foco no talento já tem mais tempo e assumimos o mesmo de forma transversal e não como algo exclusivo de uma área de competência. 

Procuramos talentos para os nossos clientes, mas também para nós enquanto empresa. 
Abraçámos este conceito não apenas no momento da atracção e do recrutamento, mas também como parte integrante da nossa estratégia de gestão de pessoas. Este processo na nossa empresa foi feito de forma natural porque somos uma empresa de recursos humanos, focados nas pessoas, mas esta mudança não foi igual em todas as organizações. 

Hoje encontramos empresas que alteraram as suas estruturas e terminaram com a expressão "recursos humanos" para se focarem em exclusivo na gestão de talento. Urna mudança de nomenclatura que não pode ser apenas urna alteração de palavras, porque a gestão de talento não é sinónimo de recursos humanos. Não querendo entrar em grandes dissertações académicas, vale a pena recuperar o conceito de gestão de talento da Universidade John Hopkins que o define como um conjunto de práticas integradas de recursos humanos desenhadas para atrair, desenvolver, motivar e reter colaboradores produtivos e engaged.

Com esta base é fácil compreender que este conceito não esvazia o papel dos recursos humanos, mas é uma parte importante na realidade das organizações. A gestão de talento tem influência e impacta nos processos mais tradicionais de recursos humanos porque implica uma visão holística da estratégia de contratar, formar e reter colaboradores de topo. A empresa não está apenas focada em si, mas sim passa a centrar a sua estratégia na pessoa e define um conjunto de acções e interacções que são transversais a toda a organização. 

A proposta de valor (EVP employee value proposition) definida pela organização está directamente relacionada com a forma como é gerido o talento e as estratégias de employer branding também. 

Esta componente organizacional parece um tema exclusivo de recursos humanos, mas na verdade é um tema de gestão. O coração da empresa, a forma como esta está organizada vai contribuir para desenvolver os seus talentos e ao mesmo tempo retê-los. A sua satisfação e engagement vão contribuir para que eles sejam promotores da empresa enquanto entidade empregadora, vai criar employee advocacy positiva, o que hoje sabemos que tem um impacto substancialmente maior do que qualquer campanha de marketing. Este foco na estrutura e na gestão de pessoas vai permitir às empresas serem competitivas na arena do talento e discutirem frente a frente com outras na contratação de perfis de referência, sem que o salário seja o factor principal. 

O talento deve ser usado, considerado e implicar transformações na nossa organização interna. O talento não é um terna de recursos humanos, mas sim algo estratégico e fundamental para o sucesso das empresas e que deve estar interligado com a sua estratégia c modelo de gestão. Na guerra pelo talento, as empresas têm de ter a sua unique selling proposition, que será o seu EVP e terão que reconhecer a importância dos seus colaboradores para serem atractivas.

José Miguel Leonardo, CEO Randstad Portugal