o novo dilema do gestor

Mais uma semana que se inicia com a mesma fúria de todas as pretéritas! Organizar, analisar, planear, decidir, motivar, promover, reunir são parte integrante dos blocos desafiantes dos gestores do tempo moderno, vulgo “o novo normal”.

A tão falada produtividade torna-se o desafio diário, arrisco no limite em muitos casos a uma escala horária. Como gerir todas as tarefas/ acções inerentes à função? Como regular e optimizar o tempo de cada uma? Se por um lado, a 4ª revolução industrial, pautada pela rapidez de informação e comunicação disponibiliza ferramentas digitais que democratizam o planeamento e organização, por outro torna-nos reféns dela mesma. Um bom exemplo, promovido por todos nós, são o agendamento electrónico e o uso excessivo do correio electrónico. Levante a mão, quem nunca recebeu agendamentos de reuniões sem muitas vezes saber o motivo? Aparentemente é este o mundo cândido de transparência e liberdade que devassa e se torna dilacerante de qualquer mente organizada, perfeitamente consciente das suas funções e tarefas! Se olharmos atentamente para as nossas agendas, verificamos reuniões em catadupa, envolvendo grande parte da barra hierárquica de gestão empresarial. Este provavelmente, será o novo dilema da gestão XXI!     

Reflectindo um pouco sobre este dilema, que provavelmente assola transversalmente grande parte das organizações, destaco um elemento comum: uma parte significativa do tempo de trabalho é utilizado em reuniões, onde analisamos e discutimos temas relacionados com processos e regras internas que criam ineficiências na base da nossa hierarquia (nesta zona/barra onde a agilidade, rapidez e eficiência na decisão impactam nos compromissos e resultados ). De uma forma geral, são estes os temas que escalam para o topo da hierarquia dando origem aos agendamentos extraordinários de reuniões.

É este paradigma, altamente desafiante para toda a pirâmide hierárquica, que impacta directamente a produtividade e eficiência das empresas. A tecnologia que hoje parece entupir a fluidez servirá para a garantir, através de ferramentas cada vez mais eficazes de planeamento, seja de reunião, seja de gestão de colaboradores e relação com os clientes. Um paradigma que não se altera com o domínio absoluto da máquina mas sim com a relação da mesma com as pessoas e a nossa capacidade de seleccionar onde vai estar o poder de cada um. Estou certo e acredito que este “novo normal”, em constante mudança e adaptação, quebrará este ciclo de forma inteligente, utilizando o recurso da revolução digital para nos colocar novamente no foco simples e funcional que as organizações e até as nossas vidas nos exigem!  

 

David M. Ferreira, Sales and Operation Director, Inhouse Services

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