«esta transformação digital é a nova globalização», Alexandre Fonseca, CEO Altice

O mercado de trabalho está em constante mudança e a gestão de pessoas é cada vez mais um fator crítico na estratégia das organizações. Alexandre Fonseca, CEO da Altice, perspetiva os desafios de 2018, a importância da gestão dos recursos e o papel de Portugal na guerra do talento.

 

2018

1. Quais os principais desafios para este ano no sector das telecomunicações?

O setor das telecomunicações está entre os setores que mais transformações sofreu nos últimos anos e que continuará a sofrer. Vivemos um processo de intensa transformação, a ponto de podermos dizer que esta transformação digital é a nova globalização.  Um dos desafios para 2018 é repensar o papel das empresas neste mercado único global. Este é um desafio e uma oportunidade, sobretudo no setor das telecomunicações.

A digitalização acelerou a produção e a circulação de informação, a inovação e a disrupção, a integração do físico com o virtual e o uso de dados em tempo real. Tudo isto com enorme impacto nas estruturas organizacionais, nos modelos de negócio, nas operações de logística e nos próprios produtos e serviços. 

Mas a transformação digital não é apenas uma transformação ao nível das empresas. É uma transformação social com novas formas das pessoas se relacionarem, de aprenderem, de trabalharem. A democratização digital faz com que todos tenhamos acesso às tecnologias de igual forma, ou assim deveria ser e é também esse um desafio para 2018. A Altice Portugal está empenhada na democratização e acesso, independentemente do local onde vivam os portugueses. 

Outro desafio é a inovação constante. O processo de transformação digital obriga a que estejamos sempre a inovar e o nosso esforço e empenho deve ser dedicado a trazer sempre mais e melhores serviços aos portugueses.

2. Qual é o principal foco da Altice para Portugal?

Na Altice Portugal, o nosso foco é o cliente e a sua satisfação. Esta máxima encabeça tudo quanto fazemos. Queremos otimizar a ‘performance’ em cada um dos mercados, com particular foco no serviço ao cliente e na maximização do valor do ciclo de vida de cada cliente, consolidar o investimento em infraestruturas e monetizar o investimento em conteúdos através de novos e inovadores modelos de televisão paga e de receitas crescentes de publicidade.

O nosso foco vai ainda continuar no caminho de investimento em infraestruturas, em serviços e em conteúdos. Estamos apostados em levar as redes de nova geração e plataformas a todo o país e isso é claro se olharmos para o investimento que temos feito. Nos últimos dois anos, a Altice Portugal já investiu mais de 1,2 mil milhões de euros, dos quais, cerca de 400 milhões foram afetos à modernização, expansão e fortalecimento da resiliência de infraestruturas fixas e móveis de nova geração. Temos a ambição de, até 20202 termos 5,3 milhões de casas com instalação de fibra ótica. Prevemos que Portugal será, em 2020, o país europeu com a mais alta taxa de cobertura de fibra ótica sob o total de população, com um rácio próximo dos 100%. Este nosso investimento não se cinge apenas aos centros urbanos. Chega às regiões mais remotas, a 27.000 lugares em 308 concelhos, com mais de 3 milhões de kms de cabo de fibra.

Mas o nosso investimento vai além. Aliada à modernização da rede móvel, nomeadamente da rede 4G, onde temos uma cobertura de 93%, queremos introduzir novas tecnologias como o LTE Advance que permitirá maiores velocidades. Até ao final do ano contamos ter 600 sites com esta tecnologia, com uma cobertura de 70% da população.

Este forte investimento da Altice Portugal contribui decisivamente para posicionar Portugal como um caso de sucesso europeu ao nível das redes de nova geração: ocupando posições cimeiras; e já a caminho de cumprir os objetivos definidos pela Digital Agenda for Europe 2020. Vamos continuar a inovar, algo que está no nosso ADN. A nossa aposta na inovação é clara e para 2018 reforçamos o nosso compromisso.

A Altice Labs em Aveiro lidera o talento de mais de mil engenheiros espalhados pelo mundo, 700 dos quais em Portugal. A partir de Aveiro e juntamente com os outros centros do Grupo, exportamos inovação e tecnologia para 35 geografias em todo o mundo tocando mais de 250 milhões de pessoas.

Mas não ficamos por aqui. A par das melhores redes e das tecnologias mais avançadas, queremos reforçar a nossa aposta numa experiência centrada nos conteúdos e nos serviços. Estamos comprometidos, assumidamente, com a promoção da criação de conteúdos em português e em Portugal. Queremos replicar, no nosso país, a nossa experiência acumulada em outras geografias de convergência entre Telco e Media, aumentando a qualidade dos conteúdos e melhorando a experiência de cliente. A nossa prática diária em outras geografias é a prova viva de como o acesso, o pluralismo, a confidencialidade, a independência e a ética são regras de ouro na nossa gestão de media.

Através do foco no cliente, no investimento em infraestruturas e desenvolvimento da tecnologia de última geração, a Altice Portugal tem vindo a reforçar a sua presença no mercado empresarial e, ao mesmo tempo, a apresentar-se como um forte parceiro tecnológico. A fórmula é simples: não pretende apenas ser uma operadora tradicional de telecomunicações, mas quer ajudar os seus clientes a reinventar o modelo de negócio, deixando para trás as preocupações associadas à tecnologia e aos processos, passando a empresa a assumir essas funções, surgindo como um player digital global. Somos um operador de telecomunicações com a oferta mais abrangente do mercado. Além da oferta de telecomunicações (onde somos líderes em todos os segmentos) temos uma oferta para os nossos clientes que passa por soluções de ICT e de Business Process Outsourcing. Também no consumo a marca MEO continua a dar cartas, quer no acesso à internet fixa e móvel no acesso fixo e na internet móvel e nos pacotes de serviços de telecomunicações.

3. O que podem esperar os clientes da Altice?

Os clientes da Altice Portugal podem esperar esforço e dedicação da empresa na satisfação das suas necessidades. Queremos os nossos clientes felizes.
Por isso, como já referi, garantimos tecnologia de última geração aos portugueses e queremos fazê-lo em todo o país, independentemente da geografia. A Altice Portugal levou fibra ótica e 4G a todos os territórios de baixa densidade populacional e assim continuará a proceder. O tecido empresarial português sabe que conta com a Altice Portugal como alavanca para o desenvolvimento económico local e regional de todos os nossos territórios, de norte a sul do país, do litoral ao interior.
O nosso trabalho tem vindo a ser reconhecido pelo mercado, nomeadamente com a atribuição de distinções e prémios, nacionais e internacionais, como são exemplo o Escolha do Consumidor ’18 e o Escolha do Consumidor Excellentia ’18, atribuídos pelo ConsumerChoice, onde o serviço móvel do MEO recebeu dos consumidores uma nota geral de satisfação de 84,02% e foi ainda reconhecido como marca com práticas de gestão centradas no cliente. O MEO foi também distinguido nos prémios Cinco Estrelas e Produto do Ano.
É, sem dúvida, reconfortante ver premiada a excelência que imprimimos nas nossas ofertas que, cada vez mais, são pensadas para uma transversalidade social do nosso território. A Altice Portugal continuará a apostar na escolha cirúrgica da tecnologia e inovação a incluir na oferta, que responda aos anseios de uma sociedade que cada vez mais se apresenta como seletiva e exigente, o que se torna verdadeiramente aliciante para quem pensa a oferta tendo as pessoas, enquanto cliente, como foco principal.

4. A Altice tem feito um forte investimento em Portugal com destaque para os contact centres. Quais os números atuais deste projecto e até onde querem chegar?

Quase sete anos depois de estarmos em Portugal, e após a aquisição da Portugal Telecom em 2015, é com grande satisfação que olhamos para os praticamente 2 mil postos de trabalho criados com este projeto. Em parceria com a Randstad temos dado emprego, salários e formação a novos colaboradores em todo o país que, em 78% dos casos, estavam em situação de desemprego, com uma idade média de 38 anos. 

Também aqui, o investimento foi feito em mais de uma dezena de cidades do interior do país ou de baixa densidade populacional, reduzindo as assimetrias regionais e apoiando a fixação de populações e a captação de investimento, dinamizando as economias locais. Com os centros de suporte Altice, queremos ainda elevar o número de empregos criados para 4.000 a médio prazo. 

gestão de pessoas

1. Qual a importância das pessoas e da gestão de pessoas na vossa estratégia?

É fundamental. Contamos com todos os nossos colaboradores para serem parceiros e embaixadores da Altice Portugal. Uma empresa faz-se de pessoas, do seu empenho e do seu know-how. Foi disso exemplo, recentemente, o empenho e eficiência dos mais de 800 operacionais da Altice Portugal que estiveram no terreno nas operações de religação e reposição das linhas depois dos dramáticos incêndios do nosso país. Aliados a estes, milhares de outros colaboradores contactavam direto os clientes, como forma de monitorizar e confirmar o correto funcionamento dos serviços, bem como o sucesso das operações de migração tecnológicas. 

Na Altice Portugal contamos com cerca de 20 mil trabalhadores, entre diretos e indiretos. Este número torna-a, também do ponto de vista de recursos humanos, uma das maiores e mais diversificadas empresas do país. A Altice Portugal, procura acrescentar, construir e aproximar as perspetivas e decisões da empresa dos colaboradores e das suas ambições. 

A Altice Portugal dispõe de meios de comunicação interna eficazes e de participação dos colaboradores em  iniciativas de escuta ativa para maior envolvência dos Recursos Humanos a todos os níveis. Dispõe ainda de uma estratégia de desenvolvimento e formação que vai abranger cerca de 70% da população da empresa até ao final de 2018, o que corresponde a cerca de 6.500 colaboradores. Em média, cada colaborador terá cerca de 25 horas de formação por ano, numa estratégia assente em 6 pilares, consoante a tipologia de formação e a população-alvo e que passa por Programas Customizados de Desenvolvimento de Competências, Programas Avançados de Liderança, Formação Técnica Específica,  Certificações & Normativos, Formação Corporativa e Formação avançada.

2. Os estudos falam de uma guerra de talento por perfis tecnológicos, críticos à transformação digital das empresas. Sentem esta pressão? De que forma se estão a preparar para este “combate”?

Não encaramos como um “combate”. Acreditamos que somos um Grupo de excelência, que oferece oportunidades de desenvolvimento, crescimento e valorização profissional que não só quer captar, mas quer também, reter o talento. 
O Grupo Altice tem uma tradição muito forte na captação de cérebros para as mais diversas áreas e, tratando-se de um grupo com presença em várias geografias, promove a rotatividade entre países. Além disso, preocupa-nos a qualidade de vida dos nossos colaboradores bem como um ambiente de trabalho sadio aliado a desafios profissionais aliciantes que proporcionem crescimento pessoal. 

Queremos os melhores profissionais connosco, contando com a sua ambição, Talento e Conhecimento para irmos mais longe e continuarmos a crescer. Também através dos Altice Labs, promovemos a captação e formação de profissionais qualificados e muito diferenciados. De Aveiro para várias geografias, há 700 engenheiros que ajudam a tornar o Grupo Altice no player de referência digital e de inovação que é hoje. 

Dispomos ainda de várias parcerias com Universidades europeias e portuguesas, que nos ajudam a identificar os melhores entre os melhores. Lançamos também o programa internacional de jovens talentos – Young Graduate Program – um programa de estágios que promove a multidisciplinaridade e o interculturalismo.

No longo prazo, acreditamos que não podemos ter profissionais de excelência sem uma educação de excelência desde cedo. Temos por isso duas iniciativas, uma interna e outra externa, para ir de encontro a essa necessidade. Internamente, através de um programa aberto de apoio aos estudos onde chegamos em 2017 a mais de 3.000 alunos dependentes dos colaboradores da empresa. Externamente, através da nossa componente de responsabilidade social, a Fundação PT, hoje chegamos a mais de 407.000 alunos de mais de 3.000 escolas com o Comunicar em Segurança, e temos mais de 1,7 milhões de visualizações dos nossos conteúdos em português da Khan Academy. Nos próximos dois anos vamos chegar, com um Tecno Bus, a todas as escolas de todos os municípios de Portugal, com os nossos projetos de Educação, Arte e Empreendedorismo, sempre de mãos dadas com a tecnologia: o Altice Tour. 

A Altice Portugal sempre assumiu uma postura de responsabilidade no contributo que tem dado para a qualificação de profissionais, para a inovação tecnológica e consequente posicionamento de Portugal como um país fornecedor de recursos técnicos e humanos de leading edge, com as Telecomunicações no lugar cimeiro deste posicionamento. 


portugal

1. Como acha que podemos ser competitivos e atrair os melhores talentos para o nosso país?

Portugal está hoje, e cada vez mais, no mapa de quem procura emprego de qualidade na área da tecnologia. Temos hoje um ambiente empresarial bastante competitivo, produção tecnológica relevante e inovação em centros de I&D em todo o país, um ecossistema empreendedor que não é de somenos, através de startups com cada vez maior relevancia internacional.
É preciso potenciar este ambiente que hoje se vive no país para atrair cérebros e investimento.
Temos, em Portugal, Universidades que formam recursos humanos extremamente bem preparados. É preciso investir no nosso país e é preciso apostar nos portugueses.

biografia 

Alexandre Fonseca, Chief Executive Officer

Foi Chief Technology Officer da Altice Portugal desde 2015. Anteriormente foi CEO da ONI Portugal e ONI Moçambique e também CTO e Diretor de Tecnologia e Sistemas de Informação da Cabovisão. Entre 1995 e 2007, exerceu funções nas áreas de SI/TI, telecomunicações e gestão estratégica de negócios, quer em consultoria quer em diversos setores de atividade como viagens e turismo, em Portugal e em diversos projetos internacionais.
É membro da APDC e da APDSI. Colabora com entidades nas áreas de Gestão de Projetos, Estratégia e Comunicação e escreve regularmente artigos sobre SI/TI para diversos títulos de media especializada portuguesa. É orador/docente convidado em iniciativas académicas nas áreas tecnológicas e de gestão.
Licenciado em Engenharia Informática pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem uma pós-graduação em Gestão de Vendas e Marketing pelo Team View Institute, Lisboa.

 
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