as tendências da guerra pelo talento

A Randstad entrevistou 800 líderes de negócio, de 17 países, para tentar perceber quais são as tendências no tema do talento, para 2018.

«Nunca, como nos últimos anos, se falou tanto em Guerra do Talento» começa por explicar Inês Veloso,  directora de Marketing e Comunicação da Randstad Portugal, em vídeo, na apresentação do relatório “Be a Talent Navigator: 2018 The Talent Trend Report”, feita na XV Conferência Human Resources Portugal. 

No que toca à procura dos melhores candidatos e à retenção do mesmos, 78% dos inquiridos acreditam que o objectivo da estratégia de talento tem de estar em linha com o objectivo e impacto do negócio. Os Estados Unidos da América e o Reino Unido foram os que mais concordaram com a afirmação (92% e 94%, respectivamente). Por seu lado, o Japão apenas concordou em 41%.

Quanto ao próprio departamento de Recursos Humanos, as expectativas para com os Gestores de Pessoas nunca foram tão elevadas. 84% dos entrevistados acreditam que estão a preparar a organização para o futuro, mas apenas 77% defendem que os Recursos Humanos precisam de ter uma voz mais activa na estratégia das empresas.

72% dos líderes de negócio acreditam que a qualidade do talento vai aumentar, com a Índia e os EUA a demonstrarem um crescimento de expectativas, chegando mesmo aos 90%. Uma expectativa que a Holanda não partilha, pois apenas 39% dos inquiridos deste país concordam.

Employer Branding e formação ainda não são prioridade de investimento

Quanto ao Employer Branding, apenas 46% dos participantes no estudo consideram que vão aumentar o orçamento para a experiência do candidato, e 51% confirmam, ao mesmo tempo, a tendência para aumentar a experiência do colaborador.

O país que neste aspecto se destaca pela positiva é a Índia, que considera, em 78%, um aumento do orçamento para a experiência do colaborador. No Japão, contudo, os inquiridos apenas o consideram em 16% para os candidatos e 11% para os colaboradores. O pódio para o aumento do orçamento da experiência do candidato pertence à Índia (64%), Brasil (62%) e Singapura (62%).

De acordo com 76% dos  questionados, o talento é independente de qualquer vínculo e pode existir em qualquer lugar, especialmente os do México (90%) e Reino Unido (88%).

Quando questionados sobre se o recrutamento online desumanizava o processo 51% dos inquiridos responderam afirmativamente, com um destaque para Singapura (82%) em concordância, e a Alemanha (25%) em discordância. Apesar deste sentimento, 87% não negam que a tecnologia vai ter um papel importante na retenção de talento, algo defendido, de novo, especialmente por Singapura (98%) em conjunto com a Itália.

Quanto à formação interna, apenas 11% das empresas aceitam a ideia de formar e reconverter talento. A China ultrapassa esta média em 36%, mas na Europa, a subida é apenas em 15%.

A tecnologia tem um impacto positivo

Quando viramos o foco para o impacto da inteligência artificial, do machine learning e da data science no local de trabalho, a resposta foi quase unânime, ultrapassando os 81%, com uma maior resposta a chegar do Brasil (98%). 65% destes inquiridos consideram que estas ferramentas têm um impacto positivo. Na Índia, chegam aos 90%, no Japão, ficam nos 27%.

As redes sociais, as aplicações e experiência do utilizador já fazem parte da vida das empresas, e quando questionados se estas tecnologias já vêm alterar o recrutamento, 68% dos inquiridos concorda, mas não de forma uniforme, pois a Holanda (45%) e o Japão (43%) não têm, de facto, uma concordância. Se a pergunta for, contudo, se a tecnologia está a ajudar as empresas a tomar decisões mais inteligentes, 70% concordam. Por fim, em termos do uso de analytics, 76% acreditam que estas podem fazer a diferença no engagement.

Importante ainda referir que Portugal não foi um dos países participantes no estudo.

O vídeo também contou com testemunhos de dez especialistas da Randstad Portugal, sobre estas tendências.

1 – “Talento é inseparável da estratégia de negócio” – José Miguel Leonardo, CEO

2 – “Maiores expectativas face aos gestores de talento” – Mariana Canto e Castro, HR and legal director

3 – “Melhorar a qualidade do talento é uma prioridade” – Erica Pereira, professionals senior manager

4 – “Empregadores procuram ter uma vantagem competitiva” – Joana Semedo, Xcenter candidate experience consultant

5 – “A complexidade aumenta com o aparecimento do talento independente” – Paula Lampreia, HR business manager

6 – “IA, machine learning e robots começam uma evolução” – Felipe Blanco, data scientist

7 – “A componente humana é uma vantagem competitiva” – Renata Domingos, marketing consultant

8 – “O consumo da tecnologia tem de ser acelerada em situações como o recrutamento” – Gonçalo Vilhena, CIO

9 – “As empresas vão ser as novas universidades” – Tânia Baptista, human consulting manager

10 – “Insights são cada vez mais imprescindíveis” – André Pires, innovation and new business development director

 

in revista Human Resources 

< voltar à página anterior