<p class="MsoNormal"><span>Maio é o mês do trabalhador</span><span>. O dia 1 que é celebrado em quase todo o mundo tem
origem na primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e
numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886. Nesta altura a relação
laboral não previa qualquer intervenção dos trabalhadores, eram “apenas” os que
trabalhavam, os que produziam e não tinham direitos, apenas deveres. Três anos
depois, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação
anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago, reforçando-se a importância
de existirem também direitos para todos os que trabalham. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>No dia 23 de abril de
1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de
maio como feriado, e uns anos depois a Rússia fez o mesmo. Em Portugal, os
trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua
realização internacional.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>O dia o trabalhador
nasceu da luta e da importância de reconhecer as pessoas como o elemento
crítico nas empresas, na força de trabalho. E a história do mundo mostra-nos
que este foi um caminho longo, onde foram dados passos pequenos e outros
grandes, escritas leis e assumidas práticas que têm vindo a transformar o
trabalho no que é hoje. Existem assimetrias não apenas globalmente mas até na
Europa, a ligação social e económica é inequívoca e consoante os regimes
políticos existem avanços ou retrocessos. Mas o que não podemos permitir é que
o trabalhador, o talento, o colaborador, a pessoa humana não esteja protegido
em termos de dignidade e de direitos. A precariedade é isso mesmo, é essa
ausência de dignificação das pessoas, o desvalorizar do seu valor e o
incumprimento da lei e dos principais valores consagrados na constituição.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Dia 1 de maio não é a
celebração das greves ou dos grevistas ou um feriado político. Dia 1 é o dia do
trabalhador, é o meu dia, é o seu dia, é o nosso. É o dia em que valorizamos
todos os que produzem para o país, os que contribuem para a sociedade, onde não
olhamos para funções, salários, vínculos, mas sim para o talento, a pessoa
humana.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Maio é o mês do
trabalhador, mas também é o mês dos
pedidos de consentimento, de abordagens extremas ou simplistas do que vai
ser a nossa realidade após dia 25 de maio. No nosso negócio e para todas as
empresas o novo regime geral de protecção de dados no que se relaciona por
exemplo com o tema dos currículos não ´de fácil de gerir. O novo enquadramento
obriga a uma alteração de mentalidade e uma revolução de processos que questiona
não apenas a celeridade mas também a própria experiência dos candidatos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Acredito que o tempo vai
ajudar a clarificar os exageros e a adaptação vai ao encontro das melhores
práticas e dos direitos das partes. O CV não vai ser algo explosivo e demoníaco
que rapidamente temos de apagar com medo que contamine para sempre o nosso
negócio. Mas certo é que os últimos dias de maio inauguram uma nova forma de
comunicar e tratar os dados pessoais. Espero que como em tudo, impere acima de
tudo o bom senso e que a Europa não queira dar exemplos de sanções que ponham
em causa mais do que negócios, empregos.</span></p>