qual o futuro do trabalho em portugal?

A automatização poderá levar à redução de 1,1 milhões de postos de trabalho em Portugal até 2030, com a região Centro a representar as maiores perdas, conclui um estudo encomendado pela Confederação Empresarial de Portugal à Nova School of  Business and Economics. 

 

 «50% das horas de trabalho em Portugal são susceptíveis de ser substituídas por processos automatizados», por serem dispendidas em tarefas repetitivas, podendo aumentar para 67% até 2030, refere o estudo “O Futuro do Trabalho em Portugal, O Imperativo da Requalificação – O Impacto na Zona Centro”.

Segundo as projecções, a terceira maior região do país pode vir a perder cerca de 240 mil empregos na próxima década. Na zona Centro, as mudanças estimadas de postos de trabalho ascendem a 44 mil na manufactura e 15 600 na agricultura, actividades que têm um peso significativo na economia regional, de 26% e 27%, respectivamente.

Em compensação, «130 mil postos de trabalho também serão criados na zona Centro devido à automação e ao crescimento por esta gerado», adianta o estudo, que acrescenta que 700 mil trabalhadores portugueses (15% do total da força de trabalho) terão de alterar a sua ocupação laboral,134 mil dos quais no Centro do país a evidenciar necessidade de requalificação.

O estudo refere ainda que, 87% dos executivos seniores, a nível global, reconhece que as suas empresas não se encontram adequadamente preparadas para suprir as lacunas de capacidades actuais. E que um estudo preliminar do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional aponta para «um elevado retorno à requalificação em Portugal, de sete vezes sobre o custo».

 

Desafios e soluções

Se os desafios se colocam na esfera do Governo, que denota «falta de centralização e coordenação de políticas públicas na área da requalificação»; dos trabalhadores, que evidenciam «baixo nível de escolaridade» e dos empregadores, com «falta de incentivos financeiros para internalizar todos os benefícios do investimento em requalificação», então a solução também exige uma resposta coordenada entre os três principais agentes de mudança: colaboradores, empregadores e educadores.

Assim, para além do governo que deve – defende-se no estudo – consciencializar, informar e mobilizar todos os agentes de mudança; financiar e investir na aprendizagem, ao longo da vida; e gerir o ecossistema da aprendizagem e emprego, os agentes de mudança devem:

- Colaboradores: serem actores pró-activos da própria trajectória de carreira e plano de requalificação.

- Empregadores: planear estrategicamente a força de trabalho; conduzir análises para identificar lacunas de competências (capacidades actuais versus requisitos futuros); promover iniciativas de requalificação da força de trabalho.

- Educadores: informar sobre as oportunidades existentes e aumentar o acesso à educação/ formação; integrar aprendizagem/ experiência na indústria e actualizar currículos; e adoptar novas estruturas de cursos e aumentar o foco em treino baseado em competências.