Em 2020, a Montiqueijo foi, pelo terceiro ano consecutivo, distinguida pela APEE pelo compromisso com a responsabilidade social e ambiental, vencendo na Responsabilidade Social - Comunidade. Mas também promovem uma consciência social endógena. A directora-geral Dina Duarte partilha porque assumem estes temas como fundamentais.

 

Entrevista a Dina Duarte, directora-geral da Montiqueijo

 

Qual o propósito que a Montiqueijo assume no desempenho da sua actividade?

A Montiqueijo surgiu e cresceu de forma muito natural, tendo sempre como objectivo corresponder aos desafios do mercado e do consumidor. Ao longo do tempo, a regulamentação do sector dos lacticínios trouxe “as dores de crescimento” e mais uma vez a empresa evoluiu. Desta evolução vieram novos negócios: a grande distribuição e um mundo novo onde entrámos e onde já estamos há alguns anos. Procurámos estar sempre conscientes dos nosso valores e objectivos enquanto empresa, de forma a nunca os perdermos.

A qualidade e as certificações são alguns pontos pelos quais somos reconhecidos pela distribuição e pelo retalho e, no nosso caminho, temos vindo a acrescentar valores como a sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e económica.

 

Qual o papel social que acredita que as empresas devem assumir, quer externa, quer internamente?

As empresas têm como missão defender os valores que as definem e, sobretudo, devem ser agentes impulsionadores de boas acções, sendo por isso “bons exemplos a seguir”. Em boa verdade, as empresas acabam por produzir maior volume de resíduos, abarcar maiores consumos energéticos e, neste sentido, devem ser as primeiras a promover comportamentos ligados a sustentabilidade ambiental, à reciclagem, à redução do consumo eléctrico e à adesão a energias renováveis sempre que possível.

Ao promovermos este tipo de comportamentos estamos a sensibilizar as pessoas que nos rodeiam e a mostrar novas alterativas disponíveis no mercado, quer aos nossos colaboradores, quer aos nossos concorrentes, quer às pessoas que contactam connosco.

Outro ponto que procuramos focar na nossa actividade é a “preocupação com o outro” e, neste sentido, procuramos participar em projectos de solidariedade da nossa comunidade local, estimulamos o relacionamento e valorização da equipa.

 

Em 2020 foram, pelo terceiro ano consecutivo, distinguidos pela APEE pelo vosso compromisso com a responsabilidade social e ambiental. Foram inclusive vencedores na categoria Responsabilidade Social - Comunidade. Que iniciativas têm promovido neste âmbito?

A Montiqueijo tem procurado estar presente em acções de apoio e responsabilidade social sempre que é possível, participando na maioria das actividades locais de cariz desportivo, cultural e educativo. Oferecemos regularmente produtos a instituições de solidariedade social da região, aplicando a filosofia de desperdício zero, onde, desta forma, fazemos um aproveitamento quer do excedente de produção, quer do produto que não está dentro da calibragem/aparência exigida pelo mercado – o chamado produto “feio”.

Em Abril de 2020, juntámo-nos ao Recheio Cash & Carry para doar o equivalente a 25 mil litros de leite a hospitais e centros hospitalares de todo o país, como forma de prestar apoio aos profissionais de saúde e aos doentes internados. No mesmo ano, a Montiqueijo organizou a recolha de alimentos para o Banco Alimentar Contra a Fome e doou cerca de 6000 queijos.

 

Também promovem iniciativas de responsabilidade social internamente? Dê alguns exemplos.

A nível interno, assinalamos as principais efemérides com acções internas direccionadas ao colaborador, promovemos a realização de formação todos os anos em diversas competências, procuramos sempre que possível ser agentes de inclusão social através da contratação de profissionais em reabilitação, e valorizamos a equipa com a premiação por dedicação e antiguidade.

 

Como referiu, a vertente ambiental/ sustentabilidade também te sido uma forte aposta da Montiqueijo. Como a têm promovido?

A Montiqueijo, ao longo do tempo, sempre alinhou os seus princípios de actuação com base na sustentabilidade. Todos os projectos que vai desenvolvendo têm como preocupação a melhoria contínua e a contribuição para um mundo sustentável.

Em 2015, instalámos um sistema fotovoltaico destinado ao autoconsumo, que permite actualmente 18% de autossuficiência (média mensal). Com os 628 painéis solares instalados, produzimos 277 toneladas de queijo com recurso exclusivo de energia solar e consequentemente conseguiu reduzir 105 toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano.

Ao longo do tempo, a Montiqueijo tem vindo a diminuir a utilização de plástico das suas embalagens, primeiro com a remoção do cincho, que permitiu uma diminuição de 55 toneladas de plástico em 2019, e em 2020 reduziu novamente o seu consumo colocando no mercado uma embalagem menos espessa, diminuindo em 30% a quantidade de plástico que compõe uma parte de cada embalagem.

 

Defende que esta consciência social e ambiental deve ser comunicada só internamente ou também externamente? Que fronteiras definem – se é que o fazem-no que deve/ faz sentido ser comunicado para fora?

É sempre delicada a selecção de conteúdos que se deve fazer do interior para o exterior. Existe uma tendência natural para a empresa se preservar no sentido de não estar tão exposta, porém, consideramos que os “bons comportamentos” e a consciência social devem ser partilhados e divulgados, a título de exemplo a seguir.

Internamente, fomos adotando comportamentos de forma natural, em pequenos gestos do dia-a-dia, por exemplo, oferecemos chávenas de loiça personalizadas para substituir o consumo de plástico ou até mesmo cartão utilizado para servir/beber café diariamente. Outro exemplo foi a criação de um posto de abastecimento para carros eléctricos. Estes gestos não são partilhados para fora, mas fazem parte de uma consciência social endógena.

As próprias formações que são dadas abrangem muitas áreas ligadas à consciência social e ambiental, tornando os nossos colaboradores mais sensíveis para uma série de temas e mais ricos a nível de conhecimentos práticos enquanto indivíduos.

Em relação à comunicação das nossas acções para o exterior acabamos por fazê-lo de forma quase espontânea, visto que várias vezes somos consultados para participar em iniciativas onde pretendem destacar empresas sustentáveis e acabamos por “ir levando para casa” vários títulos de reconhecimento do nosso investimento social e ambiental. São esses títulos que geralmente comunicamos sob a forma de press releases ou nas nossas redes sociais.

 

Qual a importância que estes temas assumem na gestão do vosso negócio?

Estes temas são para nós fundamentais. Em primeiro lugar, temos de ter respeito pelos outros e pelo mundo que nos rodeia. Uma empresa estabelece milhares de contactos diários, por isso tem de ter em conta a responsabilidade que representa no contexto económico, social e ambiental.

Todas as práticas devem ser conscientes, pois somos influenciadores e promotores de comportamentos a todos os níveis. Existe uma procura diária em fazer melhor, em encontrar novos caminhos de redução de desperdício, aumentar a reciclagem e a reutilização de materiais resultantes do nosso circuito de produção, de forma a reduzir o impacto que a nossa atividade tem sobre o meio ambiente.

Com base nesta linha de pensamento, temos vindo a implementar novas formas de trabalho orientadas para redução de consumos: criámos metas de diminuição do nosso consumo hídrico recorrendo a equipamentos específicos de limpeza e instalámos um sistema de gestão de energia que regula a iluminação em função da necessidade, nas diferentes fases do dia – gestão feita em função da luz solar diária.

 

E na gestão das vossas pessoas, é igualmente importante? Acredita que estas iniciativas e preocupação demonstrada pela empresa é valorizada pelos colaboradores e funciona como um fator quer de atracção quer de retenção de talento?

A gestão das pessoas é outro ponto fundamental para a nossa empresa e procuramos a valorização não só do colaborador enquanto indivíduo, mas também a promoção do relacionamento e do espírito de equipa. Consideramos que haja uma valorização crescente da consciência social e ambiental da nossa empresa, até porque se trata de um dos assuntos na ordem do dia, onde diariamente vão sendo partilhadas pelos media informações sobre a necessidade da preservação do meio ambiente para garantirmos o nosso futuro no planeta.

 

De que forma os vossos colaboradores contribuem para esses compromissos? Também os envolvem nas iniciativas que promovem?

Sentimos um envolvimento global, uma vez que sempre que é implementada uma nova iniciativa existe uma forte adesão de todos os colaboradores. Por exemplo, no caso das actividades desportivas com fins solidários que apoiamos, conseguimos uma total receptividade de todos os colaboradores, que acabam por trazer também os seus familiares. Claro que é sempre feita uma acção de sensibilização para que percebam os objectivos em causa e para que haja um envolvimento com a acção.

 

Que outros factores acreditam que vos tornam uma empresa atractiva para trabalhar?

Consideramos que os valores que defendemos e que são visíveis nas acções que fomos descrevendo ao longo desta entrevista podem ser, por si só, factores de atracção. Porém, o elemento mais forte, que funciona como catalisador de boas energias, é o amor que colocamos naquilo que fazemos, e por isso sentimos que temos uma equipa em plena sintonia.

 

Quais são as vossas prioridades em termos de Gestão de Pessoas? A pandemia veio alterar a vossa estratégia neste âmbito?

As nossas prioridades passam, sobretudo, por manter os actuais postos de trabalho, mesmo perante os actuais cenários de oscilação nas linhas de produção e mesmo face a redução de volumes de vendas.

Fomentamos a diversidade cultural e a não discriminação racial, temos vindo a acolher na nossa equipa pessoas de diferentes etnias e ajudamo-las em diversas áreas onde precisam de apoio. Temos também um exemplo de inserção social que nos permitiu ajudar na reabilitação social de um individuo que hoje está inserido no mercado de trabalho.

Nesta fase pandémica há também uma grande preocupação e um enorme cuidado com o contacto entre trabalhadores, mas visto tratar-se de uma área de produção alimentar as normas de protecção e cuidado alimentar inerentes à nossas certificações sempre foram muito exigentes e, por isso, já estávamos alinhados com as normas actuais, mesmo antes da pandemia chegar.

 

O que acredita que os profissionais mais valorizam actualmente, nomeadamente no sector em que actuam?

Talvez a estabilidade que uma empresa possa oferecer aos seus colaboradores, assim como a protecção e respeito enquanto individuo. A formação também é muito importante, de forma a termos colaboradores motivados e com vontade de evoluir.

 

Que tendências perspectivam, quer para a Gestão de Pessoas, quer em termos de Responsabilidade Social?

Pretendemos manter o nosso ADN de valorização do individuo nas suas várias vertentes, continuar a alimentar a vontade de fazer mais e melhor, ajudar sempre que possível a reduzir o impacto ambiental e mobilizar cada vez mais pessoas, mais concorrentes, mais parceiros para estas causas que são da responsabilidade de todos.

 

entrevista a
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Dina Duarte

directora-geral da montiqueijo