era uma vez…

Era uma vez…

Este é o início comum das histórias que todos conhecemos. Esta é a frase que nos preparou para saber escutar e treinou a nossa atenção no outro. Antes de adormecer, na escola ou entre amigos, contar uma história passou a fazer parte da nossa vida.

Aprendemos desde cedo que uma história tem início meio e fim, que o suspense inicial nos guiará por um percurso com altos e baixos e que a conseguiremos acompanhar até ao final se mantivermos o foco. Cedo ficamos também a saber que uma história com base em factos reais terá sempre maior impacto em quem a escuta.

As empresas vivem sem tempo, assim como as pessoas. Todos temos demasiado em que pensar e falta-nos tempo para escutar; talvez por isso sejamos cada vez mais selectivos no que ouvimos e ainda mais no que escutamos. A história tem que ser realmente interessante para nos fazer parar!

Falar de nós ou do nosso produto/serviço será tanto mais impactante quanto melhor for a história que conseguirmos contar. O conceito de storytelling veio trazer ao mundo organizacional uma forma de comunicar que sugere e reúne características consideradas fundamentais na interacção profissional: envolvimento, atenção, propósito, objetivo, organização.

Aos candidatos em processo de recrutamento é pedido que sejam assertivos mas que garantam o envolvimento do recrutador e que deixem bem claro qual o seu objectivo e propósito. Aos colaboradores das empresas, da mesma forma, é sugerido que apresentem as suas motivações, que envolvam as suas chefias ou os seus pares nas suas ambições profissionais e que definam claramente as metas que pretendem atingir em cada jornada. Aos gestores/líderes é pedido que envolvam as pessoas e as equipas nas decisões e que apresentem objetivos claros e quantificáveis, que falem de fatos concretos e que expliquem o propósito…

Andamos a pedir o mesmo há séculos, de forma mais ou menos complexa. Damos sugestões e pensamos em ferramentas e estratégias de como envolver o outro, com foco no objetivo que queremos atingir. Realçamos diariamente a importância da empatia nas relações e tentamos inconscientemente encontrar esta competência no contacto diário com quem nos rodeia. Talvez este seja o momento ideal para descomplicarmos o método e regressarmos às origens. Passemos à prática e coloquemo-nos no lugar do outro com maior frequência, garantindo acima de tudo o seu envolvimento e participação na nossa história.

Num mundo organizacional de constante e veloz evolução, para além de pedirmos às pessoas flexibilidade, talvez possamos pedir que nos contem uma boa história, que acima de tudo nos faça parar para pensar e que contribua para que façamos escolhas mais acertada e tomemos decisões mais sustentadas.