4 tendências no mundo do trabalho em 2020

Do trabalho em regime de freelancer ao trabalho flexível, passando pelos chatbots, 2020 está prestes a ser um ano de mudança continuada. Bas Kohnke, fundador e CEO da Imprais, identificou, no site da Fast Company, quatro das principais tendências para o ano que agora se inicia.

 

A “gig economy” e o trabalho flexível

Os últimos anos viram um aumento repentino no número de pessoas que participam na gig economy, ao trocarem um cargo a longo prazo por um trabalho com prazos mais curtos ou horários mais flexíveis.

Colaboradores temporários, independentes, freelancers e à distância pertencem a esta categoria, trabalhando frequentemente para empresas por períodos mais curtos de tempo, em projectos ou trabalhos ad hoc. Para alguns, foi a forma de criar uma vida mais flexível, trabalhando fora do horário de trabalho tradicional, ou de trabalhar para várias empresas ao mesmo tempo. A Intuit calcula que, em 2020, mais de 40% dos colaboradores norte-americanos serão independentes.

Não é só o “como” que está a mudar, o mesmo está a acontecer ao “onde”. Houve uma grande mudança nos últimos anos em termos de trabalho à distância. Um inquérito da Global Workplace Analytics e da Flexjobs descobriu que o trabalho à distância cresceu 91% nos últimos 10 anos, e várias pesquisas concluíram que, em 2020, metade de todos os colaboradores irão estar a trabalhar remotamente, de alguma forma.

Certas empresas trabalham agora totalmente à distância, sem um escritório físico comum e com colaboradores espalhados por diferentes fusos horários, outras têm um ou dois colaboradores remotos e algumas oferecem a todos os colaboradores a opção de trabalharem à distância durante um ou dois dias por semana.

Este tipo de trabalho tem um enorme impacto na Gestão de Pessoas, do processo de contratação/adaptação à estrutura da empresa e às práticas de comunicação, quando se lida com colaboradores a tempo parcial. Embora isto signifique, sem dúvida alguma, que há desafios a ultrapassar, esta tendência crescente do trabalho flexível não vai desaparecer tão cedo.

Os líderes de Recursos Humanos precisam de analisar o que significa a gig economy para a sua empresa e a melhor forma de lidar com as exigências de colaboradores a curto prazo, flexíveis e freelancers. Isto pode ser feito através do aumento do uso de ferramentas de gestão de desempenho, de sessões regulares de videoconferência ou da actualização de processos de adaptação.

 

Capacitação das pessoas

A capacitação das pessoas foi sublinhada como uma das tendências para 2019, e provavelmente irá continuar a ter um enorme impacto em 2020. Esta abordagem mais holística e menos vertical faz com que os colaboradores aproveitem o seu potencial e progresso à sua maneira. O conceito assenta em três pilares principais:

- Crescimento profissional: acelerar a velocidade a que gestores e indivíduos aprendem e crescem;

- Clareza e alinhamento: manter todos alinhados com a estratégia, objectivos e processos;

- Valor e impacto: desenvolver uma cultura onde todos se sentem valorizados e são reconhecidos.

Ao implementarem estes três conceitos, as empresas asseguram que as suas pessoas sentem que controlam o seu trabalho e progressão, aumentando o empenho, o crescimento e a produtividade geral. E a capacitação das pessoas teve um enorme impacto na experiência dos colaboradores.

 

Chatbots de Recursos Humanos

A utilização de chatbots pode já ser habitual em muitos departamentos de Recursos Humanos (RH), assim como no suporte de Tecnologias de Informação (TI) e no serviço ao cliente, mas veremos um aumento mais significativo neste tipo de comunicação em 2020.

Usar chatbots pode ser uma prática incrivelmente útil na Gestão de Pessoas. Estas ferramentas conversacionais automatizadas podem lidar com as questões, perguntas e processos mais básicos, como a análise de candidatos, e ajudam os RH a terem tempo livre para se concentrarem em diálogos e interacções mais profundas.

Usar chatbots para as interacções iniciais significa também que o tempo médio de resposta é mais curto, acelerando consideravelmente os processos ao lidar rapidamente com questões mais simples que possam surgir. Há também potencial para que sejam usados nas entrevistas, substituindo as primeiras chamadas, por exemplo. Os bots podem fazer aos possíveis candidatos algumas perguntas iniciais, que os RH podem depois analisar, antes de decidirem quem querem entrevistar pessoalmente.

 

Inteligência artificial

Outra tendência que vem do ano passado é a necessidade de os RH se concentrarem mais em decisões mais baseadas em dados, com o analytics a informar mais e mais sobre o trabalho feito. Os RH estão inerentemente virados para as pessoas, por isso há muitos dados e é fundamental aproveitá-los para que todos tenham a melhor experiência possível.

Esta ideia perdurará em 2020, já que se nota um enfoque crescente em abordagens mais automatizadas. Contudo, agora não falamos apenas de análises de dados. Estão a ser introduzidas práticas mais recentes que aumentam a automatização. Pesquisas da Gartner prevêem que, em 2020, um em cada cinco colaboradores envolvidos em tarefas não rotineiras dependerão da inteligência artificial (IA) para fazerem o seu trabalho.

A IA provavelmente nunca irá dominar o lado mais “humano” dos RH, mas exigirá que se atinja um equilíbrio entre processos humanos e tecnológicos, principalmente na fase de recrutamento. O objectivo não é retirar o elemento humano, mas estabelecer uma abordagem mais simplificada onde a IA seja usada como ferramenta para ajudar e elevar os processos actuais, aumentando a eficiência em tarefas como análise de candidatos, adaptação e tarefas administrativas como pedidos de férias ou marcação de entrevistas.

Nos próximos anos, todas estas tendências terão provavelmente um grande impacto na Gestão de Pessoas. Contudo, é sempre importante focarmo-nos naquilo que funciona para a nossa empresa e as nossas pessoas. Todas as empresas são únicas e exigem práticas diferentes. Mantenham em mente o que funciona na vossa organização e o que poderá ajudar, em vez de prejudicar, os RH e a ligação humana.