integrar ou incluir?

Integrar, completar o todo com a parte, com a excepção e com a diferença. Não se trata apenas de incluir, é chegar mais longe, é ir mais profundamente e ao mesmo tempo garantir que é bilateral a relação. O modelo de escola inclusiva permite a aprendizagem não apenas dos alunos com necessidades especiais mas de todos os que vivem na escola, transformando os alunos em pessoas melhores, com mentes mais abertas. Competências que vão ser fundamentais ao longo das suas vidas. 

Será a diferença aceite nas empresas? Será possível a progressão profissional e uma verdadeira integração? A diferença nas organizações deve ser trabalhada ao nível da cultura da empresa não apenas no clima organizacional mas na sua estratégia de recrutamento. Idade, género, raça, nacionalidade não devem ser elementos de descriminação, assim como as necessidades especiais como deficiência física, motora ou outra não devem ser critérios de discriminação. A diferença é parte do todo na nossa existência mas a verdade é que ainda temos muito a fazer neste campo, temos de garantir que mais do que saber o que mudar, transformamos a nossa forma de aceitar, e que criamos um modelo que vai além da inclusão. 

No caso das necessidades especiais os números estão longe da perfeição e os desafios vão continuar a aumentar. De acordo com o Centro Regional de Informação das Nações Unidas cerca de 10% da população, ou seja, 650 milhões de pessoas, vivem com urna deficiência. São a maior minoria do mundo. Um número que está a aumentar de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), devido ao crescimento demográfico, aos avanços da medicina e ao processo de envelhecimento. 

Nos países onde a esperança de vida é superior a 70 anos, cada indivíduo viverá com uma deficiência em média 8 anos, isto é 11,5% da sua  existência. Viver mais não pode implicar viver pior, não pode significar desemprego ou descriminação. A qualidade de vida das pessoas passa pelo acesso a uma ocupação, ao trabalho e esta resposta deve existir não apenas ao abrigo de programas de responsabilidade social, mas integrando a diferença no ADN da organização, garantindo a bilateralidade que já foi conseguida em estabelecimentos de ensino e salas de aula. 

A diferença porque não somos todos iguais, porque seremos sempre diferentes, porque mesmo a normalidade tem diferenças e exige desafios na relação e integração num todo que é o que caracteriza a nossa empresa. Temos de ver a pessoa, as suas competências, o seu saber ser, saber fazer, saber estar e ainda avaliar o seu potencial. Um potencial que reside no seu factor P, P de pessoa, P de personalidade. Esse P é o que nos diferencia. 
Tudo o resto são rótulos que criamos, são descriminações que não identificam talento e que muitas vezes impedem o desenvolvimento e são causadores de verdadeiras violações dos direitos humanos.

 José Miguel Leonardo, CEO Randstad Portugal

in Executive Digest, Dezembro 2016